Bioeconomia
Mercado de bioinsumos movimentou R$ 7 bilhões e pode crescer 46% até 2030
Avanço do setor gerou economia de US$ 28 bilhões no país e evitou emissão de 280 milhões de toneladas de CO²
Pesquisa em bioinsumos em laboratório |
O mercado brasileiro de bioinsumos, englobando biocontrole, bioinoculantes, mobilizadores de nutrientes e biofertilizantes, movimentou cerca de R$ 7 bilhões em 2025. Segundo dados da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (Anpii-Bio), o setor pode alcançar quase R$ 10 bilhões até 2030, o que representaria um crescimento de aproximadamente 46%.
Além disso, o uso crescente de bioinsumos no Brasil gerou economia de US$ 28 bilhões e redução de 280 milhões de toneladas de CO² na atmosfera no ano passado, segundo cálculos da Embrapa.
Esses dados foram apresentados no início da XXII Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola (Relare), na quarta-feira (19) e que segue até esta secta-feira (20), no Centro de Eventos Sistema FIEP, em Curitiba (PR).
A Relare é promovida pela Embrapa, em parceria com a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPiiBio) e com a CropLife Brasil, e com o apoio dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT MicroAgro) e da Fundação Araucária.
De acordo com a pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa, a Relare tem sido fundamental para consolidar o uso de inoculantes no Brasil, com destaque para a elaboração dos protocolos de campo utilizados pelo Ministério da Agricultura em processos de registro de inoculantes, além da contribuição para a integração entre pesquisa, indústria e órgãos reguladores. Para ela, o País construiu uma posição de liderança mundial no uso dessas tecnologias.
A história teve entre seus marcos o desenvolvimento da fixação biológica de nitrogênio na soja, a partir das pesquisas realizadas desde as décadas entre 1930 e 1960, e a seleção de estirpes-elite que posteriormente passaram a integrar inoculantes comerciais utilizados na cultura.
“Com a expansão da soja para o Cerrado, pesquisadores brasileiros também adaptaram e aprimoraram microrganismos para as novas condições de solo e clima, demonstrando a importância da pesquisa e da inovação para ampliar o uso de soluções biológicas na agricultura”, avalia Mariangela.
Outros culturas de alta demanda nutricional – como milho, trigo, arroz, cana-de-açúcar e pastagens – passaram a empregar com mais intensidade os bioinsumos como alternativa para reduzir custos, aumentar a eficiência de uso de nutrientes, e melhorar a eficiência produtiva. No caso da soja, o uso de bactérias capazes de realizar a Fixação Biológica do Nitrogênio dispensa totalmente o uso de fertilizantes nitrogenados químicos. Cerca 85% da área de soja no Brasil adota a tecnologia a cada safra.
40 milhões de doses anuais e mais produtividade
A pesquisadora explica que, mesmo em áreas onde as bactérias já estão presentes naturalmente no solo, recomendamos a aplicação anual dos inoculantes, já que este bioinsumo pode gerar ganhos médios de produtividade da ordem de 8% e 16% na soja.
“Essa substituição gerou uma economia aproximada de U$ 28 bilhões ao Brasil, na última safra. Em termos ambientais, foi evitada a emissão de cerca de 280 milhões de toneladas de CO2 equivalente— o que equivale a retirar das ruas 60 milhões de carros de passeio de circulação por um ano”, calcula Mariangela.

O uso de inoculantes para gramíneas já ultrapassa 40 milhões de doses comercializadas anualmente. Embora não substituam totalmente os fertilizantes nitrogenados no milho, podem aumentar a eficiência do aproveitamento dos nutrientes e, em determinadas condições, permitem reduzir em até 25% a adubação nitrogenada de cobertura.
