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Zonas francas discutem inovação e economia azul em conferência na Espanha

Conferência internacional de zonas francas na Espanha debate inovação, pesquisa e uso sustentável dos recursos aquáticos, com participação da Suframa

Foto: Divulgação/Suframa

A inovação, a internacionalização de empresas e a economia azul estiveram entre os principais temas da 29ª Conferência de Zonas Francas Ibero-Americanas, encerrada nesta quarta-feira (28), em Cádiz, na Espanha. O encontro reuniu representantes de zonas francas, instituições públicas, universidades e empresas para discutir estratégias de desenvolvimento econômico, sustentabilidade e integração com mercados internacionais.

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) participou da programação por meio de uma comitiva formada por representantes das áreas de comércio exterior e assuntos internacionais e da Procuradoria Federal junto à autarquia.

Realizada entre segunda-feira (26) e quarta-feira (28), a conferência abordou o papel das zonas francas na expansão de negócios, especialmente para pequenas e médias empresas, além de iniciativas de cooperação entre o setor produtivo, instituições de pesquisa e universidades.

Economia azul e oportunidades para a Amazônia

Um dos destaques da programação foi a abertura do Blue Zone Forum InnovAzul 2026, fórum dedicado à inovação e ao desenvolvimento do setor marítimo. Organizado pelo Consórcio da Zona Franca de Cádiz, em parceria com a Universidade de Cádiz e o Centro Internacional de Excelência em Ciências do Mar (CEI·MAR), o evento segue até sexta-feira (30), com debates sobre tecnologia, pesquisa, empreendedorismo e geração de empregos.

A economia azul, conceito que busca conciliar o aproveitamento sustentável dos recursos aquáticos com o desenvolvimento econômico, também foi apontada como uma possibilidade de aplicação na Amazônia. Entre as áreas relacionadas ao tema estão a biotecnologia, a aquicultura, as energias renováveis e o transporte aquaviário.

Para Camilla Abitbol, servidora da Coordenação-Geral de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais da Suframa, os debates internacionais podem contribuir para identificar oportunidades de desenvolvimento sustentável adaptadas às características da região amazônica.

Segundo ela, embora o conceito esteja tradicionalmente associado aos oceanos e às atividades marítimas, seus princípios também podem orientar iniciativas relacionadas à gestão dos rios, à valorização da biodiversidade aquática, à pesquisa científica e à bioeconomia.

A discussão ganha relevância no contexto amazônico, onde os recursos hídricos e a biodiversidade representam ativos estratégicos para o desenvolvimento regional. A aplicação desses princípios, entretanto, depende de iniciativas alinhadas às particularidades dos ecossistemas fluviais e às necessidades das populações locais.

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Foto: Divulgação/Suframa

Formação profissional e inovação industrial

A aproximação entre universidades e zonas francas também integrou a programação. Durante uma das sessões técnicas, o pesquisador Juan D. Velasquez De Bedout, da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, apresentou um programa de graduação voltado à formação de profissionais para a indústria de semicondutores.

Lançada em maio de 2022, a iniciativa combina diferentes áreas acadêmicas, atividades práticas e parcerias com empresas. A proposta é aproximar a formação universitária das demandas do setor produtivo, permitindo que os estudantes tenham contato com a indústria desde os primeiros anos da graduação.

O tema dialoga com os desafios de regiões industriais como o Polo Industrial de Manaus (PIM), onde a qualificação profissional e a capacidade de incorporar novas tecnologias são fatores importantes para a competitividade das empresas.

A programação também incluiu uma apresentação sobre o projeto-piloto de certificação de zonas francas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A iniciativa foi detalhada por María Camila Moreno, gerente do Programa de Zonas Francas da Diretoria de Comércio da organização.

Intercâmbio internacional

A participação na conferência também permitiu à Suframa conhecer experiências internacionais de gestão e regulação de zonas francas. Para a procuradora-chefe da autarquia, Regina Melo, o intercâmbio contribui para identificar práticas que podem subsidiar o aperfeiçoamento dos instrumentos institucionais brasileiros.

O coordenador jurídico da Suframa, Luiz Batista, destacou a importância da troca de experiências entre os modelos amazônico, europeu e ibero-americano, especialmente no campo jurídico e regulatório.

Organizada pela Zona Franca de Cádiz e pela Associação de Zonas Francas das Américas (AZFA), entidade da qual a Suframa é filiada desde 2003, a conferência promove a integração entre diferentes modelos de zonas francas e estimula o compartilhamento de experiências relacionadas ao comércio internacional, à logística, aos investimentos e ao desenvolvimento econômico.