Economia
Rendimento das famílias brasileiras cresce, mas Norte e Nordeste seguem abaixo da média nacional
O trabalho representou 76,2% da composição do rendimento médio mensal real domiciliar per capita em 2025 na região Norte
Em 2025, o trabalho permaneceu como a principal fonte de rendimento da população amazonense, respondendo por 76,2% da composição do rendimento médio mensal real domiciliar per capita, reforçando o papel fundamental da atividade laboral na composição da renda das famílias.
Aposentadorias e pensões tiveram redução na participação ao longo do período analisado. Já os programas sociais do governo, que respondiam por 4,1% da composição da renda em 2019, quase dobraram em 2025 (7,5%).
Além disso, o rendimento médio mensal real domiciliar per capita apresentou crescimento em todas as Grandes Regiões do país. Apesar do crescimento dos rendimentos, as desigualdades regionais persistem.

O Índice de Gini do rendimento médio mensal real domiciliar per capita revelou redução da desigualdade em comparação com 2019, embora tenha havido leve aumento em 2025 comparado a 2024.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) – Rendimento de Todas as Fontes, divulgada hoje, 08, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Pessoas com rendimento
Em 2025, 60,6% da população residente no Norte possuía algum tipo de rendimento, percentual superior ao observado em 2024 (59,6%) e em 2019 (53,3%). Apesar da ampliação do acesso da população a fontes de renda, os números ainda mantêm a região Norte com a menor proporção de pessoas com rendimento do país, seguida pela região Nordeste (64,4%). A região Sul apresentou o maior percentual de pessoas com rendimento em 2025, com 70,9% da população residente, seguida pela região Sudeste (69,2%).
O rendimento habitualmente recebido em todos os trabalhos alcançou 42,7% da população na região Norte em 2025, enquanto os rendimentos provenientes de outras fontes corresponderam a 25,1%.
Entre os tipos específicos de rendimento, os programas sociais do governo alcançaram 13,7% da população residente no Norte em 2025, percentual superior ao registrado em 2019 (6,3%). As regiões Norte (13,7%) e Nordeste (15,8%) tiveram as maiores proporções de pessoas com renda proveniente de programas sociais.
Aposentadorias e pensões foram parte da renda de 8,7% da população residente no Norte, mantendo-se como a segunda principal fonte de rendimento. Aluguel e arrendamento corresponderam à renda de apenas 1,0% da população residente, a menor proporção do país, enquanto pensão alimentícia, doação e mesada de não morador representaram a renda de 1,9%. Outros rendimentos corresponderam a 1,2% dos residentes.
Massa de rendimentos
A massa de rendimento mensal real das pessoas de 14 anos ou mais do Norte aumentou 10,5% em relação a 2024. A massa de rendimento era de 21,8 bi em 2025, enquanto em 2024 esse montante foi de 19,8 bi. Se comparado com 2019 (15,7 bi), o aumento foi de 38,6%.
Já a massa de rendimento mensal real domiciliar per capita aumentou 39,5% entre 2019 e 2025, saltando de 20,5 bi para 28,7 bi.
A massa de rendimentos do Norte continua sendo a menor do país. A região Centro-Oeste, que possui a segunda menor massa de rendimentos, tem um volume 61,7% maior que o Norte, com 46,4 bi. A região Sudeste continua tendo a maior massa de rendimentos do país, com 236,9 bi.
Rendimento médio mensal
O rendimento médio mensal real da população residente também apresentou crescimento, saindo de R$ 2.189,00 em 2019 para R$ 2.572,00 em 2025. Os rendimentos provenientes de todos os trabalhos permaneceram como os maiores valores médios entre os tipos de rendimento analisados. Aposentadorias e pensões mantiveram participação relevante na composição da renda média da população.
O rendimento médio mensal da população do Norte permaneceu maior que da região Nordeste, que em 2025 foi de R$ 2.282,00. Juntas, regiões Norte e Nordeste possuem os menores rendimentos médios mensais do país. A região Sul apresenta desde 2024 o maior rendimento médio mensal, atingindo R$ 3.859,00 em 2025.
Rendimento médio mensal domiciliar per capita
O rendimento médio mensal real domiciliar per capita apresentou crescimento em todas as Grandes Regiões do país entre 2019 e 2025. As regiões Norte (R$ 1.558,00) e Nordeste (R$ 1.470,00) registraram os menores rendimentos médios do país, mantendo distância significativa em relação às demais regiões brasileiras. A região Sul apresentou o maior rendimento médio domiciliar per capita do país em 2025, alcançando R$ 2.734,00, seguida por Centro-Oeste (R$ 2.712,00) e Sudeste (R$ 2.669,00), todas acima da média nacional.
Analisando a composição do rendimento médio mensal real domiciliar per capita, no Norte, todos os trabalhos correspondem a 76,2% do rendimento e aposentadoria e pensão correspondem a 13%, a menor proporção entre as regiões. Programas sociais do governo correspondem a 7,5% do rendimento médio mensal. As regiões Norte e Nordeste (8,8%) possuem a maior participação de programas sociais na composição do rendimento, enquanto Nordeste possui a maior participação de aposentadoria e pensão (20,4%) na composição do rendimento médio mensal.
Programas sociais
Os programas sociais do governo mantiveram participação relevante na composição da renda domiciliar das famílias brasileiras em 2025. A proporção de domicílios que receberam rendimentos provenientes de programas sociais permaneceu acima dos níveis observados antes da pandemia. As regiões Norte (7,5%) e Nordeste (8,8%) registraram os maiores percentuais de domicílios beneficiados.

No Norte, 31,6% dos domicílios recebem Bolsa Família, o segundo maior percentual do país, atrás apenas de Nordeste (32,4%). O BPC-Loas esteve presente na renda de 7,3% dos domicílios no Norte e 7,7% do Nordeste. Ao todo, 38,8% dos domicílios da região Norte recebiam algum tipo de auxílio de programa social.
Os dados mostram que os programas sociais continuam exercendo papel importante na complementação da renda das famílias, sobretudo nas regiões historicamente mais vulneráveis do país.
