Geral
Índice de qualidade de vida mostra maioria das capitais da Amazônia Legal entre as piores do País
Apenas duas capitais estão entre as 10 melhores
Vista de Belém |
O novo Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, publicado na quarta-feira (20), revelou um cenário de contraste entre as capitais da Amazônia Legal. Enquanto Palmas e Cuiabá aparecem entre as dez melhores cidades brasileiras em qualidade de vida, a maior parte da região ocupa as últimas posições do ranking nacional.
O levantamento avalia os 5.570 municípios brasileiros e mostra que, apesar de avanços pontuais, os indicadores sociais e ambientais seguem mais frágeis nas capitais amazônicas, principalmente nos quesitos ligados à inclusão social, acesso a oportunidades e qualidade ambiental.
Entre as capitais da Amazônia Legal, Palmas (TO) aparece na 7ª colocação nacional, com 68,91 pontos. Cuiabá (MT) ocupa o 10º lugar, com 67,22 pontos. Já São Luís (MA), também integrante da Amazônia Legal, aparece em posição intermediária, na 17ª colocação.

As três cidades foram as únicas da região a ficar fora da parte inferior do ranking.
Capitais amazônicas dominam últimas posições
Na outra ponta da lista, seis capitais da Amazônia Legal aparecem entre as dez piores do país em qualidade de vida.
Boa Vista (RR) ocupa a 19ª posição nacional, seguida por Manaus (AM), em 20º lugar, e Belém (PA), em 21º. Rio Branco (AC) aparece na 22ª colocação.
As pontuações mais baixas foram registradas em Macapá (AP), na 26ª posição, e Porto Velho (RO), que ficou em último lugar entre as 27 capitais brasileiras, com 58,59 pontos.

Pontuações das capitais no IPS Brasil 2026 e sua classificação | Fonte: IPS Brasil 2026
O resultado expõe a concentração de cidades do Norte entre os menores índices sociais nas regiões, apontada pelo próprio estudo.
Pará, Maranhão e Acre têm os piores índices do país
O IPS Brasil 2026 também avaliou o desempenho médio das unidades federativas brasileiras e voltou a mostrar a concentração dos menores índices sociais nas regiões Norte e Nordeste.
No ranking nacional dos estados, o Distrito Federal lidera com 70,73 pontos, seguido por São Paulo e Santa Catarina. Já os piores resultados ficaram com Pará, Maranhão e Acre, que ocupam as três últimas posições do levantamento.
Entre os estados da Amazônia Legal, Tocantins aparece como o melhor colocado da região, na 17ª posição nacional, enquanto Roraima (19º), Amazonas (20º), Rondônia (23º), Amapá (24º), Acre (25º), Maranhão (26º) e Pará (27º) aparecem na parte inferior do ranking.

Pontuação do IPS Brasil 2026 para as unidades federativas | Fonte: IPS Brasil 2026
Avaliação
O IPS Brasil mede a qualidade de vida da população a partir de 57 indicadores sociais e ambientais, divididos em três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades.
Para calcular o índice, o IPS leva em consideração 57 indicadores sociais ou ambientais, com foco em resultados, uso de dados públicos confiáveis, atualizados e com ampla cobertura territorial. Entre os critérios analisados estão acesso à saúde, segurança, moradia, saneamento, educação, inclusão social, direitos individuais, sustentabilidade ambiental e acesso ao ensino superior.
Diferentemente de levantamentos econômicos, o índice não utiliza indicadores de renda ou Produto Interno Bruto (PIB). O objetivo é medir diretamente o impacto das condições sociais e ambientais na vida da população.
“O IPS mede resultados e não volume de investimentos, ou riquezas, nos interessa saber se os serviços públicos estão, de fato, sendo entregues aos cidadãos”, afirma Melissa Wilm, coordenadora do IPS Brasil.
Inclusão social e meio ambiente puxam resultados para baixo
Segundo o relatório, os piores desempenhos estão ligados principalmente aos indicadores de inclusão social e qualidade ambiental.
O componente de Inclusão Social apresentou queda nacional desde 2024, refletindo fatores como violência contra minorias, baixa representatividade política de mulheres e pessoas negras, além do crescimento da população em situação de rua.
Outro ponto de atenção está na dimensão de Qualidade do Meio Ambiente. O estudo destaca que a Amazônia Legal concentra parte relevante das emissões de gases de efeito estufa e dos índices de desmatamento do país, fatores que impactam diretamente o desempenho regional no IPS.
Brasil registra melhora no índice
Apesar do cenário negativo observado em parte da Amazônia Legal, o IPS Brasil 2026 aponta uma leve melhora nacional.
A média brasileira subiu para 63,40 pontos em 2026, acima do resultado registrado no ano anterior, indicando avanço gradual em parte dos indicadores sociais avaliados pelo levantamento.
