Economia
Conflito no Oriente Médio eleva pressão sobre combustíveis no Brasil
Alta do petróleo no cenário internacional amplia defasagem nos preços praticados pela Petrobras, enquanto setor do agronegócio defende aumento da mistura de biodiesel para reduzir dependência externa
Aumentos nos postos refletem a volta na cobrança do ICMS sobre os combustíveis, explica a Endered Brasil (Foto José Cruz/Agência Brasil)
O mercado brasileiro de combustíveis reage às tensões geopolíticas no Oriente Médio, que elevaram o preço internacional do barril de petróleo e ampliaram a pressão por reajustes nos valores praticados nas refinarias da Petrobras. Ao mesmo tempo, o cenário reacendeu o debate sobre a ampliação da mistura obrigatória de biodiesel no diesel vendido no país.
Na quarta-feira (4/3), três Frentes Parlamentares ligadas ao agronegócio divulgaram um manifesto defendendo a elevação da mistura de biodiesel para 16% (B16). Segundo o setor, a medida pode reduzir a dependência de importações de combustíveis e diminuir a exposição do país às variações cambiais.
A proposta já está prevista na chamada Lei do Combustível do Futuro, mas ainda depende de decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para entrar em vigor.
Enquanto isso, refinarias privadas e importadores de combustíveis relatam prejuízos, alegando que os preços praticados pela Petrobras para diesel e gasolina estão abaixo das cotações internacionais. Dados da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) indicam que a defasagem é mais acentuada no diesel, combustível do qual o Brasil depende mais do mercado externo.
Segundo a entidade, o diesel vendido pela estatal estava cerca de 42% abaixo do preço internacional no fechamento de terça-feira (3/3), o que representaria a necessidade de um reajuste de aproximadamente R$ 1,37 por litro. A Petrobras não altera o preço do diesel desde maio de 2025.
No caso da gasolina, a defasagem estimada era de 18%, equivalente a cerca de R$ 0,45 por litro. O combustível teve reajuste no fim de janeiro, quando a estatal reduziu os preços em 5,2%.
Atualmente, o Brasil importa cerca de 600 mil barris por dia de derivados de petróleo para suprir aproximadamente 20% da demanda nacional, especialmente de diesel. Como a Petrobras responde por cerca de 60% do abastecimento do mercado interno, seus preços acabam servindo como referência para refinarias privadas.

Evaristo Pinheiro, presidente da Refina Brasil, entidade que representa refinarias privadas no país
De acordo com Evaristo Pinheiro, presidente da Refina Brasil, entidade que representa as refinarias privadas, o setor enfrenta dificuldades para manter a produção diante da diferença de preços. Segundo ele, as empresas não podem operar indefinidamente com margens negativas.
A Petrobras, por sua vez, afirma que busca evitar a transferência imediata da volatilidade do mercado internacional para os consumidores brasileiros. Ainda assim, analistas avaliam que, caso os preços globais do petróleo se mantenham elevados, a estatal poderá ser pressionada a revisar seus valores.
Na quarta-feira (4/3), o petróleo Brent para entrega em maio encerrou o dia cotado a US$ 81,40 por barril, mantendo-se estável em relação ao pregão anterior.
