Indústria
Mulheres já respondem por 33% das compras de motos no país
Avanço da participação feminina acompanha aumento no número de habilitadas e reforça a demanda por modelos de baixa cilindrada
O crescimento da participação feminina tem mudado o perfil do mercado brasileiro de motocicletas. O presidente da Abraciclo, Marcos Bento, apontou o aumento do público feminino como um dos fatores que contribuem para a expansão das motos de baixa cilindrada.
Segundo ele, o segmento também é impulsionado pela mobilidade urbana, pelo custo-benefício e pela expansão dos serviços de entrega.
Os números mostram que essa mudança ocorre tanto nas vendas quanto nas habilitações. Atualmente, as mulheres respondem por 33% das compras de motocicletas no país. Ao mesmo tempo, o número de brasileiras habilitadas para conduzir motos segue em crescimento.

Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), informados pela Abraciclo, mostram que o número de mulheres habilitadas na categoria A passou de 6,46 milhões, em 2016, para 10,60 milhões, em 2025. O avanço indica maior presença feminina no universo das motocicletas, embora os homens ainda sejam maioria entre os condutores habilitados para esse tipo de veículo.

Dados de Mulheres com habilitação na categoria “A” | Fonte: IBGE/SENATRAN
A assistente administrativa Diná Lima faz parte desse movimento. Ela conta que decidiu comprar uma motocicleta principalmente pela praticidade na rotina.
“Utilizo pela mobilidade para o cumprimento das atividades de trabalho, pela praticidade e pela rapidez na locomoção durante o dia”, afirma.
Mais do que uma alternativa econômica, a motocicleta passou a representar ganho de tempo para muitas mulheres que precisam conciliar trabalho, estudos e outras atividades do dia a dia.
Diná afirma que a mudança foi percebida logo após a compra do veículo.
“Ganhei muito mais tempo e agora consigo administrar minha rotina com mais flexibilidade. Consigo realizar várias atividades em um único dia e fazer muito mais em menos tempo. Antes eu perdia bastante tempo utilizando o transporte coletivo.”

Diná Lima | Foto: Arquivo Pessoal
Ela também observa que a presença feminina sobre duas rodas se tornou mais comum nos últimos anos, embora muitas mulheres ainda enfrentem insegurança ao decidir pilotar.
“Hoje em dia é bem mais comum ver mulheres pilotando do que antigamente. Muitas não se interessavam ou até mesmo tinham medo de dirigir, e isso influenciava na decisão de comprar uma motocicleta. Comigo não foi diferente. Eu tinha bastante medo, e ainda tenho, mas decidi aprender e buscar uma forma de administrar meu tempo da melhor maneira possível.”
Presença feminina também avança na indústria
A mudança também aparece dentro das fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM). A presença feminina nas fabricantes do setor de duas rodas mais que dobrou na última década, refletindo o avanço da participação das mulheres na indústria.
Dados da Abraciclo mostram que o número de mulheres empregadas nas fabricantes do segmento instaladas no Polo Industrial passou de 1.511, em 2015, para 3.134, em 2024, crescimento de 107%. Atualmente, elas representam 17% da força de trabalho das empresas do setor.
O avanço feminino nas compras, nas habilitações e nas fábricas ajuda a explicar por que a indústria passou a observar esse público de forma mais direta. No mercado, o movimento reforça a demanda por motocicletas de entrada, usadas principalmente para deslocamento diário, trabalho, economia de tempo e mobilidade urbana.
