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El Niño aumenta pressão sobre rios e abastecimento de energia na Amazônia

Estiagem acelera a vazante dos rios e leva empresas a reforçar estoques de diesel para termelétricas no interior do Amazonas

Foto: Divulgação | Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real

Enquanto eventos extremos de cheias e inundações castigam o Sul do país, o cenário climático imposto pelo fenômeno El Niño acende o sinal amarelo nas regiões Norte e Nordeste. Na Amazônia, a combinação de chuvas escassas e a rápida vazante dos rios já impõe severos desafios à navegabilidade e coloca sob forte pressão o abastecimento de energia em áreas isoladas, dependentes da geração termelétrica.

Conforme aponta um levantamento da Folha de S. Paulo, diante do risco iminente de isolamento logístico — uma vez que grande parte dos insumos e combustíveis transportados para o interior do Amazonas depende exclusivamente do modal hidroviário —, empresas geradoras e distribuidoras intensificaram planos de contingência e solicitaram ao governo federal a antecipação de recursos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC).

“A empresa vem adotando medidas preventivas para reforçar os estoques e programar antecipadamente as entregas de combustível, em articulação com seus fornecedores, visando assegurar a continuidade e a segurança da geração de energia”, destacou em nota a VP Flexgen, uma das operadoras citadas no levantamento da Folha e que pleiteiam suporte para estocar diesel em municípios como Humaitá, Borba, Autazes, Nova Olinda do Norte e São Gabriel da Cachoeira.

Logística fluvial no limite 

O levantamento da Folha de S. Paulo também joga luz sobre o fantasma das estiagens severas que marcaram os anos de 2023 e 2024, obrigando o setor produtivo e operadores logísticos a redobrarem os cuidados com o escoamento e o armazenamento estratégico. Empresas como o Grupo Atem já movimentam operações especiais de transbordo de navios para balsas em pontos estratégicos como Itacoatiara (AM), buscando antecipar o fluxo de suprimentos antes que o calado dos rios impeça a passagem de comboios maiores.

O Grupo Chibatão também adotou tal medida. Com o objetivo de mitigar os severos efeitos da estiagem e garantir o fluxo contínuo de cargas e insumos essenciais para o Polo Industrial de Manaus (PIM), a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) autorizou a transferência e operação, por um período de 180 dias, de um píer flutuante do Grupo, no município de Itacoatiara. 

Ao todo, somam-se dezenas de milhões de litros de óleo diesel solicitados em caráter de urgência para preencher tanques locais e balsas-depósito. A preocupação central do setor elétrico e industrial na Amazônia é que a burocracia na liberação dos repasses financeiros retarde a formação dos estoques, deixando as usinas vulneráveis no período mais crítico da estiagem.

Transferência de píer flutuante para mitigar efeitos da estiagem na indústria do Amazonas

Com o objetivo de mitigar os severos efeitos da estiagem de 2026 no Amazonas, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), autorizou a transferência e operação de um píer flutuante do Grupo Chibatão, no município de Itacoatiara. 

Com uma autorização de operar por 180 dias, a estrutura visa garantir o fluxo contínuo de cargas e insumos essenciais para o Polo Industrial de Manaus (PIM), antecipando as restrições de calado que geralmente se intensificam nos rios da região nesta época. 

El Niño no nordeste

Enquanto a Região Norte lida com o colapso nas rotas fluviais e nas termelétricas isoladas, o levantamento da Folha detalha que o problema no Nordeste assume outra face: a escassez severa de água para abastecimento humano, irrigação e atividades agropecuárias.

O plano de preparação para o El Niño aprovado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) já colocou diversos sistemas hídricos em “estado hidrológico vermelho” — a faixa mais crítica da classificação. O cenário atinge diretamente reservatórios estratégicos na Bahia, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte, onde a disponibilidade hídrica chegou a patamares alarmantes.

Com a previsão de persistência do El Niño, a ANA adota medidas preventivas que incluem a imposição de rodízios, a restrição de captações e a priorização absoluta do consumo humano, evidenciando que o impacto do fenômeno climático exige forte articulação regulatória e logística em diferentes frentes do País.