Meio Ambiente
Desmatamento cai na Amazônia, mas pressão segue desigual entre estados
MapBiomas aponta queda no bioma em 2025, enquanto Amazonas recua menos que a média e Apuí avança no sul do estado
O desmatamento caiu na Amazônia em 2025, mas a redução não foi uniforme entre os estados da região. O bioma perdeu 289,4 mil hectares de vegetação nativa no ano, queda de 23,5% em relação a 2024, segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, do MapBiomas Alerta.
O recuo confirma uma melhora no controle da perda de floresta, mas não elimina focos de pressão. No Amazonas, por exemplo, a queda foi de 14,6%, abaixo da média do bioma. Em Apuí, no sul do estado, o desmatamento avançou e manteve o município entre os principais pontos de alerta da Amazônia.
A leitura regional mostra que o desmatamento se reorganiza de forma desigual. Pará e Acre tiveram quedas mais fortes. Rondônia também recuou. Roraima ficou praticamente estável. O Amapá teve aumento proporcional, embora em patamar muito menor. Já Maranhão, Tocantins e Mato Grosso seguem no centro da pressão nacional, em grande parte associada à expansão agropecuária no Cerrado e em áreas de transição.

Brasil fica abaixo de 1 milhão de hectares
No país, a área desmatada ficou abaixo de 1 milhão de hectares pela primeira vez desde o início da série do MapBiomas Alerta. Foram 984,7 mil hectares de vegetação nativa perdidos em 2025, redução de 20,6% ante o ano anterior.
Todos os biomas tiveram queda. O Cerrado, porém, continuou como o mais pressionado, com 540,5 mil hectares desmatados, mais da metade do total nacional. A Amazônia apareceu em seguida, com 289,4 mil hectares.
A agropecuária segue como principal vetor da perda de vegetação nativa no país, associada a quase todos os alertas identificados pelo levantamento.
Amazônia reduz, mas não de forma homogênea

Amazônia | Foto: Divulgação
A queda de 23,5% na Amazônia reforça a tendência de recuo do desmatamento no bioma, mas os dados mostram diferenças importantes entre os estados.
O Pará continua sendo um caso central pela escala acumulada da devastação, mesmo com forte queda em 2025. O Amazonas reduziu menos que a média do bioma e manteve pressão concentrada no sul. Roraima praticamente não acompanhou o recuo regional. No Amapá, a área é pequena, mas houve alta proporcional.
A fotografia do ano mostra uma Amazônia em desaceleração do desmatamento, mas ainda com áreas críticas associadas a grilagem, pecuária, madeira, garimpo, abertura de ramais e indefinição fundiária.
Amazonas
O Amazonas reduziu a área desmatada de 79,5 mil hectares em 2024 para 67,9 mil hectares em 2025, queda de 14,6%. O número de alertas também caiu, de 5.235 para 3.667 registros.
Apesar do recuo, o desempenho ficou abaixo da média da Amazônia. A pressão continua concentrada no sul do estado, especialmente em Apuí e Lábrea, região associada à expansão agropecuária, abertura de áreas, pressão fundiária e avanço sobre florestas públicas.
Em Apuí, o desmatamento chegou a quase 15 mil hectares em 2025 e avançou em relação ao ano anterior. Lábrea teve queda, mas segue como um dos principais focos históricos de pressão no estado.
Pará
O Pará registrou uma das quedas mais relevantes da Amazônia em 2025. A área desmatada caiu cerca de 40%, para pouco mais de 93 mil hectares.
Mesmo assim, o estado ainda carrega o maior passivo recente do país. No acumulado de 2019 a 2025, o Pará perdeu mais de 2 milhões de hectares de vegetação nativa, segundo o MapBiomas.
O dado mostra que uma redução anual, mesmo expressiva, não apaga o peso estrutural do estado na fronteira do desmatamento amazônico.
Rondônia
Rondônia também reduziu o desmatamento em 2025. A área caiu de 20,6 mil hectares em 2024 para 15,4 mil hectares no ano passado.
O estado permanece relevante no debate por integrar a região de influência da BR-364, da BR-319 e do chamado arco de ocupação agropecuária no sudoeste da Amazônia. A queda indica melhora no ano, mas ocorre sobre uma base territorial já bastante transformada.
Acre
O Acre teve uma das reduções mais fortes entre os estados amazônicos. A área desmatada caiu de 37,7 mil hectares em 2024 para 21,2 mil hectares em 2025.
O recuo é relevante porque o estado vinha de forte pressão territorial, especialmente em áreas rurais, ramais e regiões ligadas à expansão agropecuária. A queda, porém, ainda precisa ser observada nos próximos anos para indicar se houve mudança estrutural ou apenas redução conjuntural.
Roraima
Roraima destoou da tendência regional. Enquanto a Amazônia caiu, o estado ficou praticamente estável, com leve alta na área desmatada.
O caso preocupa porque envolve um território marcado por pressão sobre terras públicas, garimpo, conflitos fundiários e áreas indígenas. Mesmo sem grande crescimento no ano, a falta de queda expressiva já diferencia Roraima do movimento observado em boa parte da Amazônia.
Amapá
O Amapá tem uma das menores áreas desmatadas da Amazônia Legal, mas registrou aumento em 2025. A área passou de pouco mais de 600 hectares para cerca de 800 hectares.
Em números absolutos, o volume é baixo quando comparado a Pará, Amazonas ou Mato Grosso. Ainda assim, a alta proporcional chama atenção justamente por ocorrer em um estado com grande cobertura florestal e baixa pressão relativa sobre o território.
Maranhão
O Maranhão aparece entre os estados com maior área desmatada do país em 2025, apesar de ter registrado redução expressiva em termos absolutos.
O estado integra a Amazônia Legal, mas boa parte da pressão atual ocorre em áreas de Cerrado e transição, especialmente no contexto do Matopiba. Por isso, o Maranhão ajuda a explicar uma mudança importante no mapa do desmatamento: a pressão nacional está cada vez mais concentrada no Cerrado, ainda que mantenha ligação direta com a dinâmica da Amazônia Legal.
Tocantins
O Tocantins também reduziu o desmatamento, mas segue entre os estados de maior peso no ranking nacional.
Assim como Maranhão, Piauí e Bahia, o Tocantins integra o Matopiba, região em que a expansão agropecuária tem forte relação com a conversão de vegetação nativa. O estado é exemplo de como a agenda ambiental da Amazônia Legal não se resume à floresta amazônica. Ela também passa pelo Cerrado e pelas áreas de transição.
Mato Grosso
Mato Grosso permaneceu entre os cinco estados que mais desmataram no país em 2025. O estado soma pressões distintas, com áreas no bioma Amazônia, no Cerrado e no Pantanal.
A presença de Mato Grosso no topo do ranking reforça o papel da agropecuária na dinâmica nacional do desmatamento. Mesmo com queda no país, o estado segue como um dos principais termômetros da conversão de vegetação nativa em áreas produtivas.
Queda não encerra o alerta
O resultado de 2025 mostra avanço no controle do desmatamento no país e na Amazônia, mas também revela que a redução não se distribui de forma igual.
Para a Amazônia, o dado mais importante talvez não seja apenas a queda no total desmatado. É a permanência de focos críticos em regiões estratégicas, como o sul do Amazonas, o Pará, Roraima e áreas de transição da Amazônia Legal no Cerrado.
A leitura regional deixa claro que o desafio mudou de escala. Menos do que apenas reduzir o número agregado, os estados terão de enfrentar a concentração territorial do desmatamento, onde a pressão continua associada a terra pública, grilagem, abertura de áreas, pecuária e baixa presença do Estado.
