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Virrosas aposta na industrialização de insumos da floresta no Amazonas

Empresa quer ampliar processamento de açaí, tucupi e pimenta e agregar valor à produção regional

Foto: Bruno Leão

A Virrosas, fabricante amazonense de vinagre instalada há mais de um século em Manaus, apresentou à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Amazonas (Sedecti) um projeto para ampliar a industrialização de insumos da floresta, como açaí, tucupi e pimenta.

A proposta levada ao Governo do Estado prevê investimento em tecnologia e processamento para ampliar o valor agregado dos produtos regionais. A estratégia é fortalecer a cadeia produtiva local, posicionando o Amazonas como polo de alimentos processados a partir de insumos regionais, em linha com o avanço da bioeconomia no Estado.

Em 2025, a companhia apresentou seu portfólio de produtores bioeconômicos inovadores, que dialogam com sabores e tradições da região Norte, entre eles o açaí em pó liofilizado, o molho de pimenta malagueta misturada ao murupi e o molho de pimenta de tucupi em sachê.

Virrosas aposta na industrialização de insumos da floresta no Amazonas

 

A proposta foi debatida nesta terça-feira (3), durante reunião na sede da Secretaria, que contou com a presença do diretor da Virrosas e presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Manaus (SIAM), Pedro Monteiro, do empresário Sérgio Band e da equipe técnica da pasta, representada pelo titular Serafim Corrêa.

A estratégia está alinhada ao Plano Estadual de Bioeconomia, que busca estruturar o setor, garantir segurança jurídica e criar um ambiente favorável a novos investimentos.

Virrosas aposta na industrialização de insumos da floresta no Amazonas

Para Pedro Monteiro, a industrialização é o caminho para manter no estado a riqueza gerada pela floresta. Ele defende a verticalização da produção como instrumento de desenvolvimento econômico e social:

“Eu não posso mais aceitar o papel de sermos meros exportadores de matéria-prima ‘in natura’. É doloroso ver nossos frutos saindo daqui para serem processados em outros centros e, depois, voltarem para as nossas prateleiras como produtos finalizados e muito mais caros. O que defendemos é que esse valor agregado, essa tecnologia e, principalmente, esses empregos fiquem no Amazonas”.

Monteiro destacou que iniciativas como as da Virrosas demonstram que a bioeconomia já começa a sair do discurso para a prática industrial. Segundo ele, a transformação de insumos tradicionais em produtos competitivos no mercado nacional e internacional representa um salto estratégico para o estado.

“Quando vemos o açaí se transformar em pó de alta tecnologia, a pimenta ganhar padrão gourmet ou o tucupi conquistar novos mercados, estamos falando de indústria de ponta feita a partir da nossa floresta. Isso é bioeconomia real, conectando o produtor do interior à tecnologia das fábricas e à logística que leva esses produtos para o mundo”, ressaltou.

Pedro Monteiro - Diretor da Virrosas

Pedro Monteiro, diretor da Virrosas e presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Manaus (SIAM)

O dirigente também avaliou que há maturidade institucional para consolidar esse novo ciclo econômico. Para ele, a bioeconomia deve atuar como complemento estruturante do Polo Industrial de Manaus (PIM), e ampliar a base produtiva, reduzindo a dependência de poucos segmentos.

“Houve consenso de que a bioeconomia se consolida como um complemento estruturante inserido no Polo Industrial de Manaus. Ao lado de outras frentes estratégicas em desenvolvimento no estado, como o avanço do gás natural e o fortalecimento da estrutura portuária, ela contribui para diversificar as matrizes econômicas do Amazonas e fortalecer sua base produtiva”, destacou Monteiro.

A expectativa do setor industrial é que, com apoio institucional e ambiente regulatório estável, empresas como a Virrosas ampliem investimentos, interiorizem unidades de processamento e fortaleçam a geração de emprego e renda nas comunidades produtoras.