Logística
Manaus Moderna terá novo porto com investimento de quase R$ 900 milhões
Projeto do Dnit prevê dois tramos, quatro pontes móveis e estrutura para passageiros, cargas e embarcações de diferentes portes no Centro da capital
O Porto da Manaus Moderna deve receber uma nova estrutura federal para reorganizar o transporte fluvial de passageiros e cargas no Centro de Manaus. O projeto está na fase de elaboração do projeto básico e tem investimento previsto de R$ 875,9 milhões, dentro do Novo PAC.
A obra será implantada em uma área de aproximadamente 38 mil metros quadrados e prevê um projeto urbanístico e paisagístico.
Segundo o diretor de Infraestrutura Aquaviária do Dnit, Edme Tavares, a previsão é iniciar a etapa física da obra em setembro, com a cravação da primeira estaca.

“O Porto da Manaus Moderna vai ser o maior porto público fluvial de passageiros do mundo e porto de pequenas e médias cargas. Ele está na fase agora de elaboração do projeto básico, onde estão havendo muitas discussões com a área de projetos. A gente estima que em setembro a gente vai bater a primeira estaca”, afirmou Tavares à Revista PIM durante a TranspoAmazônia, em Manaus.
A obra mira uma área usada diariamente por passageiros, comerciantes, trabalhadores, operadores de embarcações e transportadores de cargas. A Manaus Moderna concentra parte importante da ligação fluvial entre a capital e o interior do Amazonas, além de operar em uma região de forte movimentação comercial.
Dois tramos e quatro pontes
O projeto prevê dois tramos com quatro pontes móveis, avançando em direção ao canal de navegação, um na Manaus Moderna e outro na Feira da Banana. A estrutura será dividida por tipo de operação. Um tramo será voltado a pequenas e médias embarcações. O outro atenderá embarcações médias e grandes.

Maquete eletrônica mostra a proposta de reorganização da Manaus Moderna | Foto: Divulgação
Segundo o Dnit, o dimensionamento levou em conta desde catraias até embarcações de grande porte. O projeto foi dimensionado para receber embarcações de grande porte, como o Ferry Boat São Bartolomeu VI, com mais de 80 metros de comprimento e cerca de 768 toneladas de porte bruto.
A estrutura também deve incluir áreas de embarque e desembarque, cargas e encomendas, fiscalização, apoio operacional e acessos para melhorar a circulação entre o porto e a área comercial do entorno.
Obra em área que não pode parar
O ponto mais sensível será executar a obra em uma área que segue funcionando. A Manaus Moderna não é apenas um terminal. É também área de feira, carga e descarga, circulação urbana e embarque de passageiros para o interior.
Segundo Tavares, o Dnit trabalha para reduzir o impacto sobre feirantes, trabalhadores, balsas e operadores locais durante a obra. Uma das soluções em estudo é a criação de uma rampa provisória após a Manaus Moderna, na entrada do Igarapé do Educandos.
“Durante a obra, um ponto importante é que nós estamos trabalhando para que o impacto seja mínimo ou até zero para os feirantes, para os trabalhadores ali do local, para as balsas também que atuam. Nós estamos tentando prever aí uma rampa de acesso logo após a Manaus, entrando no Igarapé ali do Educandos, que vai haver uma dragagem, inclusive de descontaminação”, afirma.
A ideia é deslocar parte das balsas para a nova rampa enquanto o porto é construído.
“Ao retirarmos as balsas daqui, para que a gente construa o porto da Manaus Moderna, a gente cria ali uma rampa, acho que uns 50 metros, ainda está em estudo, para que esses balseiros possam se deslocar e atuarem ali, de modo que a gente não interfira no trabalho, no comércio local”, diz.
Passageiros, cargas e abastecimento
O novo porto foi planejado para atender transporte de passageiros e pequenas e médias cargas. A estrutura atual da Manaus Moderna opera com forte pressão diária e concentra fluxos diferentes no mesmo espaço: passageiros, mercadorias, encomendas, alimentos, feirantes, carregadores, embarcações regionais e balsas.

Projeto do novo terminal prevê áreas separadas para embarcações de diferentes portes | Foto: Divulgação
O governo federal estima que o novo terminal poderá movimentar cerca de 3,5 milhões de passageiros por ano. A obra também deve atender a logística de abastecimento de municípios do interior, que dependem da navegação para receber produtos enviados a partir de Manaus.
O projeto não elimina os gargalos da navegação regional, mas atua sobre uma etapa concreta da cadeia: o ponto de embarque, desembarque e transferência de cargas no Centro da capital.
Próximas etapas
A ordem de serviço para execução do porto foi assinada em abril, de acordo com o Dnit. O cronograma estabelece que, neste ano, serão desenvolvidos e concluídos os projetos básicos e executivos, etapa inicial de planejamento técnico e detalhamento que antecede a fase de construção.
Após essa etapa, prevista para seis meses, será iniciada a execução das obras, estimada em aproximadamente 24 meses de duração, iniciando, segundo o cronograma, em novembro deste ano.
