Inovação
Polo Industrial de Manaus recebe maior treinamento de defesa cibernética da América Latina
Parceria entre Cieam, UEA e Exército mobiliza indústrias para treinamento inédito que fortalece a resiliência tecnológica do setor produtivo
7° Exercício Guardião Cibernético |
Ataques cibernéticos deixaram de ser uma preocupação restrita às grandes empresas de tecnologia. Atualmente, representam um dos principais riscos para a continuidade das operações industriais em todo o mundo, afetando cadeias de produção, sistemas logísticos, infraestrutura crítica e a segurança de informações estratégicas. Nesse cenário, a indústria amazonense começa a se mobilizar para fortalecer sua proteção frente a essas ameaças.
A Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (EST/UEA), o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) e o Exército Brasileiro firmaram, neste mês, uma parceria para mobilizar empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) para o Exercício Guardião Cibernético (EGC 8.0), considerado o maior treinamento de defesa cibernética da América Latina.
Promovido pelo Comando de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro (ComDCiber), o EGC 8.0 ocorrerá na capital amazonense entre os dias 21 e 25 de setembro de 2026, na EST/UEA. Será a primeira vez que Manaus integrará a rede nacional de hubs do treinamento, que conta com outras seis cidades brasileiras, e cuja última edição reuniu participantes de 20 países.

O evento busca integrar Forças Armadas, governos, empresas e academia em ações de treinamento e simulação voltadas à proteção das infraestruturas críticas nacionais, como energia, finanças e telecomunicações. A ideia é estimular o desenvolvimento de capacidades técnicas e a troca de conhecimentos em segurança digital, fortalecendo a integração entre academia, setor produtivo e governo.
De acordo com o diretor da EST/UEA, Prof. Dr. Jucimar Silva Júnior, a iniciativa representa uma oportunidade inédita para que as indústrias do Amazonas fortaleçam sua capacidade de resposta diante de incidentes digitais, em um contexto em que a transformação digital amplia a produtividade, mas também expõe as empresas a novos riscos.
“O Polo Industrial de Manaus reúne empresas que operam tecnologias altamente sofisticadas e conectadas. A segurança desses sistemas deixou de ser apenas uma questão de tecnologia e passou a ser uma questão de competitividade, continuidade dos negócios e proteção de ativos estratégicos. O EGC cria um ambiente de aprendizado e cooperação para que todos evoluam juntos”, explica o professor.
A mobilização tem o apoio do Cieam, que atua junto às empresas associadas para ampliar a participação do setor produtivo no EGC 8.0. Durante o treinamento, as empresas poderão inscrever equipes técnicas para atuar em ambientes de simulação, conhecer protocolos de resposta a incidentes, trocar experiências com especialistas de diferentes áreas e apresentar soluções voltadas à proteção de sistemas críticos.
“Mais que um treinamento, o EGC 8.0 busca consolidar uma cultura de prevenção. Para um parque industrial altamente automatizado e cada vez mais conectado, como é o PIM, a preparação para enfrentar ameaças digitais se torna um diferencial estratégico para garantir competitividade, confiabilidade e continuidade operacional nas empresas aqui instaladas”, analisa o diretor da EST/UEA.
Parceria

Em junho deste ano, a UEA e o Exército Brasileiro assinaram um Termo de Cooperação Técnica com o objetivo de desenvolver ações conjuntas na área de defesa cibernética. O acordo que oficializou a EST/UEA como hub regional de Manaus do EGC 8.0 foi firmado entre o reitor da UEA, Prof. Dr. André Zogahib, e o comandante do ComDCiber, general de divisão Jacy Barbosa Júnior, além de representantes do Comando Militar da Amazônia (CMA).
“A junção da credibilidade que o Exército possui com a credibilidade de uma instituição de ensino ajuda a trazer todos os setores para conversar de forma mais aberta. A UEA é um local de conhecimento e de troca de experiências. Foi uma aproximação natural, e ficamos muito felizes com a receptividade que tivemos para trazer essa discussão para cá”, destacou o comandante, na ocasião.
A programação do EGC 8.0 inclui simulações de ataques digitais e incidentes em infraestruturas críticas de instituições públicas e privadas. Entre os setores contemplados estão energia, águas, telecomunicações, transportes, finanças e governo digital, além das áreas de biossegurança e bioproteção.
“Quando um setor desses — água, energia ou transportes — entra em colapso, ele impacta a segurança das pessoas e até mesmo a soberania nacional. Hoje, enxergamos que as infraestruturas críticas dependem de todo o setor industrial e de serviços. E Manaus, logicamente, é o grande polo da região Norte e não poderia ficar fora dessa discussão”, concluiu o comandante.
Cibersegurança
Para o reitor da UEA, a realização do EGC 8.0 na EST também fortalece a área de cibersegurança, que já vem sendo desenvolvida pela instituição nos últimos anos por meio de projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Um exemplo é o projeto Demerzel, realizado em parceria com a empresa Motorola para desenvolver soluções de cibersegurança com Inteligência Artificial (IA) para dispositivos móveis.
“Trabalhar dentro de uma atividade como a cibersegurança, com uma equipe que já temos consolidada e com projetos desenvolvidos nessa área, ratifica o compromisso institucional da UEA em produzir conhecimento e contribuir com a proteção do Amazonas, da Amazônia e do Brasil em temas sensíveis e estratégicos. Nossa universidade conta com docentes, técnicos e estudantes que atuam nesse campo há muitos anos”, afirmou Zogahib.
