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Produção de Robusta Amazônico de Rondônia recebe reconhecimento nacional e internacional

Produtores de Rondônia transformam o robusta amazônico em símbolo de qualidade, sustentabilidade e geração de renda no campo

Foto: Secom Rondônia

A produção de café em Rondônia vive uma das maiores transformações na história da agricultura no país. O que antes era visto apenas como um café robusta comum, destinado principalmente ao mercado interno para baratear blends (misturas) e para a indústria de cafés solúveis, hoje ganha reconhecimento nacional e internacional pela qualidade e sustentabilidade. Resultado de investimentos em pesquisa, tecnologia e políticas públicas de apoio ao produtor rural, os Robustas Amazônicos passaram a conquistar prêmios, abrir portas em mercados exigentes e impulsionar a economia de milhares de famílias no campo. A nova fase consolida Rondônia como referência na produção de cafés especiais da Amazônia.

A transformação da cafeicultura em Rondônia também está diretamente ligada às políticas públicas voltadas ao fortalecimento do setor. O governo do Estado tem investido em iniciativas que estimulam a produtividade, a qualidade e a sustentabilidade da produção, como:

  • Distribuição de mudas clonais de alta produtividade
  • Assistência técnica especializada ao produtor rural
  • Apoio à pesquisa e inovação
  • Realização de concursos de qualidade
  • Incentivo à participação em feiras e eventos do setor
  • Estímulo à exportação do café rondoniense

Programas estaduais e parcerias com instituições de pesquisa e extensão rural têm contribuído para modernizar a produção e ampliar o acesso dos produtores às tecnologias disponíveis.

QUALIDADE RECONHECIDA DENTRO E FORA DO BRASIL

Além do aumento da produção, o café produzido em Rondônia passou a conquistar reconhecimento nacional e internacional pela qualidade. Os Robustas Amazônicos vêm se destacando em concursos e eventos especializados, consolidando o estado no mapa dos cafés especiais.

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Foto: Secom/RO

 

Esse reconhecimento pode ser observado em algumas premiações importantes da cafeicultura brasileira, como o Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Café de Rondônia (Concafé), considerado o maior concurso de café robusta do Brasil. Realizado pelo governo de Rondônia, o concurso é uma premiação estadual que tem impulsionado a qualidade dos Robustas Amazônicos e dado visibilidade aos produtores, sendo fundamental para preparar e projetar o café rondoniense para conquistas em premiações nacionais e internacionais, como as que serão destacadas a seguir:

2025

  • Coffee of the Year 2025: 2º lugar na categoria Canéfora
  • Florada Premiada: 1º e 2º lugares na categoria de café robusta no maior concurso feminino de café do Brasil.

2024

  • Florada Premiada: 1º, 2º e 3º lugares na categoria Canéfora
  • Concurso Tribos 2024 (Nota 100): O Cacique Rafael Suruí, da Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal, recebeu pela 1ª vez na história, nota máxima de 100 pontos a um café canéfora.

2023

  • Florada Premiada: 1º e 2º lugares na categoria Canéfora
  • Coffee of the Year 2023: 2º lugar nesta competição nacional

Segundo o titular da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec), Celio dos Santos Ferreira, o avanço da cafeicultura rondoniense também pode ser observado no desempenho das exportações nos últimos anos, refletindo a valorização crescente dos Robustas Amazônicos no mercado global e a evolução da qualidade do café produzido no estado.

“Os números mostram um crescimento expressivo nas exportações de café de Rondônia, saindo de US$ 283 mil em 2022 para US$ 17,5 milhões em 2023 e atingindo US$ 130,9 milhões em 2024. Em 2025, registramos US$ 56,6 milhões, e essa redução não representa perda de mercado, mas sim um movimento positivo de fortalecimento do consumo interno”.

SUSTENTABILIDADE E IDENTIDADE AMAZÔNICA

Outro fator que fortalece a reputação do café rondoniense é a sustentabilidade da produção. A região das Matas de Rondônia, principal polo cafeeiro do estado, possui reconhecimento por sua identidade produtiva e características únicas do grão.

A área conta com Indicação Geográfica, do tipo Denominação de Origem (DO), reforçando a qualidade do café produzido na região. Estudos indicam que grande parte das propriedades mantém práticas sustentáveis e áreas preservadas, consolidando o café robusta amazônico como um produto alinhado às exigências ambientais do mercado internacional e compatível com as florestas.

CAFÉ GERA RENDA E DESENVOLVIMENTO NOS MUNICÍPIOS

A cafeicultura exerce papel fundamental na economia de Rondônia, sendo uma das principais atividades responsáveis pela geração de renda e desenvolvimento nos municípios do interior. Atualmente, cerca de 17 mil produtores rurais cultivam café no estado, sendo aproximadamente 90% pertencentes à agricultura familiar, o que reforça o caráter social e inclusivo da atividade.

Em muitas propriedades, o café representa a principal fonte de renda, impulsionando a economia local e contribuindo diretamente para a geração de empregos no campo. Estudos da Embrapa indicam que a produção de café é a atividade que proporciona a maior parte das receitas agropecuárias para 97,2% dos produtores entrevistados na região das Matas de Rondônia. Em seguida, aparecem atividades como pecuária de corte, fruticultura e produção de leite.

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Foto: Secom/RO

Além disso, a produção de café apresenta impacto financeiro: entre os produtores analisados na região das Matas de Rondônia, o faturamento anual em 2023 apresentou média de R$ 222,2 mil e mediana de R$ 125 mil por propriedade, evidenciando o potencial da atividade para promover melhoria de renda no campo. No cenário estadual, o setor também se destaca pelo seu peso econômico, com o Valor Bruto da Produção (VBP) estimado em R$ 3 bilhões em 2026, sendo o segundo maior VBP agrícola de Rondônia, atrás apenas da soja.

Esse conjunto de fatores demonstra que a cafeicultura vai além da produção agrícola, consolidando-se como uma das principais engrenagens do desenvolvimento econômico e social de Rondônia.

CAFÉ INDÍGENA ELEVA ROBUSTA AMAZÔNICO AO NÍVEL DE EXCELÊNCIA

Um dos marcos mais emblemáticos dessa evolução foi protagonizado pela cafeicultura indígena de Rondônia. Na 6ª edição do Concurso Tribos, o cacique Rafael Mopimop Suruí, da Terra Indígena Sete de Setembro, alcançou nota média de 95,11 pontos e recebeu a nota máxima de 100 pontos do jurado internacional Silvio Leite, um feito histórico para cafés canéforas.

O lote, considerado próximo da perfeição, destacou-se pela complexidade de sabores e qualidade excepcional, alcançando alto valor de mercado, com microlotes comercializados por quase R$ 4 mil o quilo. O resultado é fruto do Projeto Tribos, iniciativa que une protagonismo indígena, preservação da floresta e produção de cafés especiais, demonstrando que tradição, sustentabilidade e excelência podem caminhar juntas.