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Produção de motos em Manaus dobra em 10 anos e impulsiona novos investimentos

Setor está em expansão, com novos projetos em andamento e produção projetada acima de 2 milhões de unidades

Linha de produção da Yamaha | Foto: Yamaha

A indústria de Duas Rodas em Manaus entrou em um novo ciclo de expansão. Em dez anos, a produção mais do que dobrou e se aproxima da marca de 2 milhões de unidades, consolidando o Polo Industrial de Manaus (PIM) como principal base do setor no País e atraindo uma nova rodada de investimentos.

De 2016 a 2025, produção cresceu 123%, saltando de 887 mil unidades para 1,98 milhão de unidades em 2025— o terceiro maior volume da história.

Para este ano, a principal entidade que representa o setor projeta números ainda melhores. O diretor-executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Sergio Oliveira, fala em produção superior a 2 milhões de unidades.

“A indústria de duas rodas apresenta crescimento sustentável, e a tendência é que isso seja mantido nos próximos anos”, afirma.

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Sérgio Oliveira, diretor-executivo da Abraciclo/Foto: Abraciclo

 

A entidade reúne 11 fabricantes de motos que respondem por 93% da produção do Polo Industrial de Manaus (PIM): Bajaj, BMW, Dafra, Ducati, Harley-Davidson, Honda, JTZ, Kawasaki, Suzuki, Triumph e Yamaha, em ordem alfabética.

A questão é: o que faz o PIM ser tão atrativo para os investidores? A resposta passa, claro, pelos incentivos fiscais dos governos federal e estadual, mas também pelo histórico de um polo consolidado.

Dados recentes da Abraciclo apontam para 26 fabricantes de motocicletas — além de outros 15 de bicicletas. Para quem não está familiarizado com a indústria amazonense, o polo de Duas Rodas reúne fabricantes de motos, bicicletas, motonetas e ciclomotores.

Juntas, essas empresas faturaram R$ 44 bilhões no ano passado, crescimento de 23% em relação a 2024, segundo indicadores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Para efeito de comparação, o setor eletroeletrônico — o maior da Zona Franca de Manaus (ZFM) — cresceu 2,6% no mesmo período.

E os dados positivos não param aí. Análise da revista PIM Amazônia sobre os projetos apresentados pelas empresas ao Conselho de Desenvolvimento do Amazonas (Codam) revela um novo ciclo de expansão.

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Foto: Divulgação/Bajaj

 

De 2024 a 2026, foram pelo menos sete projetos de implantação e oito de diversificação apresentados ao Estado para obtenção de incentivos fiscais. Nesse movimento, estão investimentos de empresas como Hero MotoCorp, Royal Enfield, Dafra, Faciliti Motors e Bajaj.

Para Sergio Oliveira, a presença de novos players contribui para fortalecer o setor, mas exige cautela. “A entrada de novos fabricantes fortalece a competitividade do setor e o ambiente industrial. Nesse sentido, novos players são sempre bem-vindos, desde que atendam a todos os requisitos técnicos e legais para a produção local”, afirma.

Empregos crescem

Impulsionado pelo aumento das receitas, o setor de Duas Rodas vem registrando crescimento no número de empregos. Em 2025, a indústria em Manaus chegou a 26,2 mil postos de trabalho, incluindo mão de obra efetiva, temporária e terceirizada.

Desde 2020, quando contava com 16,4 mil trabalhadores, o polo avançou 59% na geração de empregos.

O anúncio bilionário da Honda

Maior fabricante de motos do País, a Honda registrou crescimento de 14% nos emplacamentos no ano passado, com mais de 1,4 milhão de unidades vendidas entre janeiro e dezembro.

O resultado marcou o quarto ano consecutivo em que a empresa superou a marca de 1 milhão de unidades comercializadas no Brasil.

Com presença histórica em Manaus, a companhia sinaliza confiança no parque fabril amazonense e no mercado brasileiro. Em outubro de 2025, anunciou investimento de R$ 1,6 bilhão até 2029.

