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Sobretaxa dos EUA acende alerta na ZFM e Fieam cobra defesa da indústria nacional

Mesmo sob pressão de sobretaxa dos EUA, a ZFM registra alta de 9,2% nas importações de insumos e prevê manutenção da produção

Foto: Divulgação/GRM

A decisão dos Estados Unidos (EUA) de impor uma sobretaxa de 12,5% aos produtos brasileiros, elevando a tarifação sobre parte das exportações do país a 37,5%, acendeu o sinal de alerta no setor produtivo do Amazonas. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, advertiu que a barreira comercial, embora focada na balança nacional, tem potencial para afetar o ecossistema da Zona Franca de Manaus (ZFM).

“Mesmo que o impacto direto seja limitado, qualquer retração do mercado brasileiro tende a repercutir no Amazonas, pois a força da ZFM depende do consumo interno e da estabilidade das cadeias produtivas. Por isso, o desempenho do PIM deve ser visto como questão estratégica nacional, e não apenas regional”, declarou o presidente da Fieam, Antonio Silva.

A medida americana, que está em vigor desde a última sexta-feira (24), toma como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e enquadrou o Brasil em uma lista de 54 países sob a justificativa de fiscalização inadequada sobre bens ligados ao trabalho forçado. A Fieam aponta a contradição do relatório dos EUA, que ignora avanços do país na área e a própria “Lista Suja” do trabalho escravo.

“Trata-se de um enquadramento amplo, pouco atento às realidades nacionais e preocupante pelo precedente que estabelece. O relatório se contradiz ao reconhecer acordos brasileiros contra o trabalho escravo e a Lista Suja, ao mesmo tempo em que afirma que o país carece de mecanismos para barrar esses bens”, argumenta.

Diante da pressão externa, Silva defende que o Brasil posicione de forma firme a importância estratégica da Amazônia produtiva.

Resiliência e 130 mil empregos no PIM

Apesar do cenário internacional adverso, os números operacionais do Polo Industrial de Manaus indicam consistência. Entre janeiro e maio de 2026, o PIM alcançou faturamento acumulado de R$ 99,64 bilhões.

“O modelo sustenta produção, empregos, arrecadação e desenvolvimento regional. No cenário de pressão externa e disputas comerciais crescentes, o Brasil precisa defender com firmeza sua indústria, seus mecanismos de controle e a importância nacional da Amazônia produtiva”, afirma Antonio Silva.

O segmento de Duas Rodas, por exemplo, liderou os resultados do período com 20,7% de participação, seguido por Bens de Informática (20,6%), Eletroeletrônicos (16,2%), Químicos (11%), Termoplásticos (10,4%), Metalúrgicos (8,7%) e Mecânicos (6,4%).

A confiança das empresas no modelo ZFM também é refletida nas importações de componentes, que somaram US$ 1,4 bilhão em maio – alta de 9,2% em relação a abril.