MENU
Buscar

BNDES define consórcio que vai modelar a exploração de urânio no Brasil

Consórcio VGLHH terá até 2027 para desenhar modelos de negócios e parcerias com o setor privado voltadas à expansão do mercado de minérios nucleares no Brasil

Lagoa Real, em Caetité (BA). - Foto: Acervo/INB

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deu mais um passo para destravar investimentos no setor mineral brasileiro ao homologar o consórcio responsável por desenhar a modelagem de negócios do Programa Pró-Urânio. A informação é da CNN Brasil

A iniciativa é conduzida em conjunto com a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e a Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar).

Vencedor da concorrência pública entre cinco participantes, o Consórcio VGLHH é liderado pela Vallya Advisors Assessoria Financeira e conta com a participação das empresas GE21 Consultoria Mineral, Lefosse Advogados, Harpia Consultoria Ambiental e Harpia Group AG. O contrato terá vigência de três anos, com início das atividades programado para o próximo mês.

Balanço entre monopólio estatal e capital privado

A Constituição Federal estabelece que a pesquisa e a extração de minérios nucleares são de monopólio exclusivo da União, operado por meio da INB. O objetivo dos novos estudos é criar uma estrutura jurídica e econômica segura para atrair a iniciativa privada para o setor, sem violar as prerrogativas constitucionais.

Segundo o presidente da INB, Tomás Albuquerque, o grande desafio da modelagem será encontrar um formato que equilibre os altos riscos assumidos pelos investidores na fase de pesquisa mineral com o papel regulador da estatal.

“Quem investe em pesquisa mineral assume um risco elevado e precisa ter segurança de que, em caso de descoberta de uma jazida economicamente viável, poderá avançar para seu desenvolvimento. A modelagem precisa equacionar esses papéis para criar condições atrativas e seguras para os dois lados”, declarou Albuquerque, à CNN Brasil. 

Escopo dos estudos e áreas de expansão

O consórcio terá até o segundo trimestre de 2027 para entregar análises aprofundadas que cobrem aspectos geológicos, regulatórios, socioambientais, financeiros e de mercado.

Com as propostas em mãos, INB e ENBPar definirão a estrutura final do modelo para dar início às negociações e leilões com investidores. O Pró-Urânio prevê a oferta de parcerias para exploração de áreas situadas em cinco províncias minerais do país:

  • Amorinópolis (GO);
  • Espinharas (PB);
  • Figueiras (PR);
  • Rio Preto (GO e TO);
  • Lagoa Real, em Caetité (BA).

Soberania e autossuficiência energética

Lançado em 2024, o Programa Pró-Urânio busca expandir a produção nacional e garantir o suprimento contínuo de combustível para as usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2.

Além de reduzir a dependência externa nas etapas de processamento do ciclo do combustível nuclear, a meta de longo prazo do governo federal é transformar o Brasil em um exportador relevante do insumo para o mercado global.