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Foto: Divulgação/Abraciclo

Segundo a empresa, o aporte permitirá ampliar a capacidade produtiva da fábrica instalada em Manaus para 1,6 milhão de motocicletas por ano, além de viabilizar o lançamento de novos modelos e a modernização dos processos industriais.

Entre os modelos mais vendidos estão a CG 160, com mais de 478 mil unidades comercializadas, seguida pela Biz, com cerca de 258 mil, e pela Pop 110i ES, com mais de 236 mil unidades.

A fabricante também atingiu um marco histórico ao alcançar 32 milhões de motocicletas produzidas na fábrica de Manaus, número registrado no ano em que celebrou 50 anos de produção no Brasil.

A unidade de Manaus é responsável por toda a produção da marca no País. Atualmente, cerca de 6.500 motocicletas são produzidas por dia, em 20 modelos com cilindradas entre 110 cc e 1.100 cc. Parte da produção é destinada ao mercado externo, com exportações para mais de 15 países.

Em 2025, a produção da empresa em Manaus superou 1,5 milhão de unidades, resultado 17% superior ao registrado no ano anterior e o melhor desempenho desde 2011, quando foram fabricadas 1,69 milhão de motocicletas.

A fábrica também tem papel relevante na economia regional. A unidade emprega mais de 9 mil trabalhadores diretos e movimenta uma ampla cadeia produtiva, com cerca de 120 fornecedores diretos, além de milhares de empregos indiretos.

Varejo registra recorde de vendas

Se a indústria teve o que comemorar em 2025, isso se explica, em grande parte, pela expansão do mercado. No ano passado, o número de emplacamentos chegou a 2,1 milhões, o melhor desempenho da história, segundo a Abraciclo.

Para o economista Mourão Júnior, o desempenho do setor está ligado a fatores macroeconômicos, como a taxa de juros, o nível de endividamento das famílias e o crescimento da economia.

Segundo ele, a venda de motocicletas depende diretamente do acesso ao crédito, já que grande parte das compras é feita por meio de financiamento. “Se os juros estão altos, a tendência é que o consumidor adie a compra da moto”, explica.

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Morão Júnior, economista/Foto: Arquivo Pessoal

 

O economista destaca ainda que a expectativa de redução da Taxa Selic ao longo de 2026 pode estimular o mercado. Ao mesmo tempo, o nível de endividamento das famílias influencia a capacidade de financiamento.

Apesar desses fatores, Mourão Júnior avalia que a demanda por motocicletas tende a continuar forte, principalmente pela necessidade de mobilidade. Segundo ele, muitas pessoas que não conseguem adquirir um carro optam pela motocicleta, uma alternativa mais acessível e prática para o deslocamento diário.

Exportações e tecnologia

A exportação de motocicletas ainda representa uma parcela pequena da produção brasileira, já que a maior parte é destinada ao mercado interno. Em 2025, as exportações somaram 35.104 unidades, volume 12,5% superior ao registrado em 2024, segundo a Abraciclo.

Para Mourão Júnior, há potencial para ampliar as vendas externas, especialmente para países da América do Sul e Central. “Houve um período em que o Brasil exportava muito bem para a Argentina, por exemplo”, afirma.

Por ora, os esforços estão concentrados no mercado interno, impulsionado pela demanda por mobilidade e pelo aumento da renda.

O economista também aponta que o setor começa a olhar com mais atenção para novas tecnologias, como as motocicletas elétricas, que podem abrir novas oportunidades.

Mas a própria Abraciclo adota postura cautelosa. “Há espaço para expansão (da eletrificação). No entanto, ao tratar da descarbonização do setor, é importante considerar que existem diferentes alternativas tecnológicas, além da eletrificação”, afirma Sergio Oliveira.

Segundo o executivo, 64% da produção nacional de motocicletas já conta com motorização bicombustível, tecnologia desenvolvida no Brasil.

Produção em 2026

O presidente da Abraciclo destacou o bom momento do setor. “O desempenho do primeiro bimestre reforça o bom momento vivido pela indústria de motocicletas. O setor mantém um ritmo consistente de produção, alinhado ao planejamento das fabricantes e impulsionado pela demanda do mercado”, afirmou o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, em comunicado.

Producao em 2026