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Pagamento de impostos sobe quase 10% nos estados da Amazônia e chega a R$ 254 bilhões em 2025

Pará, Mato Grosso e Amazonas representaram mais de 50% dos impostos pagos pelos contribuintes da região, segundo o Impostômetro

Foto: Divulgação

Dados da plataforma Impostômetro, mantida pela Associação Comercial de São Paulo, mostram que, em 2025, os contribuintes dos estados da Amazônia Legal pagaram R$ 254,3 bilhões em impostos, aproximadamente 5,8% do total arrecadado no país. O volume representa um crescimento de 9,72% em relação a 2024, quando a arrecadação somou R$ 231,8 bilhões.

A população do Pará foi a que mais desembolsou tributos, com R$ 60,9 bilhões pagos ao longo do ano. Na sequência aparecem Mato Grosso, com R$ 58,2 bilhões, e Amazonas, com R$ 49,2 bilhões.

O levantamento reúne valores efetivamente pagos pela população nas esferas municipal, estadual e federal, incluindo impostos, taxas e contribuições. Também entram na conta pagamentos relacionados a multas, juros e correção monetária.

Confira tabela com os valores arrecadados, em bilhões, pelos estados em 2025 e 2024:

Estados 2025 2024
Acre 6.487.491.072.067 5.912.769.843.085
Amapá 5.273.566.783.076 4.806.386.058.084
Amazonas 49.239.376.488.031 44.877.302.668.090
Maranhão 37.832.443.380.093 34.480.899.909.071
Mato Grosso 58.225.748.801.004 53.067.580.022.082
Pará 60.908.021.246.001 55.512.232.269.042
Rondônia 17.159.278.554.012 15.639.152.892.092
Roraima 5.043.070.715.021 4.596.309.437.085
Tocantins 14.221.677.140.032 12.961.791.050.024

Municípios

Em 2025, as populações das nove capitais da Amazônia pagaram R$ 70 Bilhões em impostos, 1,45% a mais do que em 2024, ano em que pagaram R$ 69 bilhões.

A população de Manaus desembolsou R$ 20 bilhões em tributos em 2025, a maior contribuição entre os nove estados. Em seguida, aparecem os contribuintes de Belém, com R$ 13,6 bilhões. E no terceiro posto, fica a população de São Luís, que pagou R$ 13,4 bilhão no período.

Confira a tabela das capitais:

Município 2025 2024
Rio Branco 253.801.174.061 231.317.147.084
Macapá 227.457.330.039 207.307.082.002
Manaus 20.150.261.300.019 1.836.516.706.034
Cuiabá 12.078.093.067.096 110.810.579.062
Belém 13.690.568.967.029 1.248.240.035.081
Porto Velho 466.575.548.065 425.242.023.092
Boa Vista 254.772.319.040 232.202.259.075
São Luís 13.400.023.963.029 1.221.312.398.019
Palmas 525.346.733.067 478.806.720.044

O que poderia ser feito com R$ 254,3 bilhões? Especialista explica

Para o economista e professor do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal do Pará, Eduardo Costa, o montante arrecadado pelos estados da Amazônia em 2025 revela não apenas a força econômica da região, mas também o tamanho das oportunidades perdidas quando esses recursos não se traduzem em melhorias concretas para a população.

Eduardo Costa 44

“R$ 254,3 bilhões é um valor absolutamente expressivo. Para efeito de comparação, ele permitiria transformar estruturalmente indicadores sociais básicos da Amazônia Legal em poucos anos, se houvesse planejamento e execução eficientes”, avalia.

Segundo Costa, com base em custos médios praticados no Brasil, esse volume de recursos permitiria, por exemplo:

  • Construir cerca de 1,27 milhão de casas populares, considerando um custo médio de R$ 200 mil por unidade habitacional. Isso seria suficiente para reduzir drasticamente o déficit habitacional da região;
  • Erguer aproximadamente 12 mil escolas públicas de ensino básico, ao custo médio de R$ 20 milhões por unidade, ampliando o acesso à educação em áreas urbanas e rurais;
  • Construir cerca de 3.600 hospitais de médio porte, estimando R$ 70 milhões por hospital, o que poderia mudar completamente o cenário de atendimento em saúde na Amazônia;
  • Asfaltar mais de 127 mil quilômetros de estradas, considerando um custo médio de R$ 2 milhões por quilômetro, melhorando a logística, o escoamento da produção e o acesso a serviços básicos;
  • Universalizar o saneamento básico em grande parte da região, levando em consideração que levar água tratada e esgoto a uma pessoa custa entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, valor que permitiria atender dezenas de milhões de habitantes.

O economista considera que o problema central não é apenas o volume arrecadado, mas como o dinheiro é distribuído e executado:

“Os dados mostram que as populações da Amazônia, especialmente do Norte, pagam impostos em níveis comparáveis a outras regiões do país, mas ainda convive com indicadores sociais muito inferiores. Isso evidencia gargalos históricos de gestão, desperdício, baixa eficiência e, em alguns casos, má alocação dos recursos públicos”.

Ele ressalta ainda que, quando bem direcionados, investimentos públicos têm efeito multiplicador sobre a economia regional.

“Cada real investido em infraestrutura, educação ou saneamento gera retorno econômico, aumenta a produtividade e reduz gastos futuros do próprio Estado. Não se trata de gastar mais, mas de gastar melhor”, pontua.

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