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Sebrae e UFG criam protocolo de IA para conectar pequenos negócios ao comércio digital

Ferramenta viabiliza a inclusão de pequenos negócios em marketplaces com cadastro de produtos feito diretamente pelo WhatsApp

Foto: Divulgação/Sebrae

Para garantir que pequenos negócios acompanhem as transformações tecnológicas do consumo, o Sebrae e o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA/UFG) desenvolveram o Brazilian Commerce Protocol (BCP). A iniciativa cria uma infraestrutura nacional, aberta e neutra para organizar informações de empresas e produtos, permitindo que micro e pequenos empreendedores integrem a nova geração do comércio digital impulsionada por agentes de IA.

A tecnologia elimina barreiras técnicas na criação de catálogos digitais. Na prática, os empreendedores poderão cadastrar e atualizar seus portfólios conversando com assistentes virtuais em aplicativos de mensagens comuns, como WhatsApp e Telegram. A partir de fotos e respostas simples, a inteligência artificial estrutura os dados e disponibiliza os produtos em diversos canais digitais e marketplaces automaticamente.

O analista de Acesso a Mercados do Sebrae Nacional, William Almeida, destaca que a solução democratiza o acesso ao mercado. “A iniciativa também diminui barreiras tecnológicas para os empreendedores, que não precisarão dominar soluções complexas para tornar seus negócios visíveis em ambientes digitais impulsionados por IA”, explica. Para as grandes plataformas, o protocolo reduz custos de integração e estimula novos modelos comerciais.

Interoperabilidade global e testes no mercado

Desenvolvido no âmbito do ecossistema AI Brasil, o protocolo nasceu compatível com o Universal Commerce Protocol (UCP), padrão global anunciado por gigantes como Google e Shopify. Segundo Anderson Soares, fundador do CEIA/UFG e vice-presidente do AI Brasil, o BCP garante alinhamento às exigências internacionais, adaptado às especificidades do mercado brasileiro.

“O protocolo brasileiro garante interoperabilidade global, mas incorpora as adaptações necessárias à realidade do país e às necessidades dos pequenos negócios, assegurando que o Brasil não apenas acompanhe esse movimento, mas participe dele com uma solução própria, aberta e neutra’, afirma Soares.

A versão preliminar do BCP foi apresentada no Fórum E-commerce Brasil 2026, em São Paulo. A previsão é que a infraestrutura entre em operação até o final do ano por meio de projetos-piloto focados no setor de vestuário e no comércio informal realizado em canais de mensagem.