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Produção industrial do Amazonas diminui, mas Fieam aponta cenário típico de fim de ano

Dados divulgados pelo IBGE mostram que Amazonas teve a segunda maior queda do país, em novembro

Foto: Divulgação

A produção industrial do Amazonas apresentou queda em novembro de 2025. Se comparado ao mês de outubro, houve uma queda de 2,8%, considerada a série com ajuste sazonal. Em relação a novembro de 2024, a queda foi ainda mais intensa: 3,7%, um indicativo de perda de ritmo no setor industrial amazonense tanto no curto quanto no médio prazo.

No acumulado de janeiro a novembro de 2025, o resultado permaneceu praticamente estável, com leve variação positiva de 0,7%. As informações constam na mais recente Pesquisa Industrial Mensal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada no último dia 14, e realizada em 15 estados do país. O indicador cobriu a produção de 73 itens no Amazonas (87% do total).

Produção industrial do Amazonas diminui, mas Fieam aponta cenário típico de fim de ano

Segundo informou a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), por meio de nota, a retração observada na indústria amazonense em novembro decorre de um movimento de ajuste de estoques e reprogramação de linhas de produção, típico do último trimestre, quando parte das indústrias antecipa volumes ao longo do segundo semestre e passa a calibrar a produção em função do comportamento do consumo, da logística e da demanda dos grandes centros consumidores.

“Segmentos mais sensíveis à renda e ao crédito, como eletroeletrônicos, bens duráveis e duas rodas, tendem a reagir de forma mais imediata às oscilações do mercado interno, o que influencia diretamente o indicador agregado do estado”, diz trecho da nota.

Produção industrial do Amazonas diminui, mas Fieam aponta cenário típico de fim de ano

Além disso, a Federação leva em consideração, para explicar a queda, o custo operacional elevado na região Norte, que inclui fretes mais longos, dependência do modal fluvial em períodos de transição climática e maior exposição a gargalos logísticos.

“Em novembro, parte das empresas também operou com paradas técnicas programadas, ajustes de manutenção e reorganização de turnos, o que reduziu temporariamente o volume produzido sem, necessariamente, indicar perda estrutural de competitividade”, informa a entidade.

IBGE aponta oscilações e ajustes

No levantamento, o IBGE informa que o comportamento da indústria no Amazonas reflete principalmente oscilações no Polo Industrial de Manaus (PIM), com produção fortemente concentrada nos segmentos de bens de consumo duráveis, eletroeletrônicos, duas rodas e bens intermediários.

Produção industrial do Amazonas diminui, mas Fieam aponta cenário típico de fim de ano

Uma das razões apontadas pelo próprio IBGE, na pesquisa, trata-se de ajustes de produção, variações na demanda e reorganizações de estoques típicas do último trimestre do ano, período marcado por maior volatilidade no ritmo fabril.

Apesar disso, o resultado acumulado em 12 meses, que ficou em 1,3% acima, demonstra certa resiliência da base industrial instalada no estado, sustentada pelo modelo da Zona Franca e pela diversificação gradual de linhas produtivas.

Comparação anual

Já em relação à comparação entre novembro de 2024 e novembro de 2025, a retração de 3,7%, de acordo com a nota, está associada a uma base de comparação mais elevada no ano anterior. Isso porque, de um período para o outro, o PIM apresentou desempenho mais forte em alguns segmentos, além de um ambiente macroeconômico ainda marcado por juros elevados, desaceleração do consumo e maior cautela do varejo na recomposição de estoques.

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Expectativa

A Fieam, contudo, ressalta que, apesar do recuo pontual, o acumulado do ano e o resultado dos últimos 12 meses permanecem positivos, indicando “resiliência da indústria local e manutenção da capacidade produtiva instalada”.

“A expectativa do setor é de retomada gradual do ritmo ao longo do próximo ciclo, especialmente com a normalização da demanda, avanços na agenda de infraestrutura logística, maior previsibilidade regulatória e estímulos à inovação, à bioeconomia e à diversificação industrial no âmbito da Zona Franca de Manaus”, consta.

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