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Petróleo indica intervenção de longo prazo dos EUA na Venezuela

Sinalização de Donald Trump sobre as reservas venezuelanas reforça cenário de ocupação duradoura, altos custos de recuperação e incertezas para o mercado global de energia

Divulgação

A indicação explícita do interesse nas reservas de petróleo da Venezuela pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para justificar a invasão do país e a captura do ex-presidente Nicolás Maduro é vista por especialistas como um forte indício de que a intervenção norte-americana no território venezuelano pode se estender por décadas. A deterioração da infraestrutura petrolífera, somada à instabilidade política e institucional, torna improvável uma recuperação rápida da produção.

Na segunda-feira (5/12), Nicolás Maduro declarou-se inocente das acusações de narcoterrorismo e posse de armas, afirmando ser um prisioneiro de guerra, segundo o G1. Pouco antes, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina da Venezuela. Analistas apontam que, após anos de baixos investimentos, o setor de petróleo do país enfrenta sérias limitações técnicas e financeiras, o que deve retardar qualquer aumento significativo da produção prometido por Trump.

Infraestrutura degradada

A recuperação do setor petrolífero venezuelano exigirá investimentos expressivos. De acordo com o diretor da MA2 Energy, Marcelo de Assis, serão necessários ao menos US$ 120 bilhões ao longo de dez anos apenas para iniciar a restauração da infraestrutura. Já Gustavo Vasquez, analista da Argus, afirma que retornar a uma capacidade próxima de 3 milhões de barris por dia pode consumir centenas de bilhões de dólares, mesmo em um cenário favorável.

Além do capital, especialistas destacam a necessidade de um ambiente regulatório estável, instituições sólidas e fortalecimento da estatal PDVSA. Para o ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), David Zylbersztajn, essas condições ainda não existem no país. Soma-se a isso a incerteza sobre o real volume das reservas: enquanto o governo venezuelano fala em 300 bilhões de barris, análises independentes indicam números bem menores.

Leia mais: O que vai acontecer com a oferta de petróleo após os EUA invadirem a Venezuela?

Apesar dos riscos, a Venezuela historicamente atraiu o interesse de investidores internacionais, inclusive do Brasil. A Petrobras chegou a avaliar oportunidades no país, assim como a Fluxus, do grupo J&F, e a Novonor, que ainda detém participação na PetroUrdaneta. As análises, porém, ocorreram antes das eleições de 2024, cujo resultado o Brasil não reconheceu.

No mercado, os primeiros desdobramentos da invasão já provocaram reações. O petróleo fechou em alta na primeira sessão após os ataques, impulsionando ações de petroleiras dos EUA, enquanto empresas brasileiras do setor, como a Petrobras, registraram queda. A China, principal destino do petróleo venezuelano, afirmou que pretende manter a cooperação com o país, embora analistas avaliem que o conflito pode aumentar a cautela chinesa na América Latina.

Em meio a esse cenário, a produção brasileira de petróleo segue em alta, atingindo 4,921 milhões de barris de óleo equivalente por dia em novembro de 2025, segundo a ANP, reforçando o contraste entre a expansão do setor no Brasil e as incertezas que cercam o futuro energético da Venezuela.

Com Informações da Eixos