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Diretor jurídico do Banco de Brasília renuncia ao cargo após investigações envolvendo o Banco Master

Banco afirma que seguirá informando o mercado com transparência, mas não detalha motivos da renúncia nem quem assumirá a diretoria jurídica.

Divulgação

O Banco de Brasília (BRB) informou que Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo renunciou ao cargo de diretor Jurídico da instituição. Segundo fato relevante divulgado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite de segunda-feira (9/2), a saída será efetivada no próximo sábado (14/2).

O banco afirmou que continuará mantendo acionistas e o mercado informados sobre fatos relevantes, reforçando o compromisso com ética, responsabilidade e transparência. No entanto, não detalhou os motivos da renúncia nem informou quem assumirá a Diretoria Jurídica.

A saída ocorre em meio à crise enfrentada pelo BRB após vir à tona o envolvimento da instituição com o Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025. Investigações apontam que operações entre os dois bancos podem ter provocado um rombo estimado em R$ 5 bilhões no balanço do BRB.

Jacques Veloso havia sido nomeado diretor Jurídico em agosto de 2024, indicado para cumprir o restante do mandato iniciado em 2022. Ele assumiu oficialmente a função em dezembro daquele ano e já integrava a governança do banco como membro do Comitê de Auditoria.

Mudanças na diretoria e investigações

Também na segunda-feira, o BRB anunciou a posse de Ana Paula Teixeira como nova diretora executiva de Controles e Riscos. A executiva tem trajetória no setor financeiro e atuou como vice-presidente de Gestão de Riscos, Controles Internos, Segurança Institucional e Cibersegurança no Banco do Brasil.

Segundo o banco, a nomeação busca fortalecer a governança corporativa e a gestão de riscos. As mudanças ocorrem após investigações apontarem operações consideradas irregulares entre o BRB e o Banco Master.

Entre 2023 e 2024, o banco público adquiriu duas carteiras de crédito do Master no valor de R$ 12,2 bilhões, compostas por ativos superfaturados ou inexistentes, segundo as apurações. Em 2025, o BRB chegou a anunciar a intenção de adquirir o controle do Banco Master, operação aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas rejeitada pelo Banco Central em setembro. Pouco depois, o Master foi liquidado.

Alerta jurídico e plano de capital

A renúncia ocorre após a divulgação de um parecer jurídico assinado por Veloso, no qual ele teria alertado para riscos nas operações entre o BRB e o Banco Master. No documento, o então diretor destacou a importância de observar os índices de liquidez e de Basileia para garantir a solidez da instituição.

Apesar do alerta, ele também gravou um vídeo interno defendendo a tentativa de compra do Banco Master, afirmando que todos os cuidados jurídicos estavam sendo tomados para a operação seguir os trâmites legais.

Para conter a crise e reforçar a liquidez, o BRB apresentou ao Banco Central um plano de capital com medidas para recompor o patrimônio da instituição em até 180 dias. Segundo estimativas da autoridade monetária, o aporte mínimo necessário pode chegar a R$ 5 bilhões.

O governo do Distrito Federal, acionista controlador do banco com cerca de 72% do capital, acompanha de perto a situação. O plano foi entregue pessoalmente pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, em reunião na sede do Banco Central, em Brasília.

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