MENU
Buscar

Maior feira de eletrodomésticos da América Latina abre novas frentes para o Polo de Manaus

Balanço da Eletrolar reforça avanço de tecnologia embarcada e inclui lançamentos de empresas do Polo Industrial

A maior feira de eletrodomésticos da América Latina mostrou que o setor está cada vez menos restrito aos produtos tradicionais. A 19ª edição da Eletrolar Show All Connected, realizada em São Paulo, ampliou o espaço para inteligência artificial, automação residencial, mobilidade elétrica e outras tecnologias embarcadas, em um movimento que abre novas possibilidades para a indústria instalada no Polo Industrial de Manaus (PIM).

Voltado ao mercado entre empresas, o chamado B2B (do inglês business-to-business), o evento reuniu mais de mil expositores, 5 mil marcas nacionais e internacionais e movimentou cerca de R$ 2 bilhões em negócios, segundo estimativas iniciais da organização.

Com a participação de dezenas de empresas do Polo Industrial de Manaus, a feira teve lançamentos de produtos fabricados em Manaus, prospecções conduzidas pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e a confirmação de uma nova operação industrial no Amazonas.

WhatsApp Image 2026 07 28 at 11.28.37 1

Foto: Eletrolar

A área de exposição chegou a 100 mil metros quadrados no Distrito Anhembi. Para o Polo de Manaus, o balanço indica que a próxima fase dos eletrodomésticos e bens duráveis deve passar cada vez mais por conectividade, sistemas integrados e inteligência artificial.

Em sua quarta participação consecutiva, a Suframa informou ter realizado 120 prospecções de negócios durante os quatro dias de feira, tanto no estande da autarquia quanto em visitas estratégicas feitas pela comitiva. Entre os contatos considerados promissores estão empresas como a Joog Brasil, do setor de duas rodas, e a Masterdrive, de periféricos de informática.

A comitiva contou com integrantes da Coordenação de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais (Cogin/Suframa) e com a presença do superintendente Leopoldo Montenegro. Para ele, os setores de eletroeletrônicos, bens de informática e duas rodas, já consolidados no parque industrial amazonense, ganharam reforço durante a feira.

Montenegro também apontou os bens de informática e as tecnologias de inteligência artificial embarcadas em eletrodomésticos como uma nova oportunidade para a Zona Franca de Manaus.

“Os bens de informática são um subsetor promissor para a ZFM, principalmente por conta da Lei de Informática. Aqui estamos vendo as novidades desses produtos que já estão avançando de forma rápida, estimo que esses produtos vão passar a serem enquadrados como bens de informática, porque possuem essa tecnologia embutida”, afirma.

Segundo o superintendente, esse enquadramento pode ampliar investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação na região. “A partir do momento que eles passem a ser enquadrados assim, terão por obrigação o investimento anual de 25% do faturamento em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, sendo vantagem para esses negócios desenvolverem isso ocorrer na nossa região”, diz.

O presidente-executivo da Eletros, Jorge Nascimento, também tratou a tecnologia embarcada como vetor de transformação para a indústria eletroeletrônica. Durante a feira, ele ministrou a palestra “Transformação Digital e Competitividade na Indústria Eletroeletrônica”.

“Ainda não é uma linha de produtos mais popularizada, ou seja, existem mais tem um valor mais elevado. Mas estimo que, em até cinco anos, esse cenário deve mudar”, comentou.

Lançamentos do Polo de Manaus

Na esteira de eletrodomésticos com tecnologia embarcada, o Grupo MK, responsável pelas marcas Aiwa e Mondial, apresentou a nova linha de ar-condicionado Aiwa High Inverter, com dez modelos produzidos em Manaus.

Produzidos em Manaus, os novos condicionadores de ar trarão tecnologias como sensor de temperatura via controle remoto, ajuste da temperatura conforme localização do usuário, conectividade Wi-Fi que se integra a assistentes de IA, além do o uso do gás ecológico R-32, entre outras funções.

“Manaus é o segundo polo de ar-condicionado do mundo, só perde para a China. Desde o ano passado, fizemos um investimento de um prédio de 24 mil metros quadrados para expandir a nossa capacidade produtiva de ar-condicionado”, conta o diretor industrial, Pedro Orlando Pinheiro.

Durante a feira, o grupo lançou 103 novos produtos e estima ampliar a produção geral em 20% até o final do ano. A nova aposta é a linha de áudio, com modelos que chegarão às lojas em agosto. A Mondial ficará com os produtos de entrada, enquanto a Aiwa concentrará a linha premium.

“Estamos intensificando a linha premium da Aiwa neste segundo semestre, o interesse por produtos de áudio é crescente”, conta o diretor industrial.  A marca apresentou ainda a televisão do tipo Smart TV autônoma portátil de 24 polegadas, que tem como diferencial o funcionamento sem estar ligada na tomada. “Pode funcionar até três horas sem estar ligada na energia elétrica”, explica.

Segundo o diretor industrial, a Mondial é a única marca do PIM que participou de todas as edições da Eletrolar Show. Neste ano, o Grupo MK ocupou um estande de 1.000 metros quadrados e registrou aumento de 30% na visitação em relação ao ano passado.

Colli confirma fábrica em Manaus

WhatsApp Image 2026 07 28 at 11.28.36 2

Foto: Eletrolar

A feira confirmou um novo investimento industrial para o Amazonas. Com previsão de início das operações em até um ano, a confirmação da Colli Bikes foi feita com exclusividade à Revista PIM Amazônia.

Segundo o presidente da marca, Eder Colli, a nova unidade será uma expansão da operação de Sarandi, no Paraná. “Atualmente somos a maior fábrica da América Latina de bikes. Em 2024, a Colli produziu 700 mil unidades de bikes, um recorde”, afirma.

A fábrica de Manaus será uma expansão da sede, que funciona em Sarandi, no Paraná. “Iniciaremos com a produção de bicicletas elétricas, as autopropelidas; depois, em uma segunda etapa, a ideia é produzir bicicletas convencionais. Também temos a proposta de, futuramente, a produção de uma linha de produtos fitness, mas são etapas a serem desenvolvidas a longo prazo”, contou.

A estimativa inicial é produzir entre 300 e 400 bicicletas elétricas por dia. A primeira fase deve empregar 150 pessoas de forma direta e ocupar um galpão de 8 mil metros quadrados. Segundo o executivo, o processo de instalação já foi iniciado em Manaus, com previsão de operação entre seis meses e um ano.

 

Por Lídia Ferreira