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Liderança feminina é o destaque nas premiações do Mês da Indústria 2026
Solenidade promovido pela FIEAM nesta quarta-feira (27), homenageia as autoridades da Tutiplast, Panificação Requinte, GBR Componentes.
Sede da Fieam, em Manaus |
Quatro mulheres do setor produtivo serão destaques nas premiações do Mês da Indústria, tradicional evento pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), que acontece na noite desta quarta-feira (27), no SESI Clube do Trabalhador, no Aleixo. Elas receberão os prêmios de Industrial do Ano 2026, Microindustrial do Ano 2026, Ordem do Mérito Industrial Moyses Israel e Maior Exportadora de 2025.
A escolha das agraciadas passou por votação da entidade de forma a dar um maior significado, como uma aclamação pelos serviços dessas empreendedoras para o avanço do setor produtivo do Amazonas.
“Estamos prestando homenagem ao protagonismo feminino na indústria do Amazonas, como um verdadeiro mérito em que resultados são comprovados e devem ser reconhecidos pelo setor produtivo”, destaca o presidente da FIEAM, Antonio Silva.

A entidade elegeu como Industrial do Ano a CEO do Grupo Tutiplast Indústria e Comércio Ltda., Mariana Barrella, uma executiva que ajudou a transformar uma empresa do setor de componentes e uma das grandes fornecedoras para as corporações de porte mundial instaladas no Polo Industrial de Manaus, com 1.500 empregados e faturamento anual de R$ 500 milhões.
Mariana tem trajetória baseada em uma formação abrangente na gestão, a começar pela graduação em Administração de Hotéis na renomada Les Roches, em Crans-Montana, na Suíça, além de Especialista em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios pela Fundação Dom Cabral e MBA pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

CEO do Grupo Tutiplast, Mariana Barrella | Foto: FIEAM
A empresária, que já desenvolvia uma carreira profissional fora de Manaus, começou na Tutiplast, empresa da família, aos 29 anos, quando o negócio estava em expansão. Como toda organização familiar, enfrentou vários desafios na área de governança e a necessidade de melhoria de processos na produção, explica Mariana.
O convite veio do pai, Claudio Barrella, que fundou a empresa em 1993 e precisava de um gestor para tocar o negócio familiar.
“Quando cheguei fui trabalhar na produção e ele ficava com a parte comercial e de compras. Fui me aprimorando, entendendo mais o negócio injeção plástica, estudando, fazendo pós e especialização, assumindo outras atividades”, recorda.
Uma das metas traçadas logo ao assumir foi a expansão dos negócios, o que se concretizou com a abertura de mais uma planta em Manaus, uma em João Pessoa (PB), e outra em Itupeva (SP). Em Manaus, a indústria atende a Honda, LG, Climazon Industrial – Midea Carrier, Transire, Yamaha, Daikin, Whirlpool, Salcomp, Movement, entre outras.
A CEO também integra o conselho consultivo na gestão dos resultados das outras plantas, responsável pelo orçamento, indicadores e metas. “O resultado é corporativo e compartilhado”, explica.
Ao ter como maior insumo as resinas do petróleo, a executiva disse que a empresa inova ao tentar obter produtos com base na matéria-prima a biodiversidade da Amazônia para reduzir as emissões do produto de origem fóssil.
Para tanto, a empresa criou o Instituto Mawé (Centro de Inovação e Desenvolvimento da Amazônia), para realizar ensaios em laboratórios, unidade que já busca novos horizontes, iniciativa que deve caminhar independente da Tutiplast. Nesse sentido, já obteve aportes da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em três projetos.

Tutiplast | Foto: FIEAM
Mariana destaca a necessidade do aprimoramento tecnológico do Grupo Tutiplast como um diferencial para enfrentar a competitividade do mercado.
“Tem que pesquisar inovação em tecnologia, para que o mundo se adapte às mudanças que as novas gerações vão colocar”, diz ela, ao destacar o foco na administração com perfil profissional. “Eu entendo que se profissionalizar a gestão, a empresa vai continuar como muitas”, explica.
Zeina Russo, Microindustrial 2026
Proprietária da Panificação Requinte Pães & Tortas e presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Estado do Amazonas, Zeina Russo foi escolhida a Microindustrial do Ano pela sua trajetória empreendedora cheia de desafios superados.
Ela é a primeira mulher a dirigir o sindicato do tradicional segmento da atividade econômica do Estado. Natural do Careiro da Várzea, Zeina cresceu em uma fazenda, cercada por ensinamentos do pai, Domingos Mousse Estácio, descendente de italianos.

