Bioeconomia
Fiocruz e CBA articulam aliança para usar biodiversidade amazônica em fármacos de alto valor
Aliança entre Fiocruz e CBA quer transformar a biodiversidade amazônica em medicamentos e bioinsumos
Foto: Divulgação/CBA
O ecossistema de inovação da Região Norte ganha um reforço de peso na articulação entre ciência, tecnologia e negócios de impacto. Em visita ao Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), em Manaus, no dia 31 de julho, o presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Mario Moreira, deu início à construção de uma agenda estratégica de cooperação focada no desenvolvimento de soluções para a saúde pública a partir da biodiversidade amazônica.
A aproximação marca uma nova etapa institucional: em 2026, a Fiocruz passou a integrar o Conselho de Administração do CBA. Sob a liderança local do Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia), a entidade nacional busca convergência entre sua expertise em pesquisa, regulação e produção farmacêutica e a infraestrutura tecnológica do CBA, que é vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e gerido pela Fundação Universitas de Estudos Amazônicos (FUEA).
Durante a programação, a comitiva nacional percorreu os Núcleos de Produtos Naturais, Tecnologia Vegetal e Bioinsumos, a Central Analítica, a planta-piloto industrial e o Espaço CBA de Inovação — ambiente que abriga startups do programa CBA Open. A avaliação conjunta identificou forte complementaridade no desenvolvimento de fitomedicamentos, matérias-primas farmacêuticas e bioinsumos voltados ao Sistema Único de Saúde (SUS).


Foto: Robervaldo Rocha/CBA
Integração da cadeia produtiva e transição tecnológica
A cooperação prevê o engajamento de unidades de ponta da Fundação, como o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) e a Rede Fitos. Para o diretor de Bionegócios do CBA, Carlos Henrique Carvalho, o alinhamento acelera a chegada das pesquisas ao mercado. “A aproximação com a Fiocruz amplia as possibilidades de desenvolvermos, de forma colaborativa, produtos e soluções para a saúde, fortalecendo cadeias produtivas estratégicas da bioeconomia e criando oportunidades para que a inovação gerada na Amazônia alcance a população brasileira”, apontou.
Na avaliação do presidente da Fiocruz, Mario Moreira, a complementaridade das operações vai estruturar novos projetos industriais. “Há muitas sinergias não apenas com a Fiocruz Amazônia, mas com todo o nosso sistema de pesquisa, ensino e, sobretudo, produção. Daqui vai emergir uma colaboração profícua”, afirmou o executivo.
Como encaminhamentos imediatos, foram pactuadas missões técnicas de equipes do CBA às plantas da Fiocruz no Rio de Janeiro e a elaboração de um mapeamento conjunto de competências. A meta é consolidar um fluxo contínuo de projetos que elevem a maturidade tecnológica de insumos regionais, transformando o conhecimento tradicional e científico em ativos econômicos sustentáveis de alto valor agregado para a bioeconomia do país.
