Logística
Transformadores chineses gigantes desembarcam no Maranhão para linha de transmissão de R$ 18,1 bi
Equipamentos que podem passar de 300 toneladas chegam no Porto do Itaqui que levará energia do Nordeste a Goiás
O Porto do Itaqui, em São Luís, está operando o desembarque de transformadores que podem passar de 300 toneladas da estatal chinesa State Grid, para a construção da linha de transmissão que ligará o município de Graça Aranha – cerca de 377 quilômetros de São Luís – a Silvânia (GO). A obra, com investimento estimado em R$18,1 bilhões, integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Os equipamentos desembarcados são transformadores de ultra-alta tensão, 800 kV, acompanhados por componentes de montagem. Eles vão funcionar nas subestações conversoras localizadas nas duas pontas da linha.
O empreendimento de 1.468 km cruzará os estados do Maranhão, Tocantins e Goiás, com o objetivo de escoar a energia renovável produzida no Nordeste para abastecer as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. A previsão de conclusão total do projeto é para março de 2030.
De acordo com a presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), que administra o Itaqui, Oquerlina Costa, a regularidade na recepção dessas cargas reforça a versatilidade, a prontidão logística e a confiança do mercado internacional no Porto do Itaqui.
“A movimentação bem-sucedida de transformadores desse porte reafirma que o Porto do Itaqui possui a infraestrutura, o conhecimento técnico e a eficiência necessários para operar cargas de projeto de grande complexidade. Além de ser uma porta de entrada e saída de commodities; o Itaqui é um facilitador logístico essencial para a modernização industrial e de infraestrutura do Brasil, oferecendo segurança operacional do cais à faixa de terra”, afirma.
O Porto do Itaqui habitua movimentar soja, combustíveis, celulose e fertilizantes. As cargas de projetos energéticos de grande matriz entram agora nessa lista.
Cada navio traz cerca de quatro transformadores chineses
As operações de recepção das cargas iniciaram em 18 de agosto, e prevê 12 navios até a conclusão desta etapa, mantendo uma média de uma embarcação por mês, com cada um com cerca de quatro transformadores.

Foto: Porto de Itaqui/Instagram
A descarga é coordenada pela operadora portuária de carga NML. Dois navios já descarregaram no porto maranhense — o mais recente com registro no dia 20 de setembro.
Logística de alta complexidade
Por se tratar de uma carga com dimensões e pesos excepcionais, a logística terrestre exige planejamento rigoroso. Depois do desembarque, as peças seguem para a antiga área localizada em Pedreiras (A-18), a cerca de 276 quilômetros de São Luís, onde os transformadores são montados nas carretas de transporte.
Até o momento, todo o contingente de carga seguiu em caminhões por rodovia até a Graça Aranha, em uma velocidade controlada de 7 a 8 km/h para garantir a segurança da operação.
Devido à especificidade do transporte terrestre e ao tempo de viagem das carretas, o intervalo de chegada dos navios foi estrategicamente alongado.
A equipe da Emap, em parceria com a NML, monitora o alinhamento de chegada (lineup) das próximas embarcações para garantir a continuidade do fluxo e o registro de imagens da operação.

