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Endividamento e inadimplência das famílias brasileiras estabilizam em junho

Na contramão do cenário nacional, Porto Velho registrou redução de 1,5 ponto percentual no endividamento, aponta Fecomércio de Rondônia 

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O endividamento das famílias brasileiras atingiu 81,6% e a inadimplência ficou em 29,9% em junho, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Os números são estáveis em relação a maio, mas superam com folga os patamares de junho de 2025, quando endividamento e inadimplência eram de 78,4% e 29,5%, respectivamente.

Apesar do avanço anual, a interrupção da trajetória de alta observada nos últimos meses foi recebida com alívio. “A estabilização da inadimplência e a melhora dos prazos de pagamento em junho dão um respiro ao consumidor. É essencial que a continuação dos efeitos do Desenrola caminhe lado a lado com a redução progressiva da taxa Selic pelo Copom”, afirmou José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac.

Enquanto o indicador nacional ficou estável, Porto Velho registrou queda no endividamento. De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Rondônia (Fecomércio/RO), responsável pela aplicação da pesquisa na capital, o percentual de famílias endividadas recuou de 86,9% em maio para 85,6% em junho – uma redução de 1,5 ponto percentual.

Na comparação com junho do ano passado, a queda é mais modesta: -0,59% em relação aos 86,1% registrados em 2025. O recuo, contudo, não tira Porto Velho de uma posição preocupante. O endividamento local segue 4,9 pontos percentuais acima da média nacional. Além disso, 36,4% das famílias possuem contas em atraso e 13,1% declararam não ter condições de quitá-las.

Para Raniery Araujo Coelho, presidente da Fecomércio/RO, a retração do endividamento na capital rondoniense tem raiz no comportamento cauteloso dos consumidores:

“A queda do endividamento das famílias em Porto Velho deriva do comportamento de maior precaução das pessoas diante do cenário de incerteza na economia e a sensação de que a inflação continua alta, somado às incertezas do mercado internacional, com a guerra influindo sobre o preço dos combustíveis. Até mesmo as comemorações, que não deixaram de ser feitas no mês, resultaram em compras de itens de menor valor.”

Cenário Nacional: Melhora Discreta na Composição das Dívidas

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) também trouxe dados qualitativos animadores sobre o perfil do endividamento no país. O grupo de famílias que se considera “pouco endividado” cresceu de 33,3% para 34,2% entre maio e junho. Já a parcela dos que se classificam como “muito endividados” teve leve alta, de 17% para 17,2%-movimento pequeno, mas que exige atenção.  A fatia de consumidores que declarou não ter condições de pagar suas dívidas caiu de 12,3% para 12,2% no mesmo período. Ainda que a melhora seja tímida, ela rompe com a sequência de deterioração dos meses anteriores.

O humor do comércio pode melhorar nos próximos meses, na avaliação de Raniery Coêlho. Dois fatores despontam como possíveis catalisadores: a geração de empregos e a entrada de capitais estrangeiros, que tende a pressionar o dólar para baixo. “Como o consumo tem aumentado levemente, os empresários do comércio estão um pouco mais otimistas”, concluiu o presidente da Fecomércio/RO.

A inflação, porém, segue como o principal freio ao otimismo. Enquanto os preços não cederem de forma consistente, a recuperação do poder de compra- e, por extensão, a saúde financeira das famílias -continuará dependendo mais do controle individual de gastos do que de ventos macroeconômicos favoráveis.