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Segundo maior fabricante do mundo, PIM deve bater recorde no faturamento de ar-condicionado

Com 16 empresas instaladas em Manaus, setor precisa lidar com entraves regulatórios que limitam o crescimento, aponta executivo

Arte: Suellen Fonseca/PIM Amazônia

Manaus é atualmente a segunda maior fabricante de aparelhos de ar condicionado do mundo, atrás apenas da China, lar de gigantes como Gree, Midea e TCL. Com crescimento consistente nos últimos anos, o setor deve fechar 2025 com novo recorde de faturamento na capital amazonense, de acordo com projeções feitas a partir dos Indicadores de Desempenho da Superintendência da Zona Franca de Manaus.

De janeiro a outubro, o desempenho do setor foi muito próximo do total registrado em todo o ano de 2024, quando o faturamento somou R$ 15,8 bilhões.

Neste ano, em dez meses, o setor já faturou R$ 15,7 bilhões, uma diferença de “apenas” R$ 72 milhões e um valor 65% maior que o do ano de 2023. Vale explicar que estamos falando de uma média mensal de R$ 1,5 bilhão por mês até aqui.

Se o ritmo for mantido nos dois últimos meses do ano (os dados ainda não estão consolidados), o faturamento será recorde e passará facilmente dos R$ 18 bilhões.

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Para o economista e ex-presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, o setor tem elevado potencial de expansão, mas enfrenta entraves regulatórios que limitam seu crescimento. Ele alerta que a legislação vigente obriga a utilização de compressores fabricados no Brasil, insumo cuja oferta opera no limite da capacidade, já que existe apenas um fabricante nacional apto a atender essa demanda.

Ainda segundo Périco, essa restrição compromete o ritmo de produção, dificulta o planejamento das indústrias instaladas no polo e pode inibir novos investimentos. “O PIM tem condições de produzir muito mais, ampliar a geração de empregos e atrair novas plantas industriais, mas precisamos garantir segurança regulatória e disponibilidade de insumos para sustentar esse crescimento”, afirmou.

Eletros aponta para gargalos

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No setor, nem tudo é positivo. Para a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), o avanço acelerado também evidenciou gargalos estruturais, especialmente no fornecimento de compressores e nas exigências do Processo Produtivo Básico (PPB).

O desempenho do produto final, de acordo com a entidade, não foi acompanhado pelo mesmo ritmo de crescimento da indústria de insumos, criando um desequilíbrio na cadeia produtiva.

A Eletros destaca que houve avanço no reconhecimento, por parte do governo federal, de que a exigência de 12% de compressores nacionais tornou-se inviável em 2025 diante da limitação da oferta.

A flexibilização da regra neste ano foi considerada um alívio para as fábricas, ao evitar o risco de paralisação das linhas de produção no Polo Industrial de Manaus.

Ainda assim, a entidade avalia que a solução precisa ser estrutural, de forma a garantir previsibilidade, segurança jurídica e sustentabilidade para os próximos ciclos de produção.

Neste fim de ano, o setor ganhou atenção direta do governo federal. Em jantar realizado no dia 18 de dezembro, com a presença do vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, foi sinalizada uma solução para o impasse regulatório.

Na ocasião, Alckmin afirmou que o novo Processo Produtivo Básico (PPB) do setor de ar-condicionado será publicado nos próximos dias, garantindo que as fabricantes da Zona Franca de Manaus não serão prejudicadas, movimento considerado decisivo pela indústria para sustentar o ritmo recorde de produção no polo.

Estratégico para o país

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Wilson Périco afirma que a consolidação do segmento de climatização em Manaus é estratégica para a economia regional e nacional, tanto pelo volume de faturamento quanto pela capacidade de geração de empregos diretos e indiretos.

“Temos escala industrial, mão de obra qualificada e um polo consolidado. É plenamente possível alcançar resultados ainda mais expressivos nos próximos anos, desde que evitemos entraves que possam frear o desempenho do setor”, disse.

O presidente da Eletros, Jorge Nascimento Júnior, disse que os números registrados em 2025 indicam a consolidação de um novo patamar do polo de ar-condicionado de Manaus, e não um pico isolado de crescimento.

Em Manaus, estão instaladas grandes multinacionais do setor de climatização, como LG e Samsung, da Coreia do Sul; Gree, da China; Electrolux, da Suécia; e Daikin, do Japão, além de empresas brasileiras e outras companhias especializadas na fabricação de aparelhos de ar-condicionado.

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Para a entidade, a produção estimada em cerca de 6,3 milhões de aparelhos e a possibilidade de superar o faturamento recorde de 2024 antes mesmo do fechamento do ano demonstram que o segmento deixou de ser sazonal.

“O que estamos vendo em 2025 é a consolidação de um novo patamar do polo de ar-condicionado de Manaus, e não um pico isolado. Produzir cerca de 6,3 milhões de aparelhos e praticamente repetir, ou até superar, o faturamento histórico de 2024 antes mesmo do fechamento do ano mostra que o setor deixou de ser sazonal e se tornou um dos motores permanentes da indústria eletroeletrônica brasileira e da Zona Franca de Manaus”, avalia o presidente da Eletros.

Por Amanda Gabriele – Estagiária
Sobre supervisão de Jhemisson Marinho – MTB 1173/AM