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Terminal de fertilizantes em Vila do Conde reforça logística do agronegócio no Norte

Estrutura prevista para o porto paraense deve ampliar a capacidade de movimentação de insumos agrícolas e fortalecer o papel do Arco Norte

Porto de Vila do Conde, no Pará | Foto: Divulgação

O avanço do projeto de arrendamento de uma área destinada à movimentação de fertilizantes no Porto de Vila do Conde, no Pará, reforça a importância da infraestrutura portuária para o agronegócio brasileiro e para o desenvolvimento regional da Amazônia Legal.

A área VDC04, localizada no Porto Organizado de Vila do Conde, em Barcarena, foi tema de audiência pública realizada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ). O espaço tem 39 mil m² e será destinado à movimentação e armazenagem de granéis sólidos minerais, principalmente fertilizantes. A previsão é de contrato de arrendamento por 25 anos.

Embora o processo esteja em fase de contribuições públicas, o projeto é considerado estratégico por estar situado em uma das principais portas de saída e entrada de cargas do Arco Norte, eixo logístico que conecta a produção agropecuária do Centro-Oeste e do Norte aos mercados nacional e internacional.

A estrutura pode contribuir para reduzir gargalos logísticos, ampliar a capacidade de recebimento de insumos agrícolas e dar mais competitividade ao setor produtivo. No caso dos fertilizantes, o tema é sensível para o Brasil, que importa cerca de 85% dos insumos utilizados no campo, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Essa dependência torna a logística um fator decisivo para o custo de produção. Fertilizantes representam um dos principais componentes da agricultura moderna, especialmente em culturas como soja, milho e cana-de-açúcar. Por isso, terminais especializados em armazenagem e movimentação desses produtos têm impacto direto sobre o planejamento de safras, a previsibilidade de abastecimento e a competitividade do agronegócio.

Na Região Norte, a movimentação de fertilizantes já tem mostrado relevância para cadeias produtivas. O PIM Amazônia noticiou que o Porto de Porto Velho movimentou 48 mil toneladas de fertilizantes destinadas a Rondônia e Mato Grosso, reforçando o papel dos portos amazônicos no suporte ao agronegócio regional.

Além disso, as hidrovias amazônicas seguem como peças fundamentais para o abastecimento, a integração regional e o escoamento da produção agrícola e mineral. Rios como Amazonas, Madeira, Solimões e Tapajós compõem corredores logísticos estratégicos para reduzir distâncias, custos e pressões sobre o transporte rodoviário.

No caso de Vila do Conde, a localização no Pará amplia a conexão entre infraestrutura portuária, produção agropecuária, indústria de insumos e comércio exterior. Para o desenvolvimento regional, o terminal pode gerar reflexos em empregos, serviços logísticos, arrecadação e atração de novos investimentos vinculados à cadeia do agronegócio.

A audiência pública recebeu manifestações de representantes do setor e seguirá aberta para contribuições até 3 de julho de 2026, conforme cronograma divulgado pela ANTAQ. Após essa etapa, as sugestões serão analisadas para eventual aperfeiçoamento dos documentos técnicos e jurídicos do processo.

Em um cenário de expansão da produção agrícola e necessidade de maior segurança no abastecimento de insumos, o terminal de fertilizantes em Vila do Conde ganha relevância não apenas como projeto portuário, mas como infraestrutura essencial para a competitividade do agronegócio e para a integração econômica da Região Norte.

Fonte: ANTAQ, Ministério da Agricultura e Pecuária e PIM Amazônia.