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Startup paraense de biocosméticos cresce 44% após incubação

Negócio originado de pesquisas na universidade é acelerado na Oka Hub, incubadora criada pelo Sebrae no oeste do Pará

Mahá Biocosméticos | Foto: Rafa Neddemeyer/Agência Brasil

Criada em Santarém (PA) a partir de uma pesquisa universitária voltada aos cuidados com cabelos cacheados, a Mahá Biocosméticos transformou-se em um negócio de bioeconomia amazônica focado em produtos capilares à base de óleos e manteigas vegetais da Amazônia. Impulsionada por iniciativas do Sebrae, como a incubadora Oka Hub, responsável por uma das principais mudanças em seu modelo de negócios Hub. Em 2025, a empresa faturou R$ 36 mil, crescimento de 44% em relação ao ano anterior, alavancada pelas vendas de kits capilares e máscaras de nutrição.

A empresa foi criada pelas farmacêuticas Melissa Karen Lage e Bruna Cantal de Souza, quando ainda estavam durante as suas graduações na Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e foi formalizada em 2021 após participação no programa Inova Amazônia, do Sebrae. E, desde então, integra ambientes colaborativos voltados à aceleração de negócios da bioeconomia. Ano passado, por meio da incubação na Oka Hub, as empreendedoras passaram a ter acesso a mentorias, capacitações e conexões estratégicas voltadas à gestão, posicionamento de mercado e expansão da operação.

“A Oka teve a sensibilidade de avaliar as nossas necessidades para fazer o alavancamento real. E a gente vê, nesses mercados novos que estamos alcançando, os efeitos práticos disso”, afirma Melissa, sócia da Mahá.

Os produtos utilizam ativos amazônicos como andiroba, buriti, pracaxi, murumuru, cupuaçu e ucuuba em linhas voltadas principalmente para cabelos cacheados e ondulados. Segundo Melissa, a proposta nasceu da percepção de uma demanda ainda pouco atendida pelo mercado e evoluiu para um modelo de negócio fundamentado em ciência, inovação e valorização territorial.

“A ciência sempre foi a base dos nossos produtos. Mas quando decidimos trabalhar com ativos da Amazônia, também assumimos o compromisso de fortalecer as comunidades e valorizar quem mantém a floresta em pé”, disse Melissa Karen Lage, empreendedora.

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Melissa Lage, da Mahá Biocosméticos | Foto: Rafa Neddemeyer/Agência Brasil

Além da formulação científica, a Mahá mantém relação direta com grupos de mulheres extrativistas, cooperativas e comunidades tradicionais da região, responsáveis pelo fornecimento de matérias-primas. Um dos exemplos é a parceria com as Amélias da Amazônia, associação de mulheres localizada na comunidade São Domingos, na Flona do Tapajós (PA), que produz óleos vegetais de andiroba e de copaíba.

Após mentorias voltadas à escalabilidade e gestão financeira, a startup deixou de operar exclusivamente com produtos personalizados e passou a estruturar linhas fixas, ampliando a capacidade produtiva sem perder a identidade científica e socioambiental da marca. A empresa também iniciou parceria com a Ekilibre da Amazônia, fábrica de cosméticos localizada em Alter do Chão, viabilizada a partir das conexões promovidas pela incubadora.

Ciência e conhecimento tradicional caminham juntos

Um dos pilares da atuação da Oka Hub está na conexão entre ciência, empreendedorismo e conhecimento tradicional. O ponto físico da incubadora é o Museu de Ciência da Amazônia (MuCA), em Belterra (PA), onde parte das atividades do ecossistema de inovação é realizada. De acordo com Artur Carvalho, um dos embaixadores do MuCA, o diferencial do espaço é justamente aproximar pesquisa científica das comunidades amazônicas e dos territórios onde os insumos da bioeconomia são produzidos.

“O que torna o MuCA diferente é essa proximidade com as comunidades e com os povos tradicionais. Muito do conhecimento científico surgiu do conhecimento empírico dessas populações. O papel da ciência aqui não é substituir esses saberes, mas compreender, validar e desenvolver soluções a partir deles”, afirma. Segundo ele, iniciativas incubadas pela Oka Hub, como a Mahá Biocosméticos, mostram como a ciência pode gerar inovação e valor econômico sem perder a conexão com a floresta e com as comunidades locais.

Oka Hub fortalece startups da bioeconomia amazônica

Criada em 2025 com apoio do Sebrae, a Oka Hub – Incubadora da Floresta, em Belterra (PA), reúne 11 startups voltadas à bioeconomia amazônica e já contribuiu para um aumento médio de 150% no faturamento dos negócios incubados. O ecossistema conecta 155 pesquisadores, destinou R$350 mil em bolsas para empreendedores e apoia o desenvolvimento de seis patentes. Assim como ocorre com a Mahá Biocosméticos, a iniciativa apoia negócios de diferentes segmentos da bioeconomia, incluindo biotecnologia, alimentos amazônicos, biocosméticos e soluções sustentáveis.

Especial ASN – Amazônia que gera valor

A Agência Sebrae de Notícias apresenta série especial sobre a atuação do Sebrae no Baixo Amazonas e os impactos da bioeconomia amazônica no fortalecimento dos pequenos negócios. Nas próximas matérias, serão apresentadas outras histórias de empreendedores e iniciativas apoiadas por consultorias e projetos do Sebrae, com destaque para turismo sustentável, design amazônico, inovação e valorização da sociobiodiversidade.