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Nordeste lidera vendas de motocicletas no Brasil em 2025 pela primeira vez, aponta Abraciclo

País registra mais de 2 milhões de unidades vendidas e Polo de Manaus amplia empregos e faturamento

Divulgação/Honda

O mercado brasileiro de motocicletas encerrou 2025 com mais de 2 milhões de unidades emplacadas, ou seja, vendidas e registradas para circulação. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), nesta quinta-feira (15/01), e mostraram que pela primeira vez a Região Nordeste superou o Sudeste em volume de vendas, consolidando um novo perfil regional do consumo no país.

Em coletiva, o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, e o vice-presidente do segmento de bicicletas, Fernando Rocha, detalharam os resultados do setor de bicicletas e motocicletas em 2025 e apresentaram comparativos com 2024.

No mercado de motocicletas, Marcos Bento destacou que o varejo registrou recorde histórico de vendas, com 2.197.851 unidades emplacadas em 2025, alta de 17,1% em relação a 2024, quando foram registradas 1.876.427 unidades. O crescimento absoluto foi de 321.424 motocicletas no comparativo anual, segundo dados do Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam).

A demanda foi consistente em todas as regiões do país, com destaque para o Nordeste, que respondeu por 33,1% das vendas, seguido pelo Sudeste (32,7%), Norte (13,1%), Sul (11,9%) e Centro-Oeste (9,2%). A Região Norte somou 288,3 mil unidades comercializadas, reforçando a importância do consumo regional para sustentar a produção concentrada no Amazonas.

De acordo com o presidente da Abraciclo, estes dados indicam que, pela primeira vez, a Região Nordeste ultrapassou o Sudeste em volume de vendas no mercado nacional de motocicletas.

Manaus concentra produção e gera empregos

O Polo de Duas Rodas instalado no PIM segue como o maior polo de produção de motocicletas fora do eixo asiático, com impacto direto na economia local e nacional. Em 2025, o número de empregos diretos no PIM chegou a 20,6 mil, frente a 18,7 mil em 2024. Em todo o país, o setor responde por mais de 150 mil empregos diretos.

O faturamento do polo, no período de janeiro a novembro de 2025, alcançou R$ 41,6 bilhões, crescimento de 23% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. A capacidade produtiva instalada é de 2 milhões de motocicletas por ano e 500 mil bicicletas por ano, o que mantém Manaus como centro estratégico da indústria de duas rodas no Brasil.

Exportações avançam

As exportações de motocicletas também apresentaram desempenho positivo em 2025. A Argentina liderou como principal destino, com crescimento de 31%, passando de 12,9 mil unidades em 2024 para 16,9 mil em 2025. A Colômbia aparece em segundo lugar, com alta de 32,8%, enquanto os Estados Unidos registraram retração de 18%. A Austrália teve o maior avanço percentual, com crescimento de 111,1%, ainda que em volumes menores.

Entre as categorias exportadas, o segmento Trail liderou, com 51,6% de participação, seguido por Off-Road (45,4%) e Scooters (2,9%).

E-bikes ganham espaço

No segmento de bicicletas, a produção em 2025 atingiu 335.560 unidades, superando a projeção inicial de 320 mil unidades e representando um crescimento de 4,9% acima do previsto. O destaque ficou para as bicicletas elétricas, cuja produção saltou de 19,2 mil unidades em 2024 para 46,9 mil em 2025, alta de 144%. As e-bikes passaram a representar 14% do total produzido no ano.

A produção de bicicletas ficou concentrada principalmente no Sudeste (55,5%), seguido pelas regiões Sul (15,5%), Nordeste (12,5%), Centro-Oeste (10%) e Norte (6,5%).

Cenário e expectativas 2026

Para 2026, a Abraciclo avalia que o setor deve enfrentar um ambiente mais desafiador, marcado por incertezas no cenário internacional e por fatores macroeconômicos no Brasil. Segundo o presidente Bento, questões logísticas globais, o avanço de políticas protecionistas e a manutenção da taxa Selic em patamar elevado exigem atenção redobrada da indústria.

“A gente tem um cenário macroeconômico da taxa Selic ainda alta, o que faz pressão sobre a inflação, um crescimento moderado do PIB e um ano de 2026 extremamente desafiador para a indústria e o comércio”, afirmou.

Ele também destacou que o calendário de 2026 tende a impactar a atividade econômica.

“Nós teremos muitos feriados prolongados, a Copa do Mundo e eleições majoritárias, o que afeta o nosso calendário”, completou. No caso do Amazonas, o presidente ressaltou a importância do acompanhamento da logística regional. “Temos que continuamente ficar de olho na nossa logística no Amazonas, principalmente no monitoramento do nível dos rios”, disse.

Apesar do cenário desafiador, a entidade vê oportunidades sustentadas pela demanda aquecida registrada em 2025. O emplacamento de 2025 se mostrou positivo, mostrando um cenário positivo na demanda de motocicleta, principalmente pelos atributos como economia, mobilidade urbana e uso profissional.

O presidente também afirmou que o setor segue investindo em tecnologia e ampliação da capacidade produtiva para este ano.

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