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Presença feminina em cargos estratégicos vai além de conquista individual, diz executiva

Mulheres representam 27,2% da força de trabalho no Polo Industrial de Manaus

Foto: Divulgação/CNI

Ocupar uma posição de liderança na indústria tem um significado que vai além da trajetória individual. Esta é a avaliação da diretora residente da FrioVix em Manaus, Alessandra Fragoso. Segundo ela, a presença feminina em cargos estratégicos também tem valor simbólico dentro de um setor historicamente marcado pela predominância masculina – o Polo Industrial de Manaus fechou o ano de 2025 com mais de 70% dos cargos ocupados por homens.

“Para mim, ocupar uma posição de liderança como mulher na indústria tem um significado muito especial. Não é apenas uma conquista individual, mas também uma representação de que o espaço está se ampliando”, destaca Fragoso.

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Alessandra Fragoso, Diretora residente na FrioVix Manaus

Esta importância também é compartilhada por Régia Moreira, diretora da Impram em Manaus. Segundo ela, a presença feminina em cargos de decisão também representa um avanço importante dentro das organizações.

“Cada mulher que ocupa um espaço de decisão mostra, na prática, que competência, sensibilidade e visão estratégica podem caminhar juntas”, afirma Moreira.

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Régia Moreira Leite, Diretora da Impram Manaus

Dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) indicam que, em 2025, o PIM teve, em média, 131.681 trabalhadores, entre efetivos, temporários ou terceirizados. Desse total, 35.830 eram mulheres, o que corresponde a 27,2% da mão de obra.

A participação feminina aparece bem em segmentos específicos da indústria local. Um exemplo está no setor de Duas Rodas, segundo maior setor em faturamento do PIM.

Segundo levantamento da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), o número de mulheres nas fábricas instaladas em Manaus mais que dobrou na última década. Em 2015, eram 1.511 trabalhadoras. Em 2024, o total chegou a 3.134, crescimento de 107%. Atualmente, elas representam 17% da força de trabalho nesse segmento.

Desafios e espaço nas lideranças

Alessandra afirma que a trajetória dentro do setor exige persistência. “Em setores industriais, que historicamente têm uma presença masculina maior, às vezes precisamos provar nossa capacidade mais de uma vez. Mas acredito que os desafios também nos fortalecem”, destaca.

A presença feminina também começa a aparecer em cargos de gestão, embora ainda de forma gradual. Para a psicóloga Cintia Lima, da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-AM), mudanças na forma como as empresas enxergam diversidade têm influenciado esse cenário.

“Hoje existe, sem dúvida, uma maior abertura e um movimento mais consciente das organizações para promover a equidade de gênero. Muitas empresas passaram a olhar de forma mais estratégica para a diversidade como parte da sustentabilidade do negócio”, afirma Cintia.

 

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Cintia Lima – Psicóloga, Mentora de Lideres e Palestrante

Nesse contexto, a diretora da Impram em Manaus, Régia Moreira, avalia que a diversidade nas posições de liderança contribui para ambientes corporativos mais equilibrados e inovadores.

“Eu acredito que liderança não tem gênero, mas diversidade na liderança faz toda a diferença. Quando homens e mulheres participam juntos das decisões, as organizações ficam mais inovadoras, mais equilibradas e mais preparadas para os desafios do futuro”, afirma.

Apesar disso, a participação feminina ainda diminui nos níveis mais altos da estrutura corporativa, principalmente em posições executivas ou de direção.

Desafios ainda persistem

O presidente da ABRH-AM, Francisco de Assis, afirma que a presença feminina na liderança ainda está distante de um equilíbrio, sobretudo em posições executivas e de direção.

“O movimento de ocupação de cargos de liderança por mulheres tem crescido nos últimos anos no Brasil e no Polo Industrial de Manaus. Acreditamos que esse movimento continuará a crescer nos próximos anos, mas ainda muito baixo nos cargos de alta direção”, ressaltou Assis.

Trajetórias como as de Alessandra e Régia mostram que os espaços de liderança podem ser ampliados dentro da indústria, contribuindo para ambientes corporativos mais diversos e plurais.

“A diversidade nas lideranças traz novas perspectivas para a tomada de decisão. Mulheres costumam contribuir muito com visão colaborativa, sensibilidade para gestão de pessoas e uma abordagem estratégica que equilibra resultado e relacionamento”, destaca Alessandra.

“Quando as empresas proporcionam este espaço para que talentos — independentemente de gênero — possam florescer, todos ganham!”, conclui Régia.