Logística
TranspoAmazônia reúne setor logístico em Manaus sob expectativa de avanço da BR-319
Evento discute infraestrutura e transporte na Amazônia
A 3ª TranspoAmazônia foi aberta nesta quarta-feira (27), em Manaus, reunindo empresários, autoridades e representantes do setor de transporte e logística da região Norte em torno de um tema que voltou ao centro do debate econômico amazonense: o futuro da BR-319.
O evento, que segue até quinta-feira (29), consolidou-se como um dos principais fóruns de discussão sobre infraestrutura e logística da Amazônia, em um momento de retomada das discussões sobre a pavimentação da rodovia que liga Manaus a Porto Velho.
À frente da organização está o empresário Irani Bertolini, presidente da Transportes Bertolini e da Fetramaz. Natural de Garibaldi (RS), Bertolini chegou ao Amazonas ainda jovem e construiu um dos maiores grupos logísticos da região a partir da expansão do transporte rodoviário e hidroviário na Amazônia.

Fundada com três caminhões, a Transportes Bertolini transformou-se, ao longo de quase cinco décadas, em um conglomerado de logística com atuação em diferentes modais e forte presença no Norte do país.
Na abertura do evento, Bertolini afirmou que a BR-319 representa um divisor de águas para a logística amazonense. Segundo ele, a pavimentação da rodovia pode reduzir o tempo de transporte de cargas entre Manaus e outras regiões do país de atuais 20 a 30 dias para menos de 10 dias, dependendo da operação.
O debate ocorre em meio a uma nova tentativa do governo federal de destravar a obra. Em março, foi lançado edital de R$ 670 milhões para pavimentar 340 quilômetros do chamado “trecho do meio” da BR-319, entre os quilômetros 250 e 590 — segmento considerado o mais crítico da estrada e que permanece sem asfaltamento definitivo há mais de quatro décadas.
A iniciativa, porém, enfrenta entraves judiciais e ambientais. Parlamentares do Amazonas reagiram recentemente à suspensão dos editais de contratação, argumentando que a medida amplia o isolamento logístico da região e compromete a competitividade do Polo Industrial de Manaus.
Para Bertolini, que acompanha as tentativas de recuperação da rodovia desde os anos 1980, o cenário atual é o mais favorável já observado pelo setor. Na avaliação do empresário, a BR-319 não substituirá a navegação fluvial, mas poderá ampliar a eficiência logística da Amazônia e reduzir custos para empresas e consumidores.
