Infraestrutura
Marina Silva diz que é possível reconstruir BR-319, mas obra segue sem definição
Ministra reafirma exigências ambientais e reforça impasse sobre rodovia estratégica para a economia do Amazonas
Marina condiciona avanço a governança ambiental. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que a reconstrução da BR-319 é possível, mas voltou a condicionar o avanço da obra a exigências ambientais e de governança, mantendo a indefinição sobre o futuro da rodovia. “Se fizer com governança, com sustentabilidade, é possível fazer”, disse, reiterando posição já defendida há anos.

Marina condiciona avanço a governança ambiental. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Ligação entre Manaus e Porto Velho, a BR-319 é considerada estratégica para reduzir custos logísticos e integrar o Amazonas ao restante do país. Inaugurada nos anos 1970 e abandonada na década seguinte, a estrada tornou-se um dos principais gargalos da economia regional.
Apesar da pressão política pela recuperação, o projeto segue travado por entraves ambientais e judiciais. A ministra voltou a citar o histórico de descumprimento de condicionantes e defendeu a adoção de uma Avaliação Ambiental Estratégica e de mecanismos de controle para conter desmatamento e grilagem ao longo da via.
Ao reafirmar essas exigências, Marina mantém a linha do governo de vincular a obra a critérios rigorosos — o que, na prática, preserva o impasse entre a demanda por infraestrutura e as restrições ambientais.
Histórico
No ano passado, ao comentar os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a trechos da lei que trata do licenciamento ambiental, Marina Silva voltou a se posicionar sobre a pavimentação da BR-319, em meio ao embate sobre a concessão da licença para a obra.
A proposta vetada abriria espaço para o uso de instrumentos simplificados, como a Licença Ambiental por Adesão e Compromisso, o que poderia facilitar a retomada da rodovia.
A ministra afirmou, no entanto, que esse tipo de mecanismo não se aplica ao caso. Segundo ela, trata-se de um empreendimento de alto impacto ambiental, especialmente por atravessar uma área sensível da Amazônia.
“É um empreendimento de altíssimo impacto por ser no coração da Amazônia, ainda que seja legítima a demanda de ligar o estado de Rondônia ao estado do Amazonas”, disse.