Proprietária, presidente e confeitaria, Zeina Russo | Foto: FIEAM
“Meu pai, Domingos Russo, foi minha maior referência. Aprendi com ele a trabalhar, ser organizada, honesta e nunca desistir”, revela a empresária que deixou o interior aos 13 anos, para transformar a panificação em um dos grandes propósitos de sua vida.
Aos 21 anos, iniciou a trajetória na panificação ao lado do então marido José Roberto Bezerra Moreira, revendendo pães em bairros da capital, numa época em que as padarias ainda eram escassas.
Com persistência, nasceu a primeira unidade da empresa, inicialmente chamada JR Pães & Tortas, posteriormente transformada em Requinte Pães & Tortas. O negócio cresceu, ganhou estrutura moderna e se tornou referência na capital amazonense.
Após o divórcio, aos 40 anos, Zeina precisou recomeçar e retornou aos estudos e se formou em Psicologia. “Eu precisava provar para mim mesma que era capaz. Queria estudar, crescer e continuar construindo minha história”, afirma.
Atualmente possui sete especializações, entre elas MBAs em Gestão Industrial e em Inovação, além de formações em Coaching e Gestão de Pessoas. Participou de programas internacionais, incluindo capacitações na Alemanha e nos Estados Unidos, pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL Amazonas).
Em 2023, Zeina entrou para a história como a primeira mulher a assumir a presidência do Sindicato, quando a entidade completava 66 anos de atividades. Atualmente, o sindicato reúne cerca de 168 associados e representa um setor que soma mais de 3,8 mil padarias no Amazonas, gerando milhares de empregos diretos e indiretos.
Entre as iniciativas desenvolvidas estão a Semana da Panificação, a Feira Internacional da Panificação (Fipa), capacitações técnicas, caravanas empresariais e projetos voltados ao fortalecimento do empreendedorismo feminino no setor.

Panificação Requinte Pães & Tortas | Foto: FIEAM
Para Zeina, a liderança feminina trouxe um olhar mais humanizado à entidade. “Precisávamos quebrar paradigmas. Mostrar que a mulher pode liderar, inovar e transformar. Hoje, vejo muitas mulheres empreendendo e assumindo espaços importantes”, afirma.
Rebecca Garcia, Ordem do Mérito Industrial Moyses Israel
O “Mérito Industrial Moyses Israel”, entregue pela FIEAM a personalidades que fazem a diferença na indústria amazonense, será outorgado este ano à economista, ex-deputada federal, ex-superintendente da Suframa e atual diretora de Planejamento Estratégico e presidente do Conselho ESG da GBR Componentes da Amazônia, Rebecca Garcia.
Formada em Economia pela Universidade de Boston (Estados Unidos), a empresária construiu experiência profissional ainda no período acadêmico, com passagens por uma corretora em Boston e por uma consultoria de comunicação financeira em Paris. Ao retornar ao Brasil, foi aprovada no processo seletivo do então Banco Pactual, hoje BTG Pactual, onde trabalhou entre 1995 e 2000, no Rio de Janeiro.

Diretora e presidente do Conselho ESG da GBR Componentes da Amazônia, Rebecca Garcia | FIEAM
A experiência no mercado financeiro a ajudou a moldar uma visão estratégica que hoje aplica ao setor industrial. “Foi um aprendizado importante para entender planejamento, risco e sustentabilidade financeira dos negócios”, resume.
Quando voltou a Manaus, Rebecca passou pelas empresas da família antes de ingressar na política. Antes da vida pública também se dedicou a ações sociais por meio da ONG Maria Bonita, da qual foi uma das fundadoras.
Eleita deputada federal, Rebecca também geriu secretarias de governo e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), para depois retornar à iniciativa privada em 2017.
O grupo empresarial familiar se expandiu para diferentes segmentos até chegar à indústria eletrônica. “O maior aprendizado da minha família foi empreender dentro de um risco calculado. Primeiro você se capitaliza, depois aposta em algo novo. Se der errado, você não está devendo a ninguém”, afirma.
Foi na GBR Componentes da Amazônia que encontrou um novo campo de atuação. Fundada em 4 de novembro de 2002, a empresa atua principalmente na fabricação de placas e componentes eletrônicos utilizados por fabricantes do Polo Industrial de Manaus (PIM).
Os componentes são empregados na montagem de produtos como televisores e smartphones, em parceria com marcas do setor, como Hikvision, Tellescom, Gertec, Jovi, EFL e Zyxel. Hoje, a GBR reúne mais de mil colaboradores e busca ampliar sua atuação em novas frentes industriais.
Rebecca divide a condução dos negócios com o irmão Francisco Garcia Filho, enquanto o pai, o empresário e ex-deputado federal Francisco Garcia participa das decisões estratégicas da companhia, um modelo que mistura tradição familiar e profissionalização. “O desafio de uma empresa familiar é justamente profissionalizar sem perder a agilidade e a proximidade humana”, explica.
Para a empresária, o principal obstáculo da transformação industrial não está na tecnologia. “A maior dificuldade não é implementar um processo novo. É convencer toda a cadeia de pessoas de que aquele é o melhor caminho”, afirma.
Nos últimos anos, a GBR passou a investir fortemente em um hub de inovação na sede da empresa, voltado à indústria 4.0, bioeconomia e inteligência artificial, com recursos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) da Lei de Informática de Inovação da Zona Franca de Manaus, no valor de R$ 3,04 milhões, por meio do Programa Prioritário de Fomento ao Empreendedorismo Inovador (PPEI).

Empresa ESG da GBR Componentes da Amazônia | Foto: FIEAM
Entre os projetos que mais mobilizam Rebecca está a bioeconomia, tema que ela vê como uma alternativa real de desenvolvimento para a Amazônia, embora ainda distante de atingir escala.
Para ela, desenvolvimento e floresta preservada não precisam caminhar em direções opostas. “O interior do Amazonas tem um caminho viável sem destruir a floresta: a bioeconomia. Mas isso precisa ser construído de forma séria, gradual e sustentável.”
Empresa Exportadora do Ano 2025
A Recofarma Indústria do Amazonas vai receber o título de Exportadora do Ano 2025. O melhor desempenho em vendas para o exterior foi confirmado pelo Centro Internacional de Negócios (CIN/FIEAM), via Sistema COD Brasil da Confederação Nacional da Indústria, ao apontar o desempenho da fabricante da Coca-Cola do Brasil no valor R$ 211.395.459,95, melhor resultado entre as exportadoras do Polo Industrial de Manaus (PIM).
O certificado de maior Exportadora 2025 para a Recofarma será recebido pela executiva Milena Perez. Ela possui sólida atuação em operações industriais, cadeia de suprimentos e gestão estratégica na indústria de bens de consumo. Na The Coca-Cola Company, é Diretora Sênior de Operações Técnicas e Cadeia de Suprimentos, com foco na liderança de operações, modernização industrial e eficiência do negócio, incluindo iniciativas de eficiência energética e logística reversa.
Ao longo de sua trajetória, ocupou posições de liderança na companhia, incluindo CPS Manaus Plant Manager na Recofarma, subsidiária da Coca-Cola, onde esteve à frente da operação industrial com foco em performance, otimização de processos e desenvolvimento de pessoas. Também acumulou experiência em planejamento, logística e supply chain, com atuação regional na América Latina.
Milena também atua em temas relacionados ao desenvolvimento de lideranças, com ênfase na promoção da presença feminina em áreas técnicas e industriais. É membro do conselho do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), contribuindo para o fortalecimento do Polo Industrial de Manaus. Possui MBA em Logística pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e possui certificação CPIM pela APICS.
