Meio Ambiente
Governo faz 1º leilão federal de Floresta Nacional do Bom Futuro para crédito de carbono
Re.Green, de João Moreira Salles, venceu o certame e terá direito de gerir 59 mil hectares em Porto Velho por 40 anos
Floresta Nacional do Bom Futuro |
O governo federal realizou nesta quarta-feira (25), em São Paulo, o leilão de concessão da Floresta Nacional do Bom Futuro, localizada em Porto Velho (RO). O certame marca um passo estratégico para a agenda verde do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, sendo a 1ª concessão federal focada primordialmente em restauração florestal e geração de créditos de carbono.
A gestão da Floresta Nacional do Bom Futuro foi arrematada pela empresa Re.Green, que terá o direito de administrar uma área de 59 mil hectares por um período de 40 anos.
Diferente de concessões tradicionais voltadas apenas para o manejo de madeira, o modelo de Bom Futuro prevê que a principal fonte de receita venha do uso sustentável e da exploração de ativos ambientais e produtos florestais de espécies nativas. A Re.Green foi cofundada pelo cineasta João Moreira Salles e conta com Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, em seu conselho. A empresa foi a única proponente no leilão.
O investimento previsto é de R$ 86,7 milhões ao longo dos 40 anos de vigência do contrato. O critério de seleção adotado foi o de maior percentual de outorga oferecido ao governo, garantindo que os benefícios financeiros da preservação retornem aos cofres públicos e às comunidades locais. A titularidade da terra permanece integralmente com a União.
Ao setor privado é concedido apenas o direito de uso sustentável e a exploração de ativos e produtos de espécies nativas. A ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) e o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Garo Batmanian, acompanharam a batida do martelo.

Uma mão segura uma pequena árvore verde plantada sobre moedas, simbolizando investimento sustentável e preservação ambiental | Foto: Divulgação
CRÉDITO DE CARBONO
O crédito de carbono é um conceito que converte a não emissão de gases de efeito estufa em uma moeda ambiental negociável. Um crédito equivale a uma tonelada de dióxido de carbono que deixou de ser lançada na atmosfera. O sistema funciona como um incentivo econômico global: empresas ou projetos que conseguem capturar carbono –com o plantio de florestas– ou reduzir suas emissões geram esses ativos, que podem então ser vendidos para indústrias que ainda não atingiram suas metas de sustentabilidade, compensando assim o seu impacto ambiental.
