O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) participou, nos dias 15 e 16 de dezembro, de reunião interinstitucional do Projeto Carbono Suruí, iniciativa pioneira do povo Paiter Suruí, realizada no município de Cacoal (RO). A atuação ocorreu no âmbito da Secretaria-Executiva da Comissão Nacional para REDD+ (CONAREDD+), com apoio estratégico do Projeto Floresta+ Amazônia.
A analista ambiental do MMA e representante da CONAREDD+, Rafaela Borges, destacou que a parceria fortalece o protagonismo indígena na proteção da floresta, ao integrar conhecimento tradicional, políticas públicas e instrumentos de REDD+ para soluções climáticas duradouras. Ela lembrou a aprovação da Resolução nº 19/2025, que estabelece diretrizes de salvaguardas para projetos de REDD+ em territórios indígenas e comunidades tradicionais, ressaltando a importância de conhecer de perto a experiência dos Paiter Suruí para aprimorar as políticas públicas.
O Projeto Floresta+ Amazônia contribui para a implementação da Estratégia Nacional para REDD+ (ENREDD+), cujo objetivo é mitigar a mudança do clima por meio da redução do desmatamento ilegal, conservação e recuperação da vegetação nativa e desenvolvimento de instrumentos financeiros que gerem benefícios sociais, econômicos e ambientais.
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Povo Paiter Suruí e o projeto de carbono

Mais de 1.564 pessoas vivem na Terra Indígena Sete de Setembro, entre Rondônia e Mato Grosso, com 248.146 hectares. A comunidade desenvolve atividades econômicas por cooperativas e associações, como café especial, castanha-da-amazônia, turismo, banana e cacau.
Iniciado em 2009, o Projeto de Carbono Florestal Paiter Suruí foi uma das primeiras ações de REDD+ da Amazônia. Após suspensão em 2018, a iniciativa foi retomada em 2024 pela Associação Metareilá, com maior articulação comunitária e novas parcerias. Um amplo processo de Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) percorreu 37 das 38 aldeias do território.
O líder indígena Almir Suruí destacou a importância do intercâmbio e das parcerias para fortalecer o diálogo e fazer a política pública chegar às comunidades. A Funai, integrante das discussões da CONAREDD+, apoiou a atividade e ressaltou a necessidade de processos participativos, garantindo informação qualificada e o cumprimento dos requisitos legais.
Para 2026, o projeto prevê a escolha do padrão de certificação, auditoria, certificação e posterior comercialização de créditos de carbono, com foco em gerar renda e investimentos para iniciativas lideradas pela própria comunidade.
Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima