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El Niño “muito forte” ameaça logística do PIM, navegação e comunidades na Amazônia Legal

Com 100% de probabilidade de atuar até 2027, o El Niño trará seca severa, temperaturas recordes e risco de isolamento para comunidades e para o Polo Industrial de Manaus.

Seca de 2023 no Amazonas - Foto: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

O avanço do fenômeno El Niño, classificado como “muito forte”, ameaça travar a navegação hidroviária, afetar a logística de insumos do Polo Industrial de Manaus (PIM) e isolar comunidades ribeirinhas na Amazônia Legal. A avaliação se deve ao novo boletim divulgado pelo Inmet nesta segunda-feira (3), que prevê um atraso severo na estação chuvosa, temperaturas recordes e a vazante acentuada dos rios ao longo de todo o segundo semestre de 2026.

O documento nº 2 do Painel El Niño 2026-2027, produzido por uma força-tarefa composta por órgãos federais, incluindo o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), aponta 100% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo até pelo menos o primeiro trimestre de 2027. Os modelos climatológicos mostram que o aquecimento das águas da superfície do Oceano Pacífico Equatorial deve ultrapassar a marca crítica de 2°C acima da média.

Para os estados que compõem a Amazônia Legal, esse padrão atmosférico acende o sinal vermelho: haverá drástica redução na disponibilidade hídrica, ressecamento acelerado da cobertura vegetal e um aumento expressivo no risco de incêndios florestais de grandes proporções.

Logística, Polo Industrial e abastecimento sob pressão

A retração no volume acumulado de chuvas deve comprometer diretamente a resposta hidrológica das principais sub-bacias hidrográficas da região. Com a vazante acelerada e a ausência de perspectiva de reposição hídrica no curto prazo, a calha de rios cruciais para a navegação comercial pode atingir cotas de emergência antes do período habitualmente esperado.

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Foto: Divulgação/Secom

Essa limitação de calado afeta de forma imediata o escoamento de insumos e matérias-primas destinados às fábricas do PIM, além de dificultar o envio de produtos acabados para o restante do país. A navegação de cabotagem e os comboios de balsas devem ter suas capacidades de carga reduzidas para evitar encalhes, elevando os custos do frete e aumentando os prazos operacionais. Adicionalmente, o isolamento de municípios do interior acende o alerta para o risco de desabastecimento de itens de primeira necessidade, como alimentos, medicamentos e combustíveis para a geração de energia elétrica em sistemas isolados.

Contraste climático no cenário nacional

O boletim do Painel El Niño também desenha o panorama de impactos nas demais regiões do Brasil. Enquanto a Amazônia Legal e o Nordeste vivenciam a perspectiva de seca severa e prolongada, o Sul do país deve concentrar o excesso de precipitação. A previsão para os estados sulistas indica tempestades frequentes, cheias de rios e elevado risco de deslizamentos de terra, agravados pelo solo já saturado por chuvas anteriores.

No Centro-Oeste e no Sudeste, o fenômeno se manifestará principalmente por meio de ondas de calor intenso e irregularidade na distribuição das chuvas de início de safra, gerando incertezas quanto ao calendário do agronegócio nacional e aumentando a demanda por consumo de energia elétrica.

A ação de monitoramento contínuo é coordenada conjuntamente pelo Inmet, Inpe, Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Cemaden, Serviço Geológico do Brasil (SGB), Defesa Civil Nacional (Sedec) e Censipam. As autoridades federais recomendam que os governos estaduais e municipais da região Norte acelerem a implementação de planos de contingência, visando garantir a segurança alimentar, a manutenção dos serviços de saúde e a mitigação dos impactos econômicos no setor produtivo regional.