Inovação
Tecnologia da Embrapa Rondônia rastreia a origem do café e identifica adulterações
Espectroscopia no infravermelho próximo permite confirmar procedência, pureza e autenticidade do grão sem destruir a amostra e com baixo custo
Pesquisas da Embrapa Rondônia indicam que a espectroscopia no infravermelho próximo permite identificar a origem geográfica do café e detectar adulterações de forma rápida, acessível e sem destruir a amostra. A tecnologia, que está em fase de validação para o setor cafeeiro, tem potencial para fortalecer indicações geográficas, certificações de qualidade e a rastreabilidade do café brasileiro no mercado nacional e internacional.
A técnica analisa como a luz interage com os compostos químicos do grão, gerando um espectro químico que funciona como uma “impressão digital”. A partir de bancos de dados e algoritmos treinados, o sistema consegue identificar a procedência do café e apontar adulterações em poucos segundos. “É uma tecnologia que permite identificar o terroir do café, chegando ao nível da área produtiva”, explica o pesquisador Enrique Alves, da Embrapa Rondônia.
Identificação de origem e combate a fraudes
O estudo foi desenvolvido ao longo de cinco anos como parte do doutorado de Michel Baqueta na Universidade Estadual de Campinas, em parceria com a equipe da Embrapa Rondônia. A pesquisa combinou espectroscopia no infravermelho próximo e análise quimiométrica para criar padrões capazes de diferenciar origens, reconhecer terroirs específicos e detectar adulterações.
Os resultados permitem separar cafés robustas amazônicos, inclusive variedades indígenas, de conilons produzidos no Espírito Santo e na Bahia, além de distinguir cafés canéforas cultivados em diferentes tipos de solo. Nos testes, a tecnologia identificou fraudes com materiais como milho, soja, casca, borra e sementes de açaí, apontadas como um tipo emergente de adulteração no mercado.
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A espectroscopia no infravermelho próximo também pode ser aplicada em outras cadeias agroalimentares, como cacau, soja, leite, frutas e vinhos, ampliando o controle de qualidade e a rastreabilidade. Segundo os pesquisadores, a técnica representa um avanço estratégico para a confiança na origem e na pureza dos produtos agropecuários brasileiros, além de democratizar o acesso à certificação e ao combate a fraudes.
Com Informações da Embrapa
