Economia
Ampliação do Minha Casa Minha Vida deve impulsionar mercado imobiliário de Manaus
Capital já movimentou R$ 3,1 bilhões em 2025, com crescimento de 24,2% nas vendas de imóveis novos
Apresentação do gráfico de empreendimentos lançados |
Conselho Curador do FGTS aprovou a ampliação dos limites de renda e dos tetos de financiamento do programa Minha Casa, Minha Vida, medida que deve ampliar o acesso ao crédito habitacional e impulsionar o mercado imobiliário em todo o país.
A atualização eleva o limite de renda das famílias em todas as faixas do programa. A Faixa 1 passa de R$ 2.850 para R$ 3.200; a Faixa 2, de R$ 4.700 para R$ 5.000; a Faixa 3, de R$ 8.600 para R$ 9.600; e a Faixa 4, voltada à classe média, chega a R$ 13 mil mensais.
Além disso, também houve aumento no valor máximo dos imóveis financiados. Na Faixa 3, o teto sobe de R$ 350 mil para R$ 400 mil, enquanto na Faixa 4 passa de R$ 500 mil para R$ 600 mil, ampliando as possibilidades de aquisição para as famílias.

Criado para facilitar o acesso à moradia, o programa Minha Casa, Minha Vida organiza os beneficiários por faixas de renda, oferecendo subsídios maiores para famílias de menor renda e condições de financiamento mais vantajosas, com juros reduzidos e uso de recursos do FGTS.
Para o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas (ADEMI-AM), Henrique Medina, a medida representa uma conquista importante do setor e atende a uma demanda antiga das entidades da construção civil.
“É uma grande vitória. Esse é um pleito que já vinha sendo defendido junto ao Governo Federal, justamente porque o preço dos imóveis vinha aumentando, enquanto as faixas de renda estavam defasadas. Ao ampliar essas faixas, você volta a dar condições para que mais famílias possam financiar seus imóveis com acesso a melhores subsídios”, destacou.
Segundo ele, a mudança amplia significativamente o público atendido pelo programa.
“Você abre o leque e dá a possibilidade de muito mais famílias poderem ter acesso à condição máxima de subsídio. Muitas vezes o cliente tinha renda suficiente para financiar, mas ficava fora da faixa. Agora ele volta a se enquadrar”, afirmou.
A atualização das regras também foi resultado de articulação nacional das entidades do setor, como a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e a Associação Brasileira das Incorporadoras (Abrainc), junto ao Governo Federal, Ministério das Cidades, Caixa Econômica Federal e Conselho do FGTS.
“Esse é um trabalho amplo das entidades, que acompanham o mercado e entendem a necessidade de atualização das faixas. Ao mesmo tempo, é importante destacar a sensibilidade do Governo Federal em atender esse pleito”, completou Medina.

Presidente da ADEMI-AM, Henrique Medina | Foto: Divulgação
Na prática, a ampliação permite que famílias com aumento de renda continuem enquadradas no programa e tenham acesso a financiamento com juros mais baixos do que os praticados no mercado.
Mercado em alta e perspectiva de crescimento
O cenário é especialmente positivo em Manaus. Em 2025, o mercado imobiliário da capital amazonense movimentou R$ 3,168 bilhões em vendas de imóveis novos, registrando crescimento de 24,2% em relação a 2024, quando o volume foi de R$ 2,55 bilhões. O avanço absoluto foi de R$ 618 milhões em apenas um ano, consolidando um dos melhores desempenhos recentes do setor.
O segmento econômico, impulsionado pelo programa Minha Casa Minha Vida, foi protagonista dos lançamentos, representando mais de 90% dos empreendimentos no último trimestre do ano, o que reforça o papel estratégico do programa no desempenho do mercado local.
Para 2026, a expectativa é de continuidade no crescimento. A projeção do setor é de uma expansão em torno de 5% sobre o volume registrado em 2025, impulsionada, principalmente, pela ampliação das faixas de renda e das condições de financiamento.
“É uma notícia muito positiva, que já começa a refletir no mercado. A tendência é que as empresas ampliem seus lançamentos, trazendo mais produtos, especialmente para esse público que agora passa a ter mais acesso ao crédito. A expectativa é que 2026 seja ainda melhor que 2025”, avaliou Henrique Medina.
Crescimento com cautela
Apesar do cenário favorável, o presidente da ADEMI-AM ressalta a necessidade de atenção aos custos da construção civil, que seguem em alta.
“O setor enfrenta aumento nos custos, especialmente com a alta dos insumos da construção e do combustível. Já tivemos aumento no cimento e há tendência de elevação em outros materiais”, destacou.
Ainda assim, ele avalia que o impacto da medida deve prevalecer positivamente.
“O aumento das faixas de renda e dos subsídios ajuda a compensar esse cenário. É um momento positivo para o setor, mas que exige equilíbrio e planejamento”, concluiu.
