Economia
Emprego cresce, mas perde fôlego no Amazonas
Dados analisados pela Fecomércio-AM indicam desaceleração na geração de vagas formais no estado, apesar de saldo ainda positivo
O mercado de trabalho formal no Amazonas encerrou 2025 em patamar historicamente elevado, mas com sinais claros de desaceleração no curto prazo. Em dezembro, o estoque total de empregos formais atingiu 571,7 mil vínculos, resultado superior ao observado um ano antes, mas inferior ao pico registrado em novembro. A leitura correta dos dados exige separar o movimento conjuntural típico do fim de ano da tendência estrutural que ainda sustenta o emprego no Estado.
Do ponto de vista do nível de ocupação, o quadro segue positivo. Em relação a dezembro de 2024, o estoque total de empregos cresceu 3,8%, com expansão disseminada entre os principais setores. Comércio e Serviços, que concentram 68,5% dos vínculos formais, avançaram 3,3% no período. A Indústria apresentou crescimento ainda mais robusto, de 4,7%, enquanto a Construção registrou alta de 6,4%. A Agropecuária, embora represente apenas 0,9% do total, também mostrou leve avanço com 1,2%. Esses números confirmam que o mercado de trabalho amazonense segue maior do que no período pré-pandemia, refletindo um ciclo de recuperação e expansão iniciado em 2021.
A dinâmica de fluxos, contudo, explica o ajuste observado no último mês do ano. Em dezembro de 2025, o saldo líquido de empregos foi negativo em 6,7 mil postos, resultado de 17,5 mil admissões frente a 24,2 mil desligamentos. A reversão em relação a novembro, quando o saldo havia sido positivo em quase 3,9 mil vagas, decorre principalmente da queda acentuada nas contratações e do aumento das demissões, sobretudo no Comércio e Serviços. Trata-se de um comportamento sazonal recorrente, associado ao encerramento de contratos temporários e à reorganização das empresas após o período de maior consumo.
Ainda assim, a comparação interanual ajuda a relativizar a leitura pessimista de curto prazo. Em dezembro de 2024, o saldo também foi negativo, em magnitude semelhante, o que reforça a ideia de que o ajuste observado no fim de 2025 não caracteriza, por si só, uma reversão de tendência. O estoque total de empregos, apesar da queda mensal, permanece acima do registrado no mesmo período do ano anterior, evidenciando crescimento líquido ao longo do ano.
Uma análise mais fina surge quando se observa não apenas o crescimento, mas a velocidade desse crescimento. Os dados mostram que, embora o número de empregos continue aumentando em termos anuais, a taxa de expansão vem perdendo ritmo em 2025. Comércio e Serviços cresceram 3,2% em dezembro, abaixo das taxas observadas em anos anteriores. A Indústria e a Construção mantiveram crescimento mais elevado, próximo de 4,7%, mas também apresentaram desaceleração. Esse movimento sugere que o mercado de trabalho segue em expansão, porém com menor fôlego, refletindo um ambiente econômico mais cauteloso.
O olhar de longo prazo confirma a mudança estrutural do emprego no Amazonas. Considerando a base de 2020, o estoque de empregos em Comércio e Serviços encontra-se cerca de 36% acima do nível pré-pandemia, enquanto Indústria e Construção acumulam avanço semelhante. A Agropecuária, por outro lado, cresce de forma mais modesta, com expansão próxima de 8% no mesmo período. A taxa de crescimento anual composta reforça essa leitura: acima de 6% ao ano para os setores urbanos e pouco superior a 1,5% para a atividade agropecuária. O mercado de trabalho amazonense tornou-se ainda mais urbano, terciário e dependente do ciclo de consumo.
O nível de emprego permanece elevado e a tendência estrutural ainda é positiva, mas a perda de velocidade indica um ambiente menos favorável para expansões rápidas de quadro de pessoal. Setores mais ligados ao consumo tendem a sentir primeiro os efeitos de um crescimento econômico mais moderado, enquanto a Indústria segue desempenhando papel relevante como âncora de estabilidade do emprego formal. Em síntese, o emprego no Amazonas cresce, mas cresce mais devagar.
LEIA MAIS:
