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Projeto vai restaurar 400 hectares de áreas degradadas na Amazônia Maranhense

niciativa beneficiará assentamentos rurais e quilombo com ações voltadas à recuperação do solo, geração de renda e preservação dos recursos naturais

Área de plantio de soja nos limites do assentamento Novo Oriente | Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN

O Projeto Restaura Maranhão pretende promover a restauração ecológica e produtiva de 400 hectares de áreas degradadas em 12 assentamentos de reforma agrária e uma comunidade quilombola localizados em diferentes regiões da Amazônia Maranhense.

A iniciativa integra a carteira de projetos de restauração ecológica em áreas prioritárias da Amazônia e conta com recursos do Fundo Amazônia. A implementação é conduzida pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN).

O objetivo visa na integração a recuperação ambiental ao fortalecimento das cadeias produtivas, por meio de ações de mobilização comunitária, capacitação técnica e implantação de sistemas produtivos agroflorestais.

Territórios

As ações serão desenvolvidas em três regiões da Amazônia Maranhense: Pindaré, Baixada Maranhense e Amazônia Sul. No Bloco Pindaré, o projeto atuará nos assentamentos Santa Lúcia, em Governador Newton Bello; Quadra São José, em Zé Doca; e nos assentamentos Quadra Boa Esperança e Quadra Betel, em Araguanã. Na Baixada Maranhense, serão beneficiados os assentamentos Codó de Padilha, Roque/Santa Teresa, em Pedro do Rosário; Vila Nova de Ana Dias e Maracaçumé/Ricoa, em Viana; além do Quilombo Capoeira.

Já na Amazônia Sul, as atividades serão nos assentamentos Francisco Romão e Novo Oriente, em Açailândia, e em Itaiguara e São Jorge, em Cidelândia.

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Foto: Cristiane Moraes/Acervo ISPN

A estratégia ambiental está estruturada em três etapas complementares. A primeira consiste na implantação de Unidades Demonstrativas (UDs), que funcionarão como áreas-modelo para experimentação e aprendizado. Em seguida, serão implantados Sistemas Agroflorestais (SAFs), promovendo a diversificação produtiva e a recuperação da fertilidade do solo.

A terceira etapa prevê ações de restauração colaborativa, combinando diferentes técnicas, como plantio total, adensamento e restauração natural assistida, visando a ampliação das ações de restauração e recuperação de áreas degradadas. Uma realidade em todos os territórios que serão assistidos pelo Projeto Restaura.

Ameaças

Os assentados da comunidade de Francisco Romão vivem as consequências da proximidade com as fazendas de plantio de soja que utilizam agrotóxico. Roças e mananciais de água estão expostos ao veneno. O assunto é pauta importante nas reuniões da Associação das Mulheres Sementes da Terra. As mulheres é que dão vida às lutas comunitárias pelo direito à saúde, à agroecologia e à preservação da natureza e do lugar.

“Viver e sentir a nossa terra e nossa vida serem destruídas é muito muito difícil. A gente vê todo dia nossa produção fugindo de nossos dedos, a terra sendo maltratada e engolida pela soja. Nossas plantas, nossos animais envenenados e muita doença que não tinha antes. A gente vê nossos vizinhos partirem,” diz dona Adriana.

Na comunidade Novo Oriente o desmatamento ameaça a produção de xaropes caseiros, principal fonte de renda de dona Maria Eunice Valadares. Ela sabe da importância do incentivo à agricultura familiar e a preservação das reservas nos territórios. Nos últimos anos, dona Maria Eunice, tem visto a matéria-prima de seus xaropes, a exemplo do jucá, desaparecer.

“Hoje a gente planta um pé de pimenta e os pássaros vem comer tudo. Os bichinhos não tem mais como se alimentar. O que era deles já desapareceu quase tudo,” relata.

Entre os parceiros estaduais estão a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Maranhão (FETAEMA), a Secretaria de Agricultura Familiar do Maranhão (SAF) e a Rede de Agroecologia do Maranhão (RAMA). Também participam os Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTRs) dos municípios envolvidos, associações comunitárias dos assentamentos e do Quilombo Capoeira, além do Instituto de Representação, Coordenação e Assessoria das Associações das Casas Familiares Rurais no Maranhão (IRCOA).

O projeto conta ainda com o apoio do Fundo Ecos, por meio da estratégia de Promoção de Paisagens Produtivas Ecossociais. O mecanismo possibilita o financiamento descentralizado de micro e pequenos projetos comunitários vinculados às ações de restauração ecológica e produtiva. Os microprojetos serão destinados a pessoas físicas, famílias e pequenos grupos locais, enquanto os pequenos projetos apoiarão organizações da sociedade civil formalmente constituídas.

Para participar das ações de campo, os agricultores deverão atender a critérios como possuir área disponível de pelo menos um hectare, demonstrar interesse em práticas agroflorestais e agroecológicas, ter envolvimento familiar nas atividades produtivas e disponibilidade para receber capacitações, visitas técnicas e intercâmbios. Também será necessário assumir o compromisso de cuidar e realizar o manejo das áreas implantadas, garantindo a continuidade e sustentabilidade dos resultados alcançados.

“O Restaura Maranhão é uma oportunidade de fortalecer o trabalho que muitas comunidades já realizam em seus territórios, gerando renda, fortalecendo o protagonismo comunitário e, ao mesmo tempo, restaurando áreas degradadas . Ao longo da implementação do projeto, queremos nos consolidar como uma referência em restauração de áreas degradadas na Amazônia Maranhense, contribuindo para a construção da cadeia produtiva da restauração, com paisagens mais preservadas e comunidades mais fortalecidas”, afirma a coordenadora do Projeto Restaura Maranhão, Ana Tereza Ferreira.