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Região Sul absorve 15,7% do volume de bicicletas do Polo Industrial de Manaus

Levantamento da Abraciclo aponta a região como segundo principal destino, sustentando a demanda apesar dos severos impactos ambientais

Foto: Divulgação/Abraciclo

A distribuição da produção de bicicletas do Polo Industrial de Manaus (PIM) tem revelado um dado curioso para a logística nacional. A região Sul consolidou-se como o segundo principal destino dos produtos, recebendo 15,7% das 37.413 unidades fabricadas em julho e mantendo a posição no acumulado de janeiro a julho, com 15,0% do total, segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).

A posição do Sul no ranking chama a atenção devido as extremas adversidades sob as quais essas entregas estão sendo realizadas. A região vem enfrentando episódios severos de tempestades, enchentes e deslizamentos de terra que interditaram rodovias e comprometeram eixos viários estratégicos de escoamento.

Mesmo com parte da infraestrutura de transporte e comércio afetada por eventos climáticos críticos, o consumo do mercado sulista tem mantido um ritmo constante e resiliente.

A manutenção desse fluxo de distribuição exige um esforço duplo das 4 fabricantes de bicicletas instaladas no Polo de Manaus. Na ponta inicial, o setor industrial monitora de perto a estiagem dos rios da Amazônia para garantir o envio das cargas. Na ponta final, no Sul, as transportadoras precisam remapear rotas terrestres para desviar de trechos bloqueados por quedas de barreiras ou alagamentos.

Para o diretor executivo da Abraciclo, Sergio Oliveira, a constância do volume destinado à região reforça a importância que o modal de transporte tem no deslocamento diário, acessível e econômico diante do cenário de reconstrução.

“Mesmo diante de episódios climáticos extremos, que podem impactar seu consumo, a demanda se mantém nesta região, refletindo sua importância como meio de transporte no dia a dia de uma boa parcela da população, como importante opção de transporte acessível, econômica e eficiente para os deslocamentos urbanos”, explica o diretor.

Embora a resiliência do Sul seja o grande destaque logístico, o mapa de distribuição do PIM manteve uma estrutura sólida e equilibrada na divisão entre os estados.

A liderança absoluta permanece com a região Sudeste, que recebeu 20.170 unidades, 53,9% do total em julho e no acumulado do ano ficou com 56,1%. O Nordeste ocupa a terceira colocação do ranking nacional, recebendo 14,8% das remessas no mês e 11,8% no ano. O Centro-Oeste ficou em quarto lugar (11,1% em julho e 10,3% no acumulado), enquanto o abastecimento interno da própria região Norte absorveu 4,5% dos lotes mensais e 6,8% no total do ano.

Apesar de sediar o polo produtivo nacional de bicicletas, a Região Norte ocupou a última posição em ambos os rankings. Isso ocorre porque a baixa demanda local torna inviável para os fabricantes enviarem um volume maior de unidades, já que o risco de encalhe geraria prejuízos.

“Embora a região Norte concentre a produção de bicicletas, ela possui um mercado consumidor proporcionalmente menor do que outras regiões do Brasil, o que faz com que uma parcela significativa da produção seja destinada a outros mercados”, disse o diretor Sergio Oliveira.