Economia
Emprego formal no Amazonas desacelera em novembro e saldo fica abaixo do registrado em 2024
Saldo de vagas com carteira assinada ficou em 3,8 mil no mês; Comércio e serviços lideraram contratações, segundo o Caged
A geração de empregos com carteira assinada no Amazonas perdeu fôlego em novembro e encerrou o mês com saldo de 3.803 vagas, fruto de 24.434 admissões e 20.632 desligamentos. Apesar de um bom número, o resultado é inferior ao observado no mesmo período de 2024, quando o saldo foi de 5.522 postos formais. A redução de 1.719 vagas representa uma quantidade 31% menor que a do ano anterior.
Os números constam na atualização mais recente do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgada em 30 de dezembro pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que acompanha mensalmente a movimentação do mercado formal em todo o país.
O presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos Seccional Amazonas (ABRH-AM), Francisco de Assis Mendes, apontou um conjunto de fatores sazonais e estruturais no mês para explicar a perda de ritmo.
Mendes analisa que, no comércio e nos serviços, há uma combinação de vagas temporárias e permanentes, com uma maior seletividade nas contratações e grande parte das admissões relacionadas à preparação para o fim de ano, sobretudo no comércio, “o que naturalmente eleva a participação de contratos temporários”.
“Os dados mostrados sinalizam um nível elevado de rotatividade, que é uma característica histórica do mercado de trabalho amazonense, especialmente nos setores de comércio, serviços e indústria. Essa dinâmica reflete tanto a sazonalidade econômica voltada às festividades de fim de ano quanto ajustes internos das empresas, que muitas vezes contratam para atender demandas pontuais e depois fazem readequações de quadro”, diz.

“Aqui (no Amazonas), o segundo semestre costuma concentrar contratações mais fortes até outubro, impulsionadas pelo comércio, serviços e pela preparação do Polo Industrial de Manaus (PIM) para o pico produtivo. Em novembro, esse ritmo tende a se estabilizar, pois as empresas adotam uma postura mais cautelosa diante do encerramento do ano fiscal, do controle de custos e da avaliação de resultados”, informa.
Além disso, o presidente explica que o cenário macroeconômico nacional, com juros ainda elevados e crédito mais restrito, impacta diretamente decisões de contratação, especialmente em setores que dependem de consumo. “O saldo positivo mostra resiliência do mercado de trabalho, mas em um ritmo mais moderado do que em 2024”, continua.
Setores
Entre os segmentos que mais contribuíram para a abertura de vagas, os principais são o setor de serviços, o comércio e a indústria:
| Grupamento | Admissões | Demissões | Saldo |
Total de Carteiras assinadas |
|---|---|---|---|---|
| Serviços | 11.521 | 10.351 | 1.170 | 261.364 |
| Comércio | 7.412 | 5.065 | 2.347 | 135.130 |
| Indústria | 3.635 | 3.235 | 400 | 144.943 |
| Construção | 1.638 | 1.771 | -133 | 31.634 |
| Agropecuária | 228 | 210 | 18 | 5.144 |
Das novas contratações, 80,1%, o equivalente a 19.563 profissionais, possuíam ensino médio completo como principal formação e 61,9% (total de 15.127) eram homens.
7.321 contratados (30%) estavam na faixa entre 18 a 24 anos, enquanto 6.323 (24,9%) possuíam idade entre 30 e 39 anos.
Com isso, o estoque total de vínculos formais no Amazonas chegou a 578.208 trabalhadores empregados, fruto da geração de 82.709 empregos formais entre o início de 2023 e novembro de 2025.
Novas procuras
O movimento observado no mercado de trabalho também está diretamente relacionado ao avanço da automatização nos processos produtivos e à adoção crescente de tecnologias da Indústria 4.0 pelas empresas instaladas no estado, especialmente no PIM.
Segundo Mendes, a modernização tem elevado a eficiência operacional, mas também reduz a necessidade de mão de obra em determinadas funções, ao mesmo tempo em que amplia a demanda por profissionais mais qualificados.
“As empresas estão investindo cada vez mais em automação, digitalização e integração de sistemas, o que muda o perfil das contratações. Há menos vagas para atividades repetitivas e um foco maior em trabalhadores com competências técnicas, digitais e capacidade de adaptação a novos processos”, afirma.

Outro fator que influencia diretamente a dinâmica do emprego formal no Amazonas é a migração de parte da força de trabalho para atividades autônomas e modelos alternativos de renda. De acordo com o dirigente, cresce o número de profissionais que optam por atuar como motoristas de aplicativo, microempreendedores individuais, consultores independentes ou empreendedores no comércio eletrônico, seja por flexibilidade, seja por oportunidade de ganho.
“Esse movimento não significa, necessariamente, fragilidade do mercado formal, mas uma mudança estrutural na forma como as pessoas se inserem no mundo do trabalho. O desafio está em preparar esses trabalhadores para empreender de forma sustentável e, ao mesmo tempo, criar condições para que o emprego formal continue sendo atrativo, com qualificação, produtividade e perspectivas de crescimento”, destaca.
Expectativa
Em nome da ABRH-AM, o presidente diz que, para o início de 2026, a expectativa é de crescimento com viés de retomada gradual, especialmente a partir do segundo trimestre. Segundo ele, tradicionalmente, os primeiros meses do ano são mais contidos em termos de contratação, devido a ajustes pós-fim de ano e planejamento orçamentário das empresas. Mas o estado conta com fatores positivos:
“O Amazonas conta com fatores positivos, como a manutenção das atividades do Polo Industrial de Manaus, principalmente no nível operacional. Neste ano, deve haver a entrada de novos players e a ampliação de negócios já existentes”, finaliza.
