Economia
Venda de imóveis em Manaus somam R$ 1,4 bi no 1º semestre, mas queda na oferta preocupa
Levantamento da Brain revela que ritmo de vendas consome imóveis disponíveis sem reposição de novos projetos, exigindo cautela do setor imobiliário
Apartamentos em Manaus - Foto: João Viana/Semcom
O setor imobiliário de Manaus e Iranduba fechou o primeiro semestre de 2026 com R$ 1,445 bilhão em vendas, somando os mercados residencial e comercial. Porém, o novo levantamento da Brain Inteligência Estratégica, apresentado nesta terça-feira (4), traz uma preocupação para o setor. Embora o faturamento continue alto, houve uma severa retração nos novos lançamentos, métrica essencial para sustentar o fluxo de negócios no futuro.
No segundo trimestre deste ano, foram lançadas apenas 1.174 unidades residenciais verticais na região — um recuo de 63,7% frente às 2.760 unidades lançadas no mesmo período de 2025. O perfil desses novos projetos demonstra uma concentração expressiva na baixa renda: 888 unidades (76% do total) pertencem ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), restando apenas 286 unidades divididas entre os segmentos de médio padrão, compactos e luxo.
O comportamento das vendas acompanhou a dinâmica de oferta. Entre abril e junho, foram comercializadas 1.721 unidades residenciais verticais, com o MCMV respondendo por 76,2% das absorções (1.312 imóveis). O médio padrão absorveu 23,7% das comercializações, enquanto os segmentos de luxo e compactos tiveram participações residuais. Essa movimentação contínua de vendas em ritmo superior aos lançamentos reduziu a oferta disponível: o estoque encerrou o trimestre com 5.807 unidades residenciais verticais, queda de 23,7% na comparação anual.

Vetores de absorção e posicionamento da ADEMI-AM
Na divisão geográfica do consumo imobiliário da capital, a Zona Oeste liderou as preferências. A Ponta Negra manteve a hegemonia de vendas no trimestre, concentrando 29,4% de todas as unidades comercializadas. Em seguida figuram os bairros Lago Azul (14,5%), Tarumã-Açu (13,4%) e Novo Aleixo (11,1%).
Para o diretor da Comissão da Indústria Imobiliária da ADEMI-AM, Paulo Avelino, o balanço de R$ 1,445 bilhão demonstra a resiliência da demanda, alcançando em seis meses praticamente a metade de todo o montante movimentado no ano histórico de 2025. No entanto, a desaceleração da oferta forçou a entidade a revisar o planejamento estratégico para o segundo semestre.
“No início de 2026, trabalhávamos com uma expectativa de crescimento de 5% sobre o resultado de 2025. Hoje nossa projeção é mais conservadora: a expectativa é manter um desempenho próximo ao do ano passado ou registrar um crescimento discreto. O cenário econômico, aliado à redução dos lançamentos, exige cautela”, avalia Avelino.
O executivo reitera que a garantia de um ciclo sustentável para o setor depende diretamente da recomposição do portfólio de novos empreendimentos, apontando o Minha Casa, Minha Vida como o grande sustentáculo da liquidez no Amazonas, onde responde por oito em cada dez unidades comercializadas na capital.
