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Acordo Mercosul–União Europeia amplia perspectivas para energia, petróleo e minerais no Brasil

O acordo envolve um mercado de 720 milhões de pessoas e um PIB superior a US$ 22 trilhões

(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia pelo Conselho Europeu, na sexta-feira (9/1), abre novas perspectivas de cooperação econômica e energética entre os dois blocos, com impactos diretos para o Brasil nos setores de petróleo, etanol, bioprodutos e minerais críticos. O tratado, negociado por mais de 25 anos, ainda depende do aval do Parlamento Europeu, e a expectativa é de que a assinatura final ocorra no próximo dia 17.

O acordo envolve um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto superior a US$ 22 trilhões. Para o Brasil, a parceria pode ampliar o acesso ao mercado europeu e fortalecer cadeias estratégicas ligadas à transição energética e à bioeconomia.

Atualmente, o petróleo é um dos principais produtos da pauta de exportações brasileiras para a União Europeia. Em 2024, o Brasil exportou US$ 48,3 bilhões para o bloco, sendo que 25,8% desse valor corresponderam a petróleo e derivados, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores.

Energia, minerais críticos e bioeconomia

Além do petróleo, o acordo pode gerar efeitos indiretos sobre o mercado de gás natural, especialmente ao impulsionar a indústria química brasileira, grande consumidora do insumo. A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) avalia a parceria como um marco estratégico, que amplia o acesso da indústria nacional a um dos maiores mercados consumidores do mundo.

Outro ponto central é a cooperação em minerais críticos, considerados essenciais para a transição energética. O Brasil é visto como fornecedor estratégico, por concentrar a maior reserva mundial de nióbio, a segunda maior de grafite e terras raras e a terceira maior de níquel. Do lado europeu, cresce a urgência por acordos que garantam segurança no fornecimento desses insumos, fundamentais para a produção de baterias e tecnologias limpas.

O tratado também prevê condições mais favoráveis para produtos da bioeconomia e bens produzidos com critérios de sustentabilidade, como o uso de energia limpa. No caso do etanol, foram estabelecidas cotas de importação pela União Europeia, incluindo volumes isentos de tarifa para uso industrial e reduções tarifárias para outros fins.

Apesar das cotas impostas ao agronegócio, o avanço do acordo foi bem recebido pelo mercado e é visto como um sinal de fortalecimento do comércio internacional e do multilateralismo, em um contexto de tensões geopolíticas globais.

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Com informações da Eixos