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Vendas no varejo caem 0,8% em julho pressionadas por crédito caro e endividamento das famílias

Queda em móveis e eletrodomésticos lidera retração, mas CNC prevê alta de 2,3% no ano

Loja de móveis e eletrodomésticos | Foto: Reprodução

As vendas no varejo brasileiro recuaram 0,8% em julho de 2026, pressionadas pelo crédito caro e pelo endividamento das famílias, que limitam compras de maior valor. Os dados constam na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada nesta terça-feira (15), na análise da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O índice evidencia o peso das compras a prazo: móveis e eletrodomésticos, por exemplo, recuaram 4,9% no mês, registrando a maior queda do grupo desde dezembro de 2023 e figurando como principal impacto negativa no resultado de julho.

“Parte do comércio é altamente dependente de financiamento e o custo do parcelamento ajuda a explicar a queda nas vendas”, explica o economista da CNC, João Vitor Gonçalves.

Para o fechamento de 2026, a Confederação projeta uma alta de 2,3% para o setor. A análise da entidade aponta que a inflação mais baixa dos alimentos deve favorecer o consumo nos supermercados no restante do ano, mas a recuperação do varejo tende a permanecer desigual. O recorde do endividamento das famílias e o nível ainda elevado dos juros devem continuar limitando, em especial, as atividades mais dependentes de crédito.

“Os indicadores econômicos que compõem o cenário do consumo explicam a dificuldade de retomada. A taxa Selic segue em patamar restritivo para a economia, embora o Banco Central siga com o ciclo de cortes. Simultaneamente, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada pela CNC, mostrou que 82,0% das famílias brasileiras estão endividadas, um recorde histórico. Além disso, essas famílias possuem, em média, 29,5% de toda a sua renda já comprometida com o pagamento de dívidas”, complementa Gonçalves.

Estimativa de alta

Por outro lado, a projeção de crescimento de 2,3% para 2026 se apoia no alívio da inflação sobre o consumo de bens essenciais ao longo dos meses do presente ano. Em julho, o grupo de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo recuou levemente 0,2%, o que ajudou a puxar o índice geral para baixo devido ao grande peso da atividade em relação ao índice total.

No entanto, a alimentação no domicílio, medida pelo IPCA, registrou queda de 1,14% em julho e de 0,61% em agosto. É justamente esse recuo consecutivo nos preços dos alimentos que tende a devolver capacidade de compra ao consumidor e favorecer uma retomada gradual do volume de vendas nos supermercados nos próximos meses, consolidando uma recuperação setorial que, embora positiva, continuará desigual.