Economia
Trabalhadores de transporte de passageiros por aplicativo somam 1,2 mi de pessoas no Brasil
Entre os 2 milhões de trabalhadores que usavam aplicativos de serviços para trabalhar, a maioria atuava no transporte de passageiros
Motorista de aplicativo |
No terceiro trimestre de 2025, o Brasil registrou 102,4 milhões de pessoas ocupadas, das quais 2 milhões trabalhavam por meio de aplicativos ou plataformas digitais de serviços, seja no trabalho principal ou no secundário, o que representa 1,9% do total de trabalhadores. Dentre esse grupo, a maioria atuava no transporte de passageiros, somando 1,2 milhão de pessoas, o equivalente a 58,9% do total dos que usavam plataformas digitais.
Já os aplicativos de prestação de serviços gerais ou profissionais eram usados por 313 mil trabalhadores, representando 16% do total de pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais de serviços.
Entregadores por aplicativo no trabalho principal aumentaram 18,6%
Analisando especificamente o trabalho principal da população ocupada, exceto empregados no setor públicos e militares, em 2025, o Brasil tinha 1,8 milhão de pessoas trabalhando por meio de plataformas digitais de serviços em seu trabalho único ou principal, o equivalente a 2,0% dos 89,6 milhões de trabalhadores do setor privado. No período abrangido pela pesquisa, observou-se crescimento do contingente de trabalhadores plataformizados, com expansão de 36,8% em relação a 2022, ano inicial da série, e de 9,1% em comparação a 2024.

Embora esse contingente tenha crescido em relação aos anos anteriores, os trabalhadores de plataformas ainda representavam uma parcela pequena da ocupação privada (2,0%). No trabalho secundário, porém, sua participação era maior, alcançando 6,2% dos ocupados no setor privado, entre as pessoas que tinham um segundo trabalho.
Entre os trabalhadores de plataformas na ocupação principal, também predominavam os que atuavam em aplicativos de transporte de passageiros, que somavam 1,0 milhão de pessoas (57,5%). Desse total, 941 mil trabalhavam em aplicativos de transporte particular diferentes de táxi e 220 mil em aplicativos de táxi. Os aplicativos de entrega reuniam 531 mil trabalhadores (29,4%), enquanto as plataformas de prestação de serviços gerais ou profissionais concentravam 300 mil pessoas (16,6%).
Nos aplicativos de entrega, 325 mil trabalhadores atuavam como entregadores, enquanto 205 mil exerciam outras ocupações por meio dessas plataformas, por exemplo, pessoas que exploravam o seu próprio negócio em atividades de comércio e de serviços de alimentação e que utilizavam diretamente as plataformas de entrega para captar clientes e realizar vendas ou prestar serviços. Em relação a 2024, o maior crescimento de trabalhadores plataformizados no trabalho principal ocorreu justamente entre os entregadores por aplicativo, cujo contingente aumentou 18,6%, passando de 274 mil para 325 mil pessoas.
Homens entre 25 e 39 anos são maioria que trabalha em plataformas digitais de serviços
A população plataformizada era composta, majoritariamente, por homens, com 84,4% do total, enquanto as mulheres representavam apenas 15,6%. Entre os trabalhadores não plataformizados, embora os homens também fossem maioria (58,2%), o percentual de mulheres (41,8%) situava-se em patamar bastante superior ao estimado para os plataformizados.
A distribuição etária dos ocupados revela que o grupo de 25 a 39 anos correspondia a 47,0% das pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais de serviços, sendo o grupo mais numeroso, ao passo que, entre os não plataformizados, essa proporção era de 37,4%.
Ao analisar a população ocupada por nível de instrução, observa-se que, entre os plataformizados, prevaleciam as pessoas com níveis intermediários de escolaridade, sobretudo com nível médio completo ou superior incompleto (62,5%). Tal grupo correspondia a 45,3% do total da população ocupada não plataformizada.
Flexibilidade do trabalho é a principal motivação para quem trabalha em plataformas digitais
Em 2025, pela primeira vez na pesquisa, investigou-se o principal motivo para a pessoa exercer o seu trabalho por meio de plataformas digitais de serviços. Considerando o total de plataformizados no trabalho principal, observa-se que as três principais alegações, compreendendo mais de 70% desses trabalhadores, foram:
- Por causa da flexibilidade (26,8%);
- Por não conseguir encontrar outro trabalho (24,6%);
- Por considerar o rendimento maior do que em outros trabalhos disponíveis (20,8%).
Em seguida, o motivo de complementar a renda foi apontado por 16,6%, enquanto apenas 4,0% afirmaram que escolheram trabalhar por plataformas digitais para melhorar suas habilidades, ganhar experiência ou expandir a rede de contatos profissionais. Por fim, 7,3% dos trabalhadores por aplicativo alegaram outros motivos.

Maioria dos motoristas de transporte particular de passageiros destaca possibilidade de escolha de dias e horários para trabalhar
A PNAD Contínua também investigou como as plataformas digitais influenciam as jornadas de trabalho desses trabalhadores, abrangendo diferentes estratégias potencialmente empregadas pelas empresas, bem como a dependência deles em relação a essas plataformas.
Os dados de 2025 revelam que existia uma autonomia limitada para a maioria dos trabalhadores de plataformas digitais, embora o grau de dependência variasse significativamente segundo o tipo de aplicativo utilizado: motoristas de transporte particular de passageiros (exceto táxi) e entregadores apresentavam um grau mais elevado — especialmente no valor a ser recebido (80,2% e 78,3%, respectivamente, afirmaram que o valor era totalmente determinado pela plataforma), na escolha de clientes a serem atendidos e na forma de recebimento do pagamento (ambas superando 70% nos entregadores) —, enquanto os prestadores de serviços gerais ou profissionais registram a menor dependência em todas as categorias analisadas. Por fim, a fixação de prazos pelas plataformas é o aspecto com menor grau de dependência em geral, embora ainda afete mais da metade de certas categorias como entregadores e taxistas.
Entre os motoristas de transporte particular de passageiros, exceto táxi, em 2025, 81,1% afirmaram que a jornada de trabalho era influenciada pela possibilidade de escolha de dias e horários de forma independente; 56,3% apontaram influência por meio de incentivos, bônus ou promoções que mudam os preços; 28,1% mencionaram a sugestão de turnos e dias; e 25,3% eram influenciados pelas ameaças de punições ou bloqueios.
Incentivos, bônus ou promoções que mudam o preço influenciaram a jornada de mais da metade dos taxistas (50,1%) e de quase a metade dos entregadores (47,4%). Quanto às ameaças de punições ou bloqueios realizados pelas plataformas, a exemplo do observado no transporte particular de passageiros (exceto aplicativo de táxi), essas políticas também moldaram a rotina de mais de 20% dos taxistas e dos entregadores plataformizados.

