Economia
Número de MEIs no Amazonas cresce 101% em 6 anos, aponta Jucea
Crescimento na formalização a partir da pandemia reforça o trabalho por conta própria
O número de microempreendedores individuais (MEIs) no Amazonas dobrou nos últimos seis anos, de acordo com dados da Junta Comercial do Estado (Jucea). Os registros saltaram de 24 mil, em 2019, para 49 mil em 2025, um crescimento de 101%.
O avanço ocorreu principalmente no período pós-pandemia, quando o trabalho informal e o autoemprego se tornaram alternativa diante da dificuldade de recolocação no mercado formal.
Para a economista Angelina Kaori, o aumento indica mais uma estratégia de sobrevivência do que, necessariamente, novos negócios estruturados. “De forma analítica, o aumento do número de MEIs indica predominantemente uma resposta defensiva ao desemprego e à escassez de oportunidades no mercado formal”, explica.

Economista Angelina Kaori
Ela avalia, ainda, que o “comportamento agregado sugere que o regime tem funcionado mais como uma válvula de escape do mercado de trabalho do que como uma escolha voluntária em contraposição ao regime celetista”.
Uma análise junto aos tipos de negócios abertos aponta uma concentração no comércio. Segundo a economista, a concentração neste segmento e em serviços de baixa barreira de entrada reforça esse perfil, com negócios de menor produtividade.
Perfil mais diversificado
Os dados também mostram mudança no tipo de atividade ao longo do período analisado. Em 2019, metade dos MEIs atuava no comércio. Hoje, o setor ainda lidera, mas caiu para 36% dos registros, enquanto serviços e ocupações individuais ganharam espaço.
A diversificação reflete tanto novas demandas do mercado quanto a busca por alternativas de renda.
Teto maior e novas regras no radar
O crescimento do MEI coincide com discussões no Congresso para elevar o limite de faturamento anual da categoria de R$ 81 mil para R$ 150 mil. A proposta ainda está em análise.
Para Angelina Kaori,, a medida pode estimular a expansão dos negócios, mas exige regras de transição para evitar que empreendedores fiquem “presos” ao regime simplificado.
Além disso, a reforma tributária deve trazer novas obrigações. A partir de 2027, por exemplo, o MEI terá de emitir nota fiscal em todas as vendas.
Para o microempreendedor Gabriel Costa, a mudança exige preparo. “Quando o empreendedor faz tudo sozinho, qualquer mudança exige preparo, principalmente na hora de escolher o regime de tributação”, afirma.

Gabriel Costa, microempreendedor individual
Criado para facilitar a formalização, o MEI segue como porta de entrada para pequenos negócios no estado. Mas o ritmo acelerado de crescimento mostra que ele também virou alternativa para quem busca renda em um mercado de trabalho mais instável.
Gabrielle Oliveira – estagiária sob a supervisão de Jhemisson Marinho
