Perfil Empresarial
BYD avalia ampliar produção de componentes para veículos elétricos em Manaus
Gigante chinesa estuda novos investimentos no PIM e analisa diversificação de produtos voltados à eletromobilidade
A BYD iniciou estudos para ampliar sua presença industrial em Manaus, com foco na produção de componentes para veículos elétricos. A movimentação foi discutida durante reunião com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), realizada nesta quinta-feira (26), e faz parte de uma agenda mais ampla da empresa na capital amazonense ao longo da semana.
A visita técnica da comitiva chinesa, que permaneceu na cidade desde a última segunda-feira (23), teve como principal objetivo avaliar o ambiente de negócios da região e identificar oportunidades para diversificar a produção local. A análise inclui a possibilidade de fabricação de novos componentes voltados a diferentes tipos de veículos elétricos, segmento estratégico para a companhia.

Durante o encontro, a Suframa apresentou os principais atrativos do modelo da Zona Franca de Manaus, com destaque para os incentivos fiscais, a previsibilidade jurídica dos benefícios até 2073 e as condições mantidas após a reforma tributária. Em contrapartida, os executivos da BYD concentraram questionamentos em temas considerados críticos para a tomada de decisão, como logística, infraestrutura regional e os impactos recentes da seca histórica de 2023.
As informações levantadas devem embasar a decisão da empresa sobre a ampliação de investimentos no Polo Industrial de Manaus (PIM), onde a BYD mantém operações desde 2020. Segundo representantes da companhia, o estudo ainda está em fase inicial e envolve áreas estratégicas como compras, logística e desenvolvimento de novos produtos, o que indica que qualquer expansão dependerá da viabilidade econômica e das condições estruturais da região.
Produção em Camaçari coloca PIM no radar da eletromobilidade
O movimento da BYD ocorre em meio ao avanço da indústria de veículos eletrificados no Brasil e reforça o interesse de multinacionais em estruturar cadeias produtivas associadas à transição energética na Amazônia. Em outubro do ano passado, a sede global da companhia já havia sinalizado essa estratégia ao anunciar a compra de baterias produzidas em Manaus para abastecer a linha de veículos elétricos da unidade de Camaçari (BA), inaugurada no mesmo período com investimento de R$ 5,5 bilhões.

Conforme divulgou a Secretaria de Comunicação do Governo da Bahia, no último dia 13, a empresa deve fabricar 300 mil veículos por ano na unidade baiana.
Nesse cenário, uma eventual ampliação das operações no PIM pode contribuir para diversificar a base produtiva local — historicamente concentrada nos segmentos eletroeletrônico e de duas rodas — e posicionar a capital amazonense como um polo internacional na fabricação de baterias para veículos elétricos.
