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UEA completa 25 anos com contribuições à formação profissional no Amazonas

Instituição surgiu a partir da Universidade de Tecnologia da Amazônia, a Utam, para suprir carência de mão de obra qualificada no Distrito Industrial

A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) completou, nesta segunda-feira (12/1), 25 anos desde a sua criação. Criada oficialmente em 2001, por meio da Lei nº 2.637, a instituição representa um marco na história da educação superior no estado, ao levar ensino de qualidade à capital e aos 61 municípios do interior. Sua trajetória começa a ser construída décadas antes, com iniciativas pioneiras voltadas à formação técnica e tecnológica da população amazonense.

As origens da UEA remontam à criação da Universidade de Tecnologia da Amazônia (Utam), instituída em 1973 pelo Decreto Estadual nº 2.540, com base na Lei Estadual nº 1.060/1972. Mantida pela Fundação Educacional do Amazonas, a Utam surgiu com o objetivo de formar profissionais de nível superior em áreas tecnológicas estratégicas, como educação, saúde, administração, indústria, comércio e agricultura, atendendo às demandas crescentes do mercado de trabalho local.

UEA completa 25 anos com contribuições ao Amazonas

A criação da Utam esteve diretamente ligada à política educacional do então governador Coronel João Walter de Andrade, que identificou a carência de mão de obra qualificada para suprir o Distrito Industrial da Zona Franca de Manaus. À época, muitas indústrias eram obrigadas a importar profissionais de outras regiões do país, especialmente do Sul.

O primeiro vestibular da Utam ocorreu em março de 1974, com mais de mil candidatos disputando 200 vagas em cursos como Construção Civil, Eletrônica, Mecânica e Indústria da Madeira. Ao longo dos anos, a instituição ofertou cursos de Engenharias Operacionais, que foram extintos nacionalmente pelo Ministério da Educação em 1977. Em resposta, a Utam passou a oferecer cursos superiores de tecnologia e, a partir de 1986, cursos de Engenharia Plena, acompanhando as transformações do mercado e da modernidade.

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Em 1977, a Utam foi transformada em Instituto, mantendo a mesma sigla, adequando-se à legislação federal de ensino superior. Seus cursos foram reconhecidos oficialmente em 1993. Ao longo de 26 anos de atuação, a instituição foi responsável pela formação de cerca de 1.700 profissionais qualificados, muitos deles absorvidos pelo Distrito Industrial de Manaus.

Instituição atual

No ano de 2001, sob a gestão do então governador Amazonino Mendes, foi criada a Universidade do Estado do Amazonas, com a missão de promover o ensino superior, integrar o cidadão à sociedade e qualificar os recursos humanos da região.

As atividades da antiga Utam passaram a ser assumidas pela Escola Superior de Tecnologia (EST), uma das cinco escolas superiores que compõem a estrutura acadêmica da UEA.

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Na capital, a universidade se estruturou por meio de escolas superiores especializadas, como as Escolas Superiores de Ciências da Saúde; Ciências Sociais; Artes e Turismo; e a Escola Normal Superior. No interior, implantou Centros de Estudos Superiores e Núcleos de Ensino, funcionando como “mini universidades” nos municípios.

O primeiro vestibular da UEA ofereceu 1.930 vagas em 21 cursos, distribuídos entre Manaus, Tefé e Parintins, atraindo cerca de 180 mil candidatos. No ano seguinte, esse número ultrapassou 230 mil inscritos. Desde então, os vestibulares passaram a ser realizados em todos os municípios do interior do estado.

Atualmente, a instituição contabiliza 245 cursos, dos quais 59 são regulares e 186 correspondem a ofertas especiais, considerando a distribuição por município, além de 64 cursos classificados por nomenclatura.

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A UEA mantém ainda 53 cursos de pós-graduação lato sensu (especialização), 18 programas de mestrado e sete de doutorado (stricto sensu), além de quatro turmas vinculadas aos programas Minter e Dinter, que funcionam em regime de cooperação interinstitucional.

Na área de extensão, a maior universidade multicampi do país desenvolve uma ampla diversidade de ações, programas e projetos voltados à consolidação da política institucional de extensão universitária e ao atendimento direto das demandas da sociedade, por meio da disseminação do conhecimento científico e tecnológico.

A universidade detém o primeiro Doutorado em Medicina do Amazonas e também o Programa de Pós-Graduação em Clima e Ambiente, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Adaptação local

Um dos maiores destaques da história da UEA foi a implementação do Ensino Presencial Mediado por Tecnologia, uma modalidade inovadora que utiliza recursos de comunicação via satélite para transmitir aulas em tempo real a comunidades distantes. Por meio desse sistema, a universidade conseguiu superar os desafios logísticos impostos pelas dimensões territoriais do Amazonas, estado que ocupa cerca de 18% do território nacional.

UEA completa 25 anos com contribuições ao Amazonas

Essa iniciativa possibilitou a formação de milhares de professores por meio do Programa de Formação de Professores (Proformar). Em 2005, a UEA formou sua primeira turma, com 7.150 graduados, número que cresceu significativamente nos anos seguintes. O projeto foi reconhecido internacionalmente, recebendo o Prêmio Objetivos do Milênio e sendo apontado pela Unesco como modelo para outros países.

Polo Industrial de Manaus

O modelo econômico da Zona Franca de Manaus (ZFM), que inclui o Polo Industrial de Manaus (PIM), onde mais de 500 empresas são beneficiadas por incentivos fiscais, destina obrigatoriamente parte de seus recursos à manutenção e financiamento da UEA, por meio de mecanismos como a Lei de Informática e contribuições obrigatórias, entre elas programas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).

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Esse modelo institucional faz com que a UEA seja financiada majoritariamente pelas indústrias da Zona Franca de Manaus, gerando uma relação de dependência mútua: a universidade recebe recursos para se manter e as empresas se beneficiam de uma base científica e de mão de obra qualificada para atender às demandas industriais.

Uma dimensão fundamental dessa relação é a formação profissional alinhada às necessidades do setor industrial, com ofertas de cursos, especialmente nas áreas de tecnologia, engenharia e administração, que preparam estudantes para atuar em ambientes industriais de tecnologia média e alta, como os do PIM.

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Somadas a essa estrutura, iniciativas como visitas técnicas organizadas pelo programa “Zona Franca de Portas Abertas” incentivam estudantes a conhecer de perto a operação de fábricas do polo, aproximando teoria e prática.

Desenvolvendo projetos PD&I com foco nas demandas do PIM, em 2015, a UEA inaugurou o Observatório do Polo Industrial de Manaus, um núcleo de pesquisa dedicado a estudar os cenários macroeconômicos das empresas do Polo e gerar dados e análises para a academia, empresários e formuladores de políticas públicas.

Fotos: Manaus de Antigamente; Instituto Durango Duarte; Agência Amazonas; UEA

 

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