Economia
O que vai acontecer com a oferta de petróleo após os EUA invadirem a Venezuela?
Opep mantém estratégia e especialistas demonstram ceticismo com alta relevante na produção venezuelana no curto prazo
A oferta global de petróleo deve demorar a sentir eventuais impactos da invasão dos Estados Unidos à Venezuela e da sinalização do presidente Donald Trump sobre um possível retorno de empresas norte-americanas à produção no país caribenho. Apesar de a extração venezuelana ocorrer majoritariamente em terra e águas rasas — o que, em tese, facilitaria a retomada — especialistas demonstram ceticismo quanto à recuperação no curto prazo, diante da deterioração dos ativos, da escassez de investimentos e da instabilidade política.
O ceticismo também se refletiu na decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), que optou por manter a pausa nos aumentos de produção entre janeiro e março de 2026, sinalizando que o cartel não prevê grandes disrupções na oferta global no primeiro trimestre. Em novembro, a Venezuela chegou a pedir apoio ao grupo contra ações dos EUA, sem obter resposta.
Atualmente, a única grande petroleira global presente na Venezuela é a Chevron. Outras empresas deixaram o país após prejuízos com nacionalizações, um dos argumentos citados por Trump ao afirmar que propriedades norte-americanas teriam sido “roubadas”. Além disso, o petróleo pesado produzido no país tem demanda restrita a refinarias específicas, o que limita sua competitividade.
Para o Brasil, o cenário abre oportunidades e riscos. No curto prazo, o país pode se beneficiar ao ocupar parte do espaço deixado pela redução das exportações venezuelanas para a China, embora analistas ressaltem que essa tendência não é garantida. A movimentação dos EUA também reforça um retorno ao intervencionismo na América do Sul, com possíveis reflexos nas negociações comerciais e energéticas da região.
No mercado internacional, a expectativa é de uma alta pontual nos preços do petróleo, impulsionada pelo aumento do risco geopolítico. No entanto, analistas avaliam que o movimento tende a ser breve, já que o mercado segue marcado por perspectiva de sobreoferta. Antes dos ataques, o barril do Brent para março era negociado a US$ 60,75.
Leia mais: União acerta repasse de R$ 115 milhões a Roraima por gastos com migração venezuelana
Outros movimentos relevantes do setor:
-
A Petrobras iniciou a produção da plataforma P-78, no campo de Búzios (pré-sal da Bacia de Santos), com capacidade de 180 mil barris/dia de petróleo e 7,2 milhões de m³/dia de gás.
-
O Brasil entrou em 2026 com alta nos preços do diesel, gasolina e gás de cozinha, após reajuste das alíquotas de ICMS, com impacto direto na inflação e no bolso do consumidor.
-
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) anunciou a devolução de seis andares de um prédio no centro do Rio de Janeiro como parte de um plano de redução de custos.
-
Avançaram projetos de infraestrutura, como o Gasoduto do Brasil Central, após nova Licença de Instalação emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
-
Nos Estados Unidos, a produção de etanol cresceu 2,28% na última semana de dezembro, segundo a Administração de Informação de Energia (EIA).
-
Em São Paulo, falhas automáticas provocaram o desligamento de 115 megawatts de carga elétrica no primeiro dia do ano, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Fonte: Eixos
