Economia
Indústria fica estagnada, serviços recuam e turismo cresce no Amazonas em 2025, diz IBGE
Desaceleração da indústria afeta serviços e consumo, enquanto mercado de trabalho resiste à perda de dinamismo
A economia do Amazonas apresentou desempenho desigual em 2025, com estagnação da indústria, retração no setor de serviços e crescimento do turismo. A avaliação é do superintendente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Estado, Francisco Braz, em artigo publicado pela Fecomércio Amazonas.

Desempenho da indústria ficou próximo da estabilidade em 2025. Foto: Divulgação
Segundo a análise, o Polo Industrial de Manaus (PIM) desacelerou ao longo do período. A indústria passou de um crescimento de 3,6% em 2024 para 0,1% em 2025. “A indústria operou basicamente para manter o nível já existente, sem expansão relevante. Isso reflete uma demanda mais fraca, especialmente no mercado nacional, e sinais de saturação após um ano anterior mais aquecido”, afirmou.
A desaceleração industrial teve reflexos no setor de serviços, que saiu de uma alta de 10,6% em 2024 para uma queda de 1,6% em 2025. De acordo com Braz, a forte dependência da atividade industrial contribuiu para o resultado. “A desaceleração da indústria gerou um efeito em cadeia, reduzindo a demanda por transporte de cargas, logística e serviços administrativos. Até os serviços voltados às famílias acabaram sendo afetados”, disse.
Turismo avança
Em sentido oposto, o turismo registrou crescimento, passando de retração de 2,4% para alta de 11,5%. “O turismo mostrou independência em relação à indústria e se consolidou como um novo motor da economia local, ajudando a manter a circulação de renda no estado”, escreveu Braz.

Fluxo de visitantes cresceu ao longo de 2025. Foto: Alex Pazuello/Secom
Entre janeiro e outubro, o Amazonas recebeu cerca de 379,6 mil visitantes, alta de 14,1% na comparação com o mesmo período de 2024. A movimentação gerou receita direta estimada em R$ 755 milhões.
Dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) indicam crescimento de 6,9% no setor no Estado, o segundo maior do País, à frente de São Paulo, Minas Gerais e Paraná.
Consumo e trabalho
O comércio desacelerou, com expansão de 0,6% em 2025, ante 4,8% no ano anterior. Para Braz, o resultado reflete maior cautela do consumidor. “O ritmo fraco das vendas reflete o impacto do crédito caro, do endividamento e da menor renda disponível, mesmo com alguma melhora no emprego”, afirmou.
Apesar da atividade mais fraca, o mercado de trabalho apresentou melhora. A taxa de desemprego recuou de 8,3% para 7,3%. Segundo o superintendente, o resultado foi influenciado por setores mais intensivos em mão de obra. “Turismo e construção civil tiveram papel importante na geração de vagas, compensando perdas em outras áreas e permitindo a redução do desemprego”.
A informalidade caiu de 52,1% para 51,6%, permanecendo elevada. “Ainda é um índice alto, mas a redução, mesmo que pequena, indica uma tendência de melhora na qualidade das ocupações, com mais trabalhadores migrando para empregos formais”, disse.
Construção e perspectivas
O custo da construção civil acelerou, com o preço do metro quadrado subindo de 1,72% para 3,74%. “Esse avanço reflete tanto o encarecimento dos materiais quanto da mão de obra, mas também mostra que a demanda por obras continua forte no estado”, afirmou Braz.

Movimento na construção civil ajudou a sustentar a geração de empregos: Foto: Secom
Para 2026, a expectativa é de recuperação moderada, condicionada ao desempenho do turismo e ao controle de custos. “Se o turismo continuar crescendo e a inflação da construção for controlada, há espaço para reduzir ainda mais o desemprego. O grande desafio segue sendo a indústria, que precisa reagir para que o estado volte a crescer com mais força”, disse.